Texálcool, a Caravana da Economia

A história é bastante conhecida: no início dos anos 70, a crise do petróleo mudou o cenário da indústria automotiva no mundo. Com a forte alta do valor do barril de petróleo pelos países da OPEP, era hora de priorizar a economia de combustível. A venda dos carros com motores maiores e de alto consumo começou a sofrer forte queda. Mesmo em um mercado como o dos Estados Unidos, os modelos menores ganharam espaço. Isso foi comentado aqui recentemente no Test Drive do Dasher. Além disso, depois de décadas de certo esquecimento, o mundo voltou a procurar alternativas aos combustíveis fósseis.

No Brasil, em 1975 foi criado o Programa Nacional do Álcool. Ou simplesmente Proálcool. O programa visava a substituição gradual da frota nacional movida à gasolina para o uso do álcool combustível. Sem alongar muito o assunto, mas até mesmo por conta da adaptação relativamente simples dos motores e da própria rede de abastecimento, além da área disponível para plantio no Brasil, o álcool aparecia como a alternativa mais viável para substituir a gasolina.

Em 1979, o primeiro carro movido exclusivamente à álcool no mundo entrava no mercado: o Fiat 147. E, por favor… Estamos falando de produção em série. Apesar da existência do Dodge 1800 movido à álcool, até hoje em exposição do Museu Aeroespacial Brasileiro de São José dos Campos (SP), e da extrema simpatia deste que vos escreve para com o “Dodginho”, este título não cabe a ele. Ainda se falássemos de carros de teste movidos à álcool, o pioneiro oficialmente conhecido seria um velho Ford A, que em agosto de 1925 participou de uma corrida no Circuito da Gávea, no Rio de Janeiro, e posteriormente de algumas viagens, incluindo Rio x São Paulo.

O pioineiro: Ford A movido à álcool, realizando testes em 1925.

A partir do início das vendas do Fiat 147 e o lançamento de outros modelos movidos pelo combustível vegetal, era natural que o consumidor se mostrasse receoso com a nova tecnologia. Não apenas com a durabilidade e confiabilidade mecânica, mas também pela ainda pequena rede de abastecimento. Portanto, era o momento de mostrar que este combustível era plenamente viável para o uso normal.

A caravana Texálcool
Caravana Texálcool - Matéria do Diário da Tarde (PR) do dia 16 de julho de 1980
Matéria do Diário da Tarde (PR) do dia 16 de julho de 1980

Uma das ações de marketing realizadas neste período foi a “Caravana da Economia Texálcool”, promovida pela Texaco. Comemorando 65 anos no Brasil, uma caravana com 4 carros movidos à álcool, sendo eles Passat, Fiat 147, Opala e Corcel II, percorreu 65.000km. O abastecimento foi realizado em 65 cidades. Durante a viagem, diversos pontos de abastecimento de álcool foram inaugurados na rede Texaco. A viagem foi iniciada em São Paulo no dia 14 de julho de 1980, passando por outros estados da região Sudeste, além do Sul, Centro Oeste e Nordeste. Durante o percurso, os carros também utilizaram os óleos lubrificantes da empresa. O Passat 4 portas utilizado, pela ausência dos frisos laterais e a aparente falta de apoio de cabeça no banco traseiro, provavelmente era da versão LS.

Anúncios publicitários da caravana Texálcool, de julho e agosto de 1980. Fonte: Diário do Paraná e Jornal do Brasil
Anúncios publicitários da caravana Texálcool, de julho e agosto de 1980. Fonte: Diário do Paraná e Jornal do Brasil
O detalhe do Passat 4 portas utilizado na caravana Texálcool. Fonte: Diário do Paraná
O detalhe do Passat 4 portas utilizado na caravana Texálcool. Fonte: Diário do Paraná

A cada cidade visitada, uma manchete nos jornais locais. A matéria abaixo é do “Jornal de Caratinga”, cidade mineira distante pouco mais de 300km de Belo Horizonte. Segundo a matéria, a caravana passou inicialmente no dia 15 de julho, ou seja, no dia seguinte ao início de viagem, para abastecimento. E novamente no dia 25, no percurso de volta.

