Decepção

Placa treta: Passat LSE 1986Um exemplo de placa preta que entristece e decepciona, vindo de um carro que é bastante conhecido, que faz parte de uma coleção ainda mais conhecida e que não precisava recorrer a esse tipo de coisa em busca de um status inexistente. Como a política da Home-Page do Passat é a de combater as “placas tretas”, não poderíamos fechar os olhos e ignorar um Passat que inclusive era até poucos minutos atrás objeto de uma matéria na área de artigos, mas que preferimos retirar do ar após este episódio.
Como cinco dias após ter sido perguntado no post original, não houve resposta sobre o clube que emitiu o Certificado de Originalidade, a única alternativa encontrada foi a de retirar a matéria do ar. O Passat em questão apresenta não apenas a troca das rodas, mas também o motor AP (lembrando que o original era o MD-270) bem preparado, além do câmbio de 5 marchas. Isso pra não citar outras alterações de menor impacto.
Muitos podem recorrer a velha frase “Ah, mas na legislação não existem essas regras!”. Correto, não existem as tais regras. A alteração de motor, câmbio e rodas fora de época foram criadas pela FBVA e um clube que não seja federado usa suas próprias regras. Mas a lei fala claramente de “conservar suas características originais de fabricação”. Então, deve existir bom senso, o que não foi visto nesse caso. Já fui obrigado a ler pérolas como “Então nenhum carro deve receber placas pretas, porque todos eles já foram reformados, então não são mais originais!”. Por favor… Em momento algum “características originais de fabricação” significam que não se pode restaurar um carro. Seria a coisa mais contraditória possível em uma legislação que visa preservar os veículos antigos. Outra pérola que ouvi em outros casos é “Ah, mas o dono é gente boa…”. Lamento, mas clubes de veículos antigos não estão autorizados a emitir Certificados de Simpatia para emissão de placas pretas pelo Detran dos estados.
Vamos lá, mais uma vez, como em outros posts sobre o assunto: o carro em questão é lindo, não há dúvidas. Mas o certificado não é de beleza, e sim de originalidade. Então não há muito o que se discutir. E é uma pena que ele apareça, depois de tanto tempo, na área de “placas tretas” deste blog.

Acende o farol, acende o farol!

Farol baixo nas estradasFoi publicada hoje no Diário Oficial da União a Lei 13.290, que trata de uma alteração simples, porém que envolverá uma mudança de hábito no motorista brasileiro: os veículos deverão trafegar de faróis baixos acesos nas rodovias, mesmo durante o dia. A obrigatoriedade começa a valer no dia 7 de junho. O projeto de lei, de autoria do deputado Rubens Bueno (PPS-PR) que datava de 2013 e apenas em setembro de 2015 foi aprovada na Câmara dos Deputados, e no final de abril deste ano pelo Senado, visa aumentar a segurança nas estradas brasileiras. Andar de faróis acesos durante o dia não é novidade e nem será exclusividade brasileira, já que em diversos países isso é uma realidade antiga. No Brasil, alguns carros saem atualmente equipados com a luz diurna, acesa enquanto o veículo está em funcionamento, mas que não vale como farol baixo.

Um estudo realizado nos Estados Unidos pela National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), concluiu que o uso dos faróis baixos durante o dia reduziu em 5% o índice de colisão entre carros e em 12% o acidente entre veículos e pedestres/ciclistas. Outros estudos pelo mundo também comprovaram a eficácia da medida. Porém, é claro que cada país tem suas condições climáticas que alteram a visibilidade nas estradas, e um estudo do caso no Brasil seria ideal pra verificar se a medida seria de fato eficaz ou se é apenas mais uma alteração de lei entre tantas que temos por aqui. Ressaltamos que o descumprimento da obrigatoriedade está sujeito a multa de R$85,13, com perda de 4 pontos na carteira.