Jornal de Caratinga - 28 de julho de 1980
Jornal de Caratinga – 28 de julho de 1980

Pelas informações encontradas, a viagem completa levou cerca de 1 mês. Isso mostrou o uso severo de motores à álcool das quatro grandes montadoras do país naquela época. E mesmo sob essas condições, os carros completaram o percurso no tempo previsto. Após o fim da caravana Texálcool, a empresa aproveitou os bons resultados nas campanhas publicitárias de seus lubrificantes.

Anúncio de óleo Havoline em 1980, exaltando a eficiência do lubrificante em motores à álcool.
Anúncio de óleo Havoline em 1980, exaltando a eficiência do lubrificante em motores à álcool.

Os postos Texaco, muito presentes em todo o Brasil, acabaram virando história. Em 2008, a rede de postos foi adquirida pelo grupo Ultra. Com isso, gradativamente a bandeira destes postos foi trocada pela marca Ipiranga.

Volkswagen Does It Again

Agora vamos completar os posts da semana sobre vídeos com o Dasher. Após o crash test e um test drive, chegou a vez de dois comerciais veiculados nos EUA. O slogan “Volkswagen Does It Again” começou a ser utilizado provavelmente em 1978. Este slogan foi usado até o início dos anos 80.

Comercial do VW Dasher 1979

A característica marcante dos comerciais mostrados aqui é o seu direcionamento para pessoas de classes mais altas. Assim, a VW buscava os consumidores que queriam deixar seus carrões, partindo para modelos mais econômicos sem perder o conforto.

A comparação com modelos de luxo é bastante direta. Além de mostrar personagens de classes mais altas, visivelmente consumidores de modelos luxuosos e caros, outras marcas são citadas. No primeiro comercial, de 1978, ao ser questionada sobre porque escolher um Volkswagen Dasher Wagon, entre tantas outras opções de Station Wagons, a personagem diz que a Mercedes não vende uma assim. Já no segundo comercial, do Dasher 1979, o locutor diz ao senhor que se encaminha para seu carro que ele provavelmente dirige um Mercedes. Com a resposta negativa, a conversa continua, com o locutor perguntando então se o carro seria um “Rolls” ou um (Cadillac) Seville.

Vale ressaltar que, por lá o Passat, digo, o Dasher tinha um acabamento melhor que o das versões brasileiras. Os bancos eram mais confortáveis e havia a possibilidade de câmbio automático e ar-condicionado. Além disso, o Dasher possuía outras melhorias em relação aos nossos Passat. Fora isso, por lá o Dasher era considerado um carro pequeno e barato, diferente do que acontecia no Brasil.

Ambos os comerciais já fazem parte do canal do YouTube da Home-Page do Passat. Inscreva-se e seja informado automaticamente de todas as novidades.

Test Drive: Dasher 1974

Trazemos aqui mais um registro histórico interessante envolvendo o Dasher. Se ontem foi um crash test, dessa vez temos um test drive realizado em 1974. Na época do seu lançamento, o Dasher causou certa curiosidade no mercado norte-americano. Acostumados aos grandalhões e imponentes carros produzidos pela indústria local, em geral com motores de 6 ou 8 cilindros, o consumidor norte-americano começou a mudar um pouco o seu foco no início da década de 70, devido à crise do petróleo.

Test drive VW Dasher 1974

Os carros japoneses, menores e de motores mais compactos, começavam a ganhar cada vez mais espaço. Modelos da Honda, Datsun e Corolla eram cada vez mais frequentes nas ruas. As montadoras européias, que não faziam grande sucesso por lá, exceto por algumas marcas de maior apelo de luxo e esportividade, ou pelo Beetle, barato, prático e útil em qualquer lugar do mundo, também quiseram pegar carona com modelos de menor porte. Assim, o mercado dos EUA olhava com atenção para esse VW com motor dianteiro e refrigerado à água, que com o passar do tempo trouxe de carona outros modelos como o Rabbit e Scirocco.

O test drive tem cerca de 4:30 minutos, e apresenta inicialmente as características principais do Dasher. O narrador ressalta o motor e tração dianteiros, e diz que o modelo apresenta uma performance “melhor do que qualquer outro VW já produzido”. É possível notar que o capô é suspenso por um grande amortecedor, diferente da nossa tradicional vareta. A segurança também é apresentada, como os freios a disco dianteiros. O teste mostra um bom espaço de frenagem quando em linha reta. O baixo consumo para os padrões americanos também não é esquecido. O teste de estabilidade mostra um carro com boa distribuição de peso. As imagens do slalom e das curvas em alta velocidade são o ponto alto do vídeo. A conclusão é que “se você quer se divorciar dos carros grandes, sem dúvida vai querer casar com um Dasher”. Confira o vídeo:

Aproveitamos para convidá-lo a se inscrever em nosso canal do Youtube, e manter-se sempre atualizado quando publicarmos alguma novidade. Temos diversos comerciais, principalmente brasileiros, algumas matérias que foram exibidas na TV e também alguma variedade de material de outros países e até mesmo do “irmão” Audi 80. E vem mais alguma coisa por aí… Inscreva-se!