Aproveitamos pra lembrar que o uso de faróis de neblina durante o dia não tem o mesmo efeito, além de ser proibido em condições climáticas favoráveis. Segundo o Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro, as luzes de neblina devem ser usadas em caso de chuva forte, nuvens de pó e (acreditem se quiser)… neblina! Portanto, vale a frase que usamos aqui há muito tempo: farol não é brinquedo e carro não é árvore de Natal. Use as luzes corretamente. Nesse caso, tanto a falta quanto o excesso podem provocar acidentes, portanto tente sempre ser um motorista melhor do que você acredita que é. E como dizia o Tim Maia: “Acende o farol!”.

Personalização de placas em SP: o que muda?

placaemspNos últimos dias muito tem sido falado sobre o projeto de lei aprovado no estado de São Paulo e que entrou em vigor no último dia 3 de maio. Este projeto previa, entre outras alterações na antiga Lei 15266/2013, a possibilidade da personalização das placas dos veículos, que era possível tempos atrás, mas que já há algum tempo não estava mais disponível. O proprietário poderia, no máximo, escolher a combinação de sua placa entre 20 possibilidades aleatórias geradas pelo sistema do Detran-SP. Agora é possível novamente escolher uma combinação que esteja disponível e dentro dos prefixos destinados ao estado, que vão de BGA-0001 até GKI-9999. A lei 16080/2015 foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo no dia 28 de dezembro de 2015 e é possível acessá-la através deste link.

A publicação da lei tem sido comemorada por muitos como uma vitória também dos antigomobilistas, que poderiam escolher a placa de seus carros, usando o ano de fabricação por exemplo. Mas como essa nova lei influencia os donos de veículos antigos no estado de São Paulo? É melhor se conter, pois para os donos de antigos quase nada vai mudar. A escolha de uma nova placa está prevista apenas para veículos 0km que ainda não foram emplacados e, para os antigos, é possível apenas escolher a combinação caso o veículo esteja passando da antiga placa amarela para a nova placa de três alfas. Para todos os demais veículos já devidamente registrados com placas de três alfas, sejam novos ou antigos, nada muda. Ou seja: se o seu carro já tem placa cinza ou preta, conforme-se: ele continuará com a mesma combinação por muito tempo, ou até que ela seja alterada por um novo padrão de placas, como a que deve vigorar a partir de 2017 (apesar de haver algumas informações não confirmadas de que os veículos já emplacados manterão sua combinação de letras e números, porém no novo padrão de cores e formato das placas).

É importante ressaltar que, mais do que um aparente simples capricho, a escolha da numeração da placa, ou pelo menos o seu dígito final, pode ser muito importante para quem mora na capital paulista, por conta do rodízio. Daí a lei ter sido naturalmente pensada para quem vai registrar um veículo novo, que será colocado em uso no dia a dia.

Aviso importante: Fórum fora do ar

Amigos, cumpro o dever de informar aos usuários que o nosso fórum ficará fora do ar por tempo indeterminado, a partir das próximas horas. O alto custo de renovação do serviço aliado a baixa utilização do mesmo são os motivos que levaram a esta decisão. Foram quase 10 anos de funcionamento, cerca de 5.000 usuários cadastrados e pouco mais de 270.000 tópicos criados… Mas o tempo passa e os ambientes virtuais mudam. O próprio Facebook contribuiu bastante para a menor utilização de fóruns em geral, não apenas o nosso.

forum2007_450pxApesar de tudo, a decisão não é definitiva. Os devidos back-ups estão sendo realizados para que, caso seja viável, futuramente o fórum possa ser reativado. E, caso isso ocorra, a idéia é que voltem os antigos tópicos, os mesmos cadastros de usuários, etc.

Peço desculpas por informar isso em cima da hora e certamente pegar muitos usuários de surpresa. Peço também que entendam que, no momento, a decisão está tomada. E aproveito pra agradecer a cada usuário que contribuiu com o fórum ao longo desses anos e a cada amigo que fiz no mundo virtual e que se tornou real. Foram muitos bons momentos, outros nem tanto (mas que fazem parte de qualquer ambiente), muitos Passat que acompanhamos a história, muitas dúvidas solucionadas… Valeu a pena todo esse tempo. E quem sabe não seja o fim dessa área da Home-Page do Passat? O tempo dirá.

Todo o restante da Home-Page do Passat, claro, continua como antes. Inclusive a área de interação atual no Facebook.

Os premiados de Águas de Lindóia

O 3º Encontro Brasileiro de Autos Antigos, ou simplesmente “o encontro de Águas de Lindóia” como já ficou mais do que caracterizado pelos visitantes, seja lá que nome receba este evento ao longo dos últimos anos, foi bastante especial para os admiradores do Passat. Foram cerca de 700 veículos participantes e, apesar de diversos exemplares na área de venda de antigos e também nos arredores do evento, apenas dois Passat estiveram na área de exposição, carregando a dura missão de representar a linha que vendeu aproximadamente 640 mil unidades ao longe de seus 14 anos de produção. E a missão foi cumprida com louvor: em um dos eventos mais importantes do Brasil, ambos foram premiados e levaram na bagagem troféus de destaque em suas categorias.

Reinaldo Rodrigues Neto recebendo o prêmio de destaque pelo seu LS 1978. Créditos da foto: portal Maxicar
Reinaldo Rodrigues Neto recebendo o prêmio de destaque pelo seu LS 1978. Créditos da foto: Portal Maxicar

Na categoria “Disco”, que englobava os veículos produzidos entre 1973 e 1981 e premiou 11 carros, o Passat LS 1978 de propriedade de Reinaldo Rodrigues Neto, sócio do Passat Clube Curitiba, levou pra casa um troféu. Já na categoria “Nova República”, que premiou quatro veículos produzidos entre 1982 e 1986, um dos premiados foi o Passat LSE “Iraque” 1986, do Bruno Lara, sócio do Passat Clube – RJ. Os dois carros apresentavam alto índice de originalidade, portando inclusive as placas pretas (item obrigatório na edição deste ano para a participação de carros entre 1980 e 1986), além de estarem impecavelmente conservados. Os troféus foram entregues por ninguém menos do que Wilson Fittipaldi Jr., lendário piloto e um dos maiores nomes do automobilismo brasileiro.

Bruno Lara recebendo o troféu de destaque pelo seu LSE "Iraque" 1986. Créditos da foto: Portal Maxicar.
Bruno Lara recebendo o troféu de destaque pelo seu LSE “Iraque” 1986. Créditos da foto: Portal Maxicar.

A Home-Page do Passat dá os parabéns aos dois proprietários e também aos clubes que eles fazem parte. Os donos de Passat foram muito bem representados em Águas de Lindóia! Aguardem em breve a nossa cobertura do evento.

Cidadão do Mundo: Champagne Edition

Dasher Champagne Edition 1977Uma versão bem interessante que esteve a venda recentemente no Ebay é este Champagne Edition. O carro, emplacado no estado da Georgia, tem o charme da pintura original com a pátina do tempo e foi anunciado por um colecionador que possui outros VW na garagem. O prazo do leilão terminou e o carro foi vendido, mas infelizmente não deu tempo de saber qual foi o valor final.

VW Dasher Champagne Edition 1977VW Dasher Champagne Edition 1977A linha Champagne Edition foi vendida em 1977 e, segundo a própria literatura da Volkswagen na época, foi lançada pra comemorar a produção de 1 milhão de Rabbits (o nosso conhecido Golf). Por conta disso, foi lançada nos EUA não apenas o Rabbit Champagne Edition, mas também outros quatro modelos: Dasher, Scirocco, Beetle e Bus (Kombi). Cada modelo tinha suas características exclusivas, fazendo com que a série fosse realmente algo diferente quando comparada aos modelos normais de linha. O sucesso foi tanto que em 1978 a VW lançou nos EUA a série “Champagne Edition II”. Os mesmos modelos foram oferecidos, porém com mais opções de versões. O Dasher, por exemplo, vendido na primeira edição apenas na versão 3 portas, na segunda edição também foi oferecido nas versões 5 portas e wagon.