Crash Test: VW Dasher

O vídeo abaixo mostra algumas cenas que não são muito agradáveis, porém não deixam de ser um importante registro histórico: o crash test de um Dasher em 1979. O modelo, na versão vendida para os Estados Unidos e Canadá, semelhante a alguns já mostrados aqui no blog (como este aqui) foi avaliado quanto ao impacto traseiro. A entidade responsável pelo teste foi a NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration), uma agência do governo norte-americano ligada ao Departamento de Transportes, que determina padrões de segurança veiculares, entre outras atividades.

Crash test VW Dasher 1979

A velocidade utilizada pela barreira móvel no teste é de 30 milhas por hora, o equivalente a cerca de 50 km/h, contra o carro parado. O estado do carro após o impacto impressiona, e através dos resultados é possível prever diversos pontos do veículos que podem ocasionar lesões mais sérias aos seus ocupantes ou mesmo efeitos colaterais da colisão, como o vazamento de combustível.

Este vídeo é um material raro de se obter no Brasil, portanto vale a pena observar o que acontecia na versão vendida nos EUA.

Para inglês ver

Este vídeo mostrando um Passat 4 portas 1975 da versão básica é um belo achado do amigo Fabiano Araújo no YouTube! O vídeo é da KGF Classic Cars, uma empresa inglesa especializada na venda de carros antigos na cidade de Peterborough, que fica a pouco mais de 100km de Londres.

A duração é de apenas 3 minutos e meio, mas já é o suficiente pra deixar qualquer apaixonado por Passat babando.  Os detalhes mostrados e o estado de conservação impressionam e é possível ver algumas diferenças entre o modelo produzido na Europa e o nosso. Um deles é a polaina plástica para os pára-choques, adotados por lá exatamente em 1975. A falta de frisos laterais na carroceria deixam o modelo básico com visual bem limpo. Os vidros laterais possuem frisos pintados de preto, como inicialmente foram lançados nos nossos Surf. Antes disso, a prática de retirar os cromados já era utilizada no Brasil em alguns modelos Standard, casos por exemplo do TL, Variant e Opala, que possuíam as borrachas de vidro sem o encaixe para os frisos. Ao contrário dos vidros laterais, o pára-brisa e vidro traseiro possuem um friso cromado.

No interior, simples porém belos bancos sem encosto de cabeça em tons de bege. O interior não é monocromático, já que painel, console e outros itens são pretos. O painel não possui o relógio, como também acontecia com nossos Passat de versões mais básicas por aqui. Além disso, sempre é curioso para nós brasileiros ver o volante do lado direito (assim como retrovisor apenas deste lado, também preto, evidenciando ainda mais a quase ausência de cromados). O interruptor dos faróis muda de lado neste caso. Volante e comando de seta também apresentam diferenças para o modelo brasileiro. Também não há friso na soleira das portas, ao contrário de versões mais luxuosas.

No canal do YouTube da loja é possível encontrar outros clássicos interessantes, como um Talbot Avenger SW (nosso Dodge Polara, que lá foi produzido inicialmente sob a chancela Hillman, antes de se tornar Talbot). Outros modelos típicos do mercado do Reino Unido também podem ser apreciados, como as primeiras gerações do Ford Escort, além dos Ford Cortina, Capri e Granada, Triumph, Mini Cooper, Jaguar, o curioso Reliant Rialto de 3 rodas (da mesma montadora que produzia o Robin, que ficou famoso por aqui no seriado Mr. Bean, quando fatalmente acabava tombando em algum momento), um Vanden Plas Princess quase desconhecido no Brasil e muitos outros. É um canal pra quem gosta de carros antigos em geral e vai gastar horas apreciando os exemplares impecavelmente conservados.

28 anos do último Passat

Dia 2 de dezembro de 1988… Ayrton Senna conquistara há pouco mais de 1 mês o seu primeiro título mundial de F-1, o Bahia se encaminhava para seu segundo título brasileiro no futebol, a nova Constituição brasileira havia sido promulgada (e o Sarney ainda era presidente), o Bateau Mouche ainda era uma embarcação desconhecida e ativa, falar em um telefone móvel era coisa de filme. São 28 anos de fatos históricos e profundas mudanças no país e no mundo. Sem a menor intenção de fazer comparações, mas um desses fatos até hoje mexe com os leitores da Home-Page do Passat: neste dia, aproximadamente às 11:30, o último Passat deixava a linha de montagem.

Capa e páginas internas da Quatro Rodas de abril de 1988, já anunciando que o fim do Passat estava próximo.
Capa e páginas internas da Quatro Rodas de abril de 1988, já anunciando que o fim do Passat estava próximo.

Não é todo carro que sai de linha deixando tantas saudades. A edição de abril de 1988 da revista Quatro Rodas já comentava o esperado fim em sua capa: “O Passat resiste”. E complementava: “Ameaçado de sair de linha, continua melhor e mais barato que Gol e Voyage”. E em suas páginas internas, lamentava: “Querem acabar com ele. Pode?”. Não apenas a revista lamentava, como foi um dos únicos modelos a merecer uma matéria no Jornal Nacional anunciando seu fim. Os dois últimos Passat produzidos, ambos GTS Pointer, um prata e um vermelho, foram mostrados ainda na linha de montagem enquanto o repórter falava das características do carro.

Reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, informava o fim da produção do Passat. Fonte: CEDOC / TV Globo
Reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, informava o fim da produção do Passat. Fonte: CEDOC / TV Globo

São 28 anos de saudades em que o Passat passou da fase de ser mais um carro fora de linha e já se transformou em um veículo antigo. Infelizmente nesse período muitos exemplares se perderam, seja por acidentes, roubos ou por falta de cuidados. A frota estimada de 600.000 Passat ainda em circulação na matéria do Jornal Nacional há 28 anos certamente foi bastante reduzida. Mas ainda temos uma legião de admiradores se esforçando pra manter os Passat remanescentes nas melhores condições possíveis.

Faça chuva ou faça sol

Um dos maiores prazeres para o dono de um carro antigo é poder sair com ele. Nem que seja para uma voltinha pelo bairro… Melhor ainda é quando esta voltinha dura algumas centenas de km! Sei que entre os visitantes do site, boa parte é adepta de colocar o Passat na estrada e curtir com a família e amigos pelo menos um dia de diversão a bordo de seus “velhinhos”, que são tratados com extremo carinho, mas não recusam um passeio nem com tempo ruim.

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No último dia 15 a Home-Page do Passat esteve presente em São Paulo,  a convite da Volkswagen do Brasil, para um evento promovido pela montadora no Salão do Automóvel. Foram mais de 200 VW de diversas épocas, modelos e estilos, que agradaram todo o tipo de entusiasta de automóveis e ficaram em exposição em duas áreas do São Paulo Expo. Estes veículos foram selecionados através de convites a sites e clubes especializados na marca, como o Santana Fahrer Club, Quadrados Perfeitos, Fusca Clube ABC, entre outros. A Home-Page do Passat recebeu com muita honra esse convite  e selecionou alguns Passat para participar. A cobertura você já tem aqui mesmo, desde o último dia 17.

Cabe aqui a observação de que a Volkswagen surpreendeu positivamente ao fazer o que poucas montadoras fazem no Brasil: dar valor aos proprietários dos veículos antigos da marca, que não apenas levam com eles uma pequena amostra da história da montadora e dão exemplo da durabilidade de seus produtos quando bem tratados, como também muitas vezes acabam sendo consumidores de seus produtos atuais.

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Entre os participantes convidados pelos sites e clubes responsáveis, estavam não apenas moradores de São Paulo e interior, mas também de outros estados, que enfrentaram o péssimo tempo dos dias anteriores ao evento para estarem presentes, sem desanimar. E o Passat Clube – RJ preparou um vídeo mostrando um pouco de como foi uma destas viagens. Na ida, contando com um LSE 1980, LSE “Iraque” 1986 e Village 1987. E na volta, já com a companhia também de um LS 79/80 de um dos sócios que havia aproveitado o final de semana para viajar mais cedo e curtir o interior do estado, chegando a enfrentar até mesmo uma inesperada chuva de granizo, felizmente sem nenhuma consequência. Confira abaixo:

 

Passat 5 portas: um raro registro

Passat 5 portas 1978Foto de divulgação de época da Volkswagen do Brasil, mostrando um raro Passat 5 portas. Como já falamos aqui na Home-Page do Passat em outras ocasiões, essa configuração era destinada exclusivamente para exportação. Algumas poucas unidades acabaram ficando por aqui, quase sempre dos modelos 1980 ou 1981.