VW Dasher Champagne Edition 1977
Características do modelo anunciado: teto solar e estofamento original
Imagem do material publicitário da época da linha Champagne Edition
Imagem do material publicitário da época da linha Champagne Edition

O Dasher Champagne Edition era produzido na cor Turmaline Metallic, com um belo estofamento cinza. Alguns equipamentos vinham de série nesta versão, como o câmbio automático, ar-condicionado, vidros verdes e o teto de solar de metal.

Ano Mundial do Antigomobilismo

Logo FIVA - Fédération Internationale des Véhicules Anciens

A FBVA informa: “A Federação Internacional de Veículos Antigos (FIVA) tem o prazer de anunciar que a UNESCO concedeu oficialmente o patrocínio ao Ano Mundial da Antigomobilismo (Ano Mundial da Herança Automotiva) 2016, provendo assim endosso moral e suporte ao excepcional programa da FIVA.

A Diretora Geral da UNESCO, Sra. Irina Bokova, parabenizou a FIVA pela iniciativa de celebrar o Ano Mundial do Antigomobilismo, por promover a preservação de veículos históricos e mostrar a tecnologia de época às futuras gerações.

A Sra. Bokova salientou que a FIVA ajudou a valorizar a historia da motorização e incrementar o intercambio cultural entre os 64 paises onde a entidade é representada. Também destacou que as atividades de celebração do 50º aniversário da fundação da FIVA, comemorado em 2016, contribuem ao desenvolvimento social, cultural cientifico e técnico da humanidade.

A Federação está planejando uma série de atividades e iniciativas para celebrar o Ano Mundial do Antigomobilismo, muitas dos quais prosseguirão além de 2016. Este ano, as comemorações culminarão com uma semana de festividades em Paris, cidade natal da FIVA.”

 

Ignição Prematronic

prematronicUm anúncio bem interessante é este do módulo de ignição Prematronic, de maio de 1976 (revista Quatro Rodas). Saudosistas ou não, devemos admtir que a dupla platinado e condensador sempre pode nos pregar algumas peças quando a gente menos imagina. Apesar de barato, o desgaste do platinado é relativamente rápido, exige ajustes periódicos, além de não ser o método mais eficiente de ignição disponível. O módulo da Prematronic mantinha o platinado, porém prolongando sua vida útil, assim como o prazo de regulagem. E como todo módulo de ignição, prometia partidas à frio mais rápidas, marcha lenta mais suave e uma melhor disposição do veículo. Do alto da minha mais profunda ignorância sobre o assunto, creio que seja um sistema parecido com o atualmente famoso módulo de ignição assistida do Tonella, que tem recebido muitos elogios. E a Prematronic também era recomendada em sua época.

Tanto que a própria Volkswagen passou a vender esse módulo, com a marca VW, em sua linha de acessórios. É interessante encontrar informações sobre sua utilização em um site dedicado a Rural Willys, com direito até ao manual de instalação. Tenho um módulo desses, que estava esquecido no estoque de uma concessionária, mas não tive coragem de usar (nem de desenrolar os fios, como podem reparar na foto). Vou deixá-lo como objeto de coleção. Até hoje uma famosa loja de peças de VW vende esses módulos. Claro que o preço não é tão convidativo assim…

Módulo Prematronic vendido pela VW em sua linha de acessórios
Módulo Prematronic vendido pela VW em sua linha de acessórios

Pra quem quiser facilitar a vida e fugir dos problemas de desgaste do platinado, mas não quer trocar todo o sistema, um módulo como esse ou o produzido pelo Tonella pode ser utilizado. Existem também uns pequenos módulos que são instalados no lugar do platinado, também usando todo o restante do sistema original do carro, trazendo ótimos resultados. Seja qual for a sua opção, vale a lembrança desse acessório de época.