É interessante notar os detalhes da unidade da foto. O volante nos leva a crer que seja um modelo de 1978. Os bancos dianteiros sem encosto de cabeça já não eram comuns nessa época. Além disso, a foto nos mostra lanternas “tipo exportação”, como os anúncios de lojas de acessórios chamavam na época, com a seta âmbar como passaram a ser no mercado interno a partir de 1981. Não sei se é apenas a impressão que a foto em preto e branco causa, mas parece que a forração das portas é toda do mesmo material, não possuindo a parte inferior de buclê como era comum. Pra qual país teria sido destinado?

O Passat vem aí!

O lançamento do Passat no Brasil talvez tenha sido um dos mais aguardados e previamente noticiados pela imprensa no país. Não apenas a imprensa especializada, que se resumia a poucas publicações em comparação com as opções que temos atualmente, mas a imprensa de uma maneira geral. Jornais de pequena e grande circulação e revistas como O Cruzeiro traziam, com alguma frequência, novidades sobre o Passat, como impressões vindas da Europa e o seu desenvolvimento e testes pela VW do Brasil.

Para combater o tão aguardado VW que figuraria na mesma faixa do Corcel, a Ford, então, se preparou. Nesta época, o Corcel já enfrentava o Chevette como seu principal concorrente. Pelo lado da VW, o TL não fazia frente ao Corcel, de concepção mais moderna. Porém, o lançamento do Passat já vinha sendo anunciado há bastante tempo e causava grande expectativa entre o público consumidor.

Quatro Rodas nº 166 - Maio de 1974
Quatro Rodas nº 166 – Maio de 1974

A Ford, então, se viu obrigada a encontrar uma alternativa para evitar que a euforia pelo lançamento do Passat viesse a enfraquecer as vendas do Corcel. A solução encontrada foi adiantar o lançamento da linha 1975, que trazia entre as principais novidades as alterações no desenho do capô, com seu extremo dianteiro mais baixo que o modelo até 1974, desenho da grade, tampa do porta-malas, lanternas e detalhes como os emblemas em manuscrito. No interior, o novo desenho do estofamento e painel eram as principais novidades.

vemai02Com a apresentação do Passat marcada para o dia 21 de junho, e vendas iniciando nas primeiras semanas de julho, a Ford anuncia o início das vendas do Corcel 75 para o dia 29 de junho de 1974. O modelo já vinha sendo produzido desde abril.

Como forma de contra-atacar, ainda no mês de junho a Volkswagen começa a veicular em grandes jornais de circulação nacional alguns anúncios, sem qualquer tipo de imagem além do próprio emblema da montadora, lembrando o público que no mês seguinte a grande novidade do mercado naquele ano estaria nas concessionárias. “Espere agora para não chorar depois. Em julho o Passat vem aí.”, era um dos anúncios da VW que aconselhava o consumidor a não ficar afoito pelo lançamento da nova linha Corcel e aguardar mais alguns dias pelo lançamento do Passat.

vemai01Se alguém naquela época mudou de idéia por conta das propagandas, não sabemos. Passat e Corcel competiram entre si por mais de 10 anos, como já conhecemos, até serem substituídos pela força do mercado e a chegada de modelos mais modernos, como é de praxe, deixando cada um a sua legião de fãs. Mas fica o registro histórico destes dias que antecederam a chegada do Passat nas concessionárias.

Treta em São Roque

As fotos deste post foram feitas durante o XIII Encontro de Automóveis Antigos de São Roque e enviadas há bastante tempo por um amigo, que prefiro não revelar o nome pra que ele não ouça nenhuma reclamação. Antes de tudo, vale lembrar mais uma vez que as críticas da área “Placa Treta” neste blog não são pessoais ou menos ainda sobre a aparência do carro. Elas são, sempre, direcionadas a incompatibilidade de uma placa que exige um Certificado de Originalidade em um carro que não possui tais características. Algo que nos faz ter toda a justificativa pra duvidar dos procedimentos adotados e dos critérios utilizados pra receber o tal certificado. E se você tem dúvidas com relação a esse assunto, o convido a ler o artigo Placa Preta em nosso site.

tretasaoroque01Dito isso, nos resta mostrar algumas imagens do Passat LS 1975 que esteve presente ao evento. Um Passat que merece respeito por estar entre os primeiros produzidos, porém com alterações e problemas de conservação que o impediriam de obter o Certificado de Originalidade por um clube sério. A primeira vista, seria apenas um Passat original cujas rodas foram trocadas pelas BBS. O que já impediria a obtenção das placas pretas, mas seria de fácil solução. Porém ao examinar de perto, o painel dos Passat pós-85 e o volante da linha Gol mais moderna mostram que a solução não é tão simples. O tapete “Bagassat” sim seria de fácil solução.

Ao examinar melhor o carro, é fácil notar uma área de extensa ferrugem na parte traseira, onde um par de lanternas desbotadas também salta aos olhos, o que vai contra os princípios de que não bastaria o carro ser original, mas também estar em bom estado de conservação geral. E como já li muita justificativa no mínimo estranha, vale ressaltar que carros em processo de restauração ainda não estariam aptos a receber as placas de coleção. Todos os pontos citados aqui podem ser corrigidos. E mais uma vez: a Home-Page do Passat não é contra os Passat modificados ou mesmo contra os Passat enferrujados (tenho algumas boas ferrugens me aguardando na garagem). Mas combatemos a placa preta onde ela não deveria estar, para dar seriedade ao antigomobilismo brasileiro. Um carro de placa preta não pode ser considerado melhor que outro de placa cinza, apenas pela cor de sua placa. Mas indica que ele atende os critérios de originalidade e segurança da época em que foi produzido. E não deveria ser usado como símbolo de status.

Painel dos modelos a partir de 1985 e volante da linha Gol. Critérios difíceis de justificar.
Painel dos modelos a partir de 1985 e volante da linha Gol. Critérios difíceis de justificar.

É um caso grave, e o que preocupa é ver cada vez mais que as pessoas estão desinformadas quanto ao significado da placa preta e também sobre a resolução que a regulamenta. Uma das frases que mais tenho lido a esse respeito nos últimos tempos (“Com as novas placas do Mercosul, a placa preta vai acabar”) prova como há uma profunda desinformação, mesmo que uma simples pesquisa no Google possa responder a tudo isso. Claro que as placas com a cor preta vão acabar, mas a placa de colecionador continuará existindo e os benefícios também continuarão. Sem contar com o percentual relativamente alto de pessoas que podem jurar que os veículos de coleção estariam impedidos de circular normalmente durante a semana, sendo vedada sua circulação aos dias de eventos. E acredito, sim, que em alguns casos o proprietário do veículo, que pode ser o caso deste, também não conheça esses princípios e acabe sendo levado pela lábia dos vendedores de placa preta. Um status absolutamente desnecessário.

Ferrugem generalizada no painel traseiro, rodas BBS e detalhes que não caracterizam um carro como apto a receber o certificado de originalidade.
Ferrugem generalizada no painel traseiro, rodas BBS e detalhes que não caracterizam um carro como apto a receber o certificado de originalidade.

Em complemento a isso, noto um súbito aumento nos últimos meses de anúncios de vendedores de placa preta, geralmente ao valor de R$800 e ligados a uma única entidade, que raramente é revelada aos interessados. Anúncios patrocinados em redes sociais, inclusive. Ora, a resolução 56/98 do Contran, que estabelece os critérios para os veículos de coleção, é objetiva ao afirmar em seu artigo IV, parágrafo 2º, que “A entidade de que trata o parágrafo anterior será pessoa jurídica, sem fins lucrativos, e instituída para a promoção da conservação de automóveis antigos e para a divulgação dessa atividade cultural, de comprovada atuação nesse setor, respondendo pela legitimidade do Certificado que expedir.”

Como acreditar que alguém que paga por um anúncio para venda de Certificados de Originalidade não tem fins lucrativos? Principalmente quando cobram valores maiores do que o de clubes sérios que já realizam esse trabalho. Recentemente, após tirar algumas dúvidas sobre os procedimentos, perguntei a um desses vendedores, de maneira educada, se ele recebia algum dinheiro por representar uma entidade bem conhecida no país e que faz vistoria por fotos. Como resposta, minha pergunta foi apagada e meu perfil bloqueado para fazer novos comentários. Enquanto nada for feito a esse respeito, continuaremos a ver tais anúncios de “sonhos”, vistorias de carros por fotos e vídeos ou em lanchonetes, entre um hambúrguer e uma Coca-Cola, como vem acontecendo, entre outras bizarrices.