Cronologia das versões do Passat

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Mais uma matéria publicada hoje na Home-Page do Passat. Dessa vez, uma tabela com a lista de versões ao longo de cada ano de produção do Passat. Além das versões, as opções de carrocerias oferecidas a cada ano, motor e opções de combustível.

A intenção dessa vez é não apenas servir como uma fonte rápida de consultas no caso de alguma dúvida, mas também o de desmistificar certas informações erradas que acabam caindo na rede. Não é tão raro, por exemplo, que alguém jure ter um Surf de 3 portas ou um TS 1975. Ou mesmo indagar se é original um motor 1.8 em um Village.

Então, aproveitem e usem a tabela sempre que necessário. E aguardem, que logo teremos mais matéria por aí…

Protótipo 1974

prototipo01Essas fotos começaram a circular rapidamente pelos grupos de Whatsapp, infelizmente sem créditos (se você é o autor das fotos, avise, que eu colocarei os devidos créditos). Um estranhíssimo Passat pick-up com cabine dupla, lanternas, faróis e para-choques dos modelos pós-85, na cor Vermelho Fênix. Não é o primeiro Passat cabine dupla que aparece por aí… E eu tenho a impressão que já vi foto desse carro há alguns anos, em melhor estado do que agora.

prototipo02Com o uso popular do Sinesp, logo verificaram que o documento trata o carro como “MON/Protótipo 1974”, da cidade de Joaçaba (SC), e certamente algumas pessoas se empolgaram pensando ser um protótipo da VW perdido por aí e que foi modernizado. Mas vamos lembrar que um “protótipo” para o Detran é simplesmente um carro que foi feito artesanalmente, ou mesmo a partir de um veículo em que foi dado baixa. Não se empolguem, não é nenhum projeto abandonado pela VW…

Tabela de cores do Passat

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Cor é um assunto que sempre gera muitas dúvidas entre os proprietários de Passat. “Qual o nome da cor do meu Passat? Que azul existia em 1978? Vi um Passat de ano X pintado de Y, era original?”

De fato, era um assunto que sempre mereceu cuidados, mas ao mesmo tempo é muito difícil encontrar informações específicas do Passat, seja na internet ou em material de época. Em geral essas tabelas são feitas com base no Fusca e derivados, dando pouca atenção aos VW refrigerados à água. Daí muitas das tabelas que circulam pela internet tem erros fáceis de detectar ou faltam muitas informações. Com um pouco de força de vontade, além de muita pesquisa e ajuda, a Home-Page do Passat montou uma tabela de cores de todos os anos de produção do Passat, incluindo ainda a linha 1989, de baixa produção (lembrando: o Passat nunca foi produzido em 1989, mas sim unidades 88/89), que o material oficial de época demonstrou que eram as mesmas cores de 1988. Nada surpreendente, já que era um carro fadado a sair de linha.

A tabela conta ainda com o código da cor, que consta nas plaquetas que são fixadas na travessa dianteira, próximo ao fecho do capô. A partir de meados de 1977, os 3 primeiros algarismos dessa plaqueta passaram a indicar a cor que o carro saiu de fábrica. Antes disso, todos os Passat tinham “000” como os primeiros números da plaqueta (motivo pelo qual não constam esses códigos na tabela até 1976). Além disso, há uma lista de versões em que cada cor foi utilizada, já que algumas cores eram exclusivas de certas versões ou não eram utilizadas em modelos mais simples, como Special e Surf.

A tabela de cores ainda não está 100% completa. Os nomes das cores estão todos lá, mas faltam principalmente informações sobre versões entre 1982 e 1984, além de alguns códigos de plaqueta. Quem puder contribuir com informações comprovadas (por meio de catálogos ou publicações de época, por exemplo), fique a vontade para entrar em contato e ajudar mais proprietários de Passat.

Cidadão do Mundo: África do Sul

Um Passat 1977 bem interessante que foi publicado em um grupo do Facebook recentemente… Vem da África do Sul, que até onde sei foi o único país onde essa grade e faróis foram usados no Passat. O exemplar foi levemente modificado com rodas de tala bem larga e um discreto aerofólio na tampa traseira. Reparem também a direção do lado direito, como convém ao país em questão.

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Pelo Street View: em boa companhia

Passat e Brasilia no Google Street View
Créditos: Google Street View

Reativando outra velha série de posts, a “Pelo Street View” publica as imagens de Passat capturadas pelo serviço do Google e que tenham alguma relevância. O flagra do post de hoje é duplo. O Passat, que aparenta estar em bom estado de conservação, incluindo o que é possível visualizar dos bancos, repousa ao lado da simpática Brasília no início de uma estrada de Petrópolis, na serra fluminense. Uma bela dupla de VW antigos!

Passat e Brasília no Google Street View
Créditos: Google Street View

As imagens são de setembro de 2011. Há poucos meses estive na cidade e precisei passar algumas vezes pelo mesmo ponto da estrada. Infelizmente durante estes dias, não encontrei nenhum dos dois carros pela região. Petrópolis sempre nos traz boas surpresas no trânsito e não é raro encontrar durante os dias de semana alguém indo trabalhar ou passeando em veículos antigos, inclusive alguns com placa preta. Fato um pouco mais raro, mas não impossível, é até mesmo flagrar antigos em ótimo estado de conservação rodando com placas amarelas. Com um trânsito assim, dirigir se torna muito mais agradável.

Cidadão do mundo: Dasher 1975

VW Dasher 1975Com esta dica fantástica do amigo Mário Buzian, que está sempre em busca de modelos interessantes não apenas no Brasil mas também no exterior, tomo a liberdade de reviver a série “Cidadão do mundo” que durante um período era publicada em nosso blog. O Dasher não é um modelo muito cultuado em terras norte-americanas e por consequência nem sempre encontramos bons modelos anunciados por lá. Mas o que dizer quando aparece um Dasher 1975 ainda com pintura original de fábrica e 9.100 milhas rodadas (cerca de 15.000km)?

VW Dasher 1975
Pára-choques conforme a legislação norte-americana, lanternas com seta âmbar e refletores na lateral são algumas das diferenças entre o Dasher e o Passat brasileiro. Na foto abaixo, o conhecido motor 1.5.

O anúncio foi publicado no site Bring a Trailer, e no exato instante em que escrevo este post o valor do lance está em US$2.100, faltando cerca de 22 horas para o fim do leilão. O longo texto do anúncio, contando um pouco da história do modelo nos EUA, e a quantidade de fotos detalhadas até nos fazem lembrar dos “vendedores gourmet” que se espalharam pelo Brasil (favor não interpretar errado, achando que coloquei todos os vendedores de antigos no mesmo patamar). A grande diferença entre lá e cá é que aqui os valores pedidos também são gourmet e nos fazem pensar que todo carro anunciado é um modelo único no mundo.

Mas voltando ao Dasher anunciado, nos pareceu extremamente original e bem conservado. Uma lástima perceber que em qualquer parte do mundo o painel do Passat sofre com as rachaduras, mas creio que este seja o único ponto negativo do carro. O estepe ainda é o original de fábrica segundo o anúncio, com pneu produzido na Bélgica e a roda datada de setembro de 1974. O conjunto mecânico é nosso velho conhecido: motor 1.5 à gasolina e câmbio manual. A maioria dos Dasher que aparecem possuem câmbio automático, como convém ao mercado norte-americano, e muitos tem motores diesel.

VW Dasher 1975
O interior também possui diferenças em relação ao modelo produzido no Brasil. Mas o painel rachado indica que este ponto fraco não era nossa exclusividade.

Há uma certa diversão em procurar as diferenças entre o Dasher