Se você respeita e ama o antigomobilismo e quer vistoriar seu antigo para obter o Certificado de Originalidade, procure um clube sério. Não procure ninguém que anuncie seus serviços de aquisição de placa preta. Se você gerencia uma página no Facebook sobre carros, ou um site, uma publicação de qualquer tipo, evite dar publicidade positiva a carros assim, ou dar prêmios em eventos, por mais bonitos que sejam. Você só estará incentivando que outras pessoas busquem o mesmo caminho.

Ao proprietário do Passat do post, o espaço está aberto caso queira se manifestar (educadamente, é claro) sobre o episódio, falar sobre o clube que emitiu o certificado e tudo o mais que julgar necessário. Como sempre está, aliás, a todos os proprietários de Passat que aparecem na área de Placa Treta.

Quem diria…

Uma curiosa situação de quase 50 anos atrás me mostra o amigo Hugo Bueno, um grande pesquisador da história dos carros brasileiros e dono da Kombi mais linda que conheço (entre outros carros fantásticos). Interessante a ponto de merecer uma alteração no nosso artigo da área Antepassados, que será feita em breve. No longínquo 15 de julho de 1970, o “Caderno de Automóveis e Turismo” do Jornal do Brasil publicou em sua capa uma foto do Volkswagen K70, com um pequeno texto sobre o então recente modelo da montadora alemã, citando ser um modelo médio com tração dianteira.

Nota sobre o K70 no Jornal do Brasil do dia 15 de julho de 1970.
Nota sobre o K70 no Jornal do Brasil do dia 15 de julho de 1970.

A edição seguinte do mesmo caderno, publicada no dia 22 de julho, acabou trazendo uma matéria que ocupava toda a primeira página e detalhava o K70. No novo texto foi revelado o motor dianteiro refrigerado a água e demais características “anti-VW”, como muito seria ouvido anos mais tarde no lançamento do Passat por aqui. Nada mais natural, já que a VW sempre bateu na tecla da robustez e confiabilidade dos seu motores refrigerados a ar para convencer o público consumidor a comprar seus produtos. E a Volkswagen estava certa. Até hoje os Fuscas e derivados são aclamados, com toda justiça, por sua confiabilidade e simplicidade mecânica. E isso era ainda mais justificável se levarmos em conta os problemas comuns de refrigeração que modelos de outras marcas sofriam, principalmente nas décadas anteriores. Aqui no Rio de Janeiro, quem viveu aquela época conta que era muito comum subir a serra de Petrópolis e ver vários carros, principalmente os produzidos até os anos 60, parados no acostamento, com o capô aberto e o inconfundível vapor saindo do radiador. Isso sem falar de outros problemas comuns. Mas a tendência natural é que a indústria evolua, e aos poucos os carros refrigerados a água tiveram esses (e outros) problemas minimizados.

Matéria detalhada publicado pela mesmo jornal no dia 22 de julho de 1970.
Matéria detalhada publicado pela mesmo jornal no dia 22 de julho de 1970.

A Cia. Santo Amaro de Automóveis, uma das maiores e mais famosas revendedoras Ford que o Rio de Janeiro já teve, acabou usando a matéria sobre a concorrência para tirar vantagem. Num ato que nos anos 70 poderiam classificar como pura gaiatice, publicou na edição do dia 2 de agosto do mesmo jornal um anúncio onde constava um recorte da primeira matéria e o bem humorado título “Quem diria”. O texto, logo abaixo da foto do K70, dizia que “A princípio pensamos que era brincadeira. Mas quem publicou a matéria é um jornal muito sério pra brincar com coisas assim.” Em seguida, comentava as duas matérias publicadas sobre o novo Volkswagen, citando ser um carro de motor e tração dianteiros, refrigerado a água e motor com 5 mancais.

Anúncio da Cia. Santo Amaro (Jornal do Brasil, 2 de agosto de 1970)
Anúncio da Cia. Santo Amaro (Jornal do Brasil, 2 de agosto de 1970)

E observava: “A Volkswagen acabou adotando as características principais do nosso Corcel, que já tem 2 anos e mais de 70 mil possuidores. O Corcel vem provando há mais de dois anos que tração e motor dianteiros, atuando diretamente sobre as rodas, aumentam a estabilidade, principalmente nas curvas e em alta velocidade.” A conclusão era que “o mundo está indo para a frente. Não fique atrás. Compre Corcel.”

É, Volkswagen… Às vezes é bom reconhecer os bons argumentos da concorrência. Quem diria!

Passat TS na Nigéria

nigeria_ts600pxUm curioso folder do Passat TS na Nigéria é o tema do post de hoje no blog. Segundo o site The Samba, o ano seria 1985. Porém, aqui no Brasil o Passat recebeu diversas mudanças na linha 85. É de notório conhecimento que estes modelos atualizados foram enviados para a Nigéria. Portanto, não podemos atestar que o ano informado está correto.

Uma das diferenças mais marcantes é uso da sigla TS após 1982, o último ano da versão no Brasil. Destacamos também a grade, pára-choques e polainas na cor do carro. Já a carroceria de 4 portas nunca oferecida nas versões esportivas do Passat brasileiro. Além disso, possuía o retrovisor simples como os usados no Passat Special na mesma época, além do aerofólio na tampa traseira, que aparece discretamente na foto.

O folder informa entretanto, nos equipamentos de série, que a grade do radiador era preta e os pára-choques cromados, assim como os modelos vendidos no Brasil. Pesquisamos, mas não conseguimos determinar se o folder está errado ou se a possibilidade dessas peças na cor da carroceria eram opcionais. Além disso, pelos dados informados no folder, o modelo da Nigéria usava o nosso conhecido motor MD-270. O painel e o console eram iguais aos dos nossos TS/GTS Pointer até 1984. O ar-condicionado era de série.

Se você tem maiores informações a respeito dessa versão nigeriana do Passat TS, entre em contato! Ajude a solucionar essas dúvidas!

Passat GTS Pointer 1984: sonho realizado!

Passat GTS Pointer 1984Se aqui na Home-Page do Passat nos preocupamos em registrar algumas péssimas condutas relacionadas a emissão irregular do Certificado de Originalidade de alguns Passat, para que as pessoas se conscientizem do seu verdadeiro objetivo, é claro que não podemos deixar também de registrar o lado certo de tudo isso. E como é bom ver um dos modelos de Passat mais bonitos já produzidos, e de extrema conservação e originalidade, sendo emplacado e reconhecido oficialmente, com todo o merecimento, como um veículo de coleção!

O incrível Passat GTS Pointer 1984 das fotos pertence ao Alisson Basei, da cidade de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. O carro foi vistoriado pelo Antigos de Garagem Car Club, de Joinville, filiado à FBVA, cujo ótimo trabalho também deixamos registrado.

Passat GTS Pointer 1984

Um carro como este e o trabalho de proprietários como o Alisson para mantê-los na mais perfeita ordem reforçam cada vez mais a imagem do Passat como veículo antigo e merece todas as nossas homenagens!

Jóia da Finlândia

Passat LS 1.3 1974Dessas coisas que aparecem de vez em nunca na vida, tanto aqui quanto em qualquer lugar do mundo… O belíssimo Passat das fotos é um LS 1974 com a mecânica 1.3 que nunca tivemos aqui, mas foi usada também no Audi 80 que usava a mesma plataforma.

Passat LS 1.3 1974Essa pequena jóia está na Finlândia e teve as fotos publicadas no Facebook. Trocou de dono recentemente, tendo sido do primeiro proprietário até então. Segundo o novo (e certamente muito feliz) dono, este Passat nunca sofreu qualquer restauração de lataria, mantendo sua pintura original de fábrica, assim como o pára-brisa, e sempre teve sua manutenção realizada na mesma concessionária. E nem vou me dar ao trabalho de comentar o interior claro, com bancos de encosto baixo.

Difícil não querer um assim na garagem…

Pra lá de Bagdá… Levantamento de peso!

iraque_porcimaHá imagens que, sinceramente, nenhuma legenda é capaz de explicar. E boa parte das imagens que vejo dos Passat no Iraque são assim. Muitas vezes fica algo um tanto difícil de compreender.

Arrisco que seja algum treinamento militar, digamos, não muito convencional. Alguém arrisca outra coisa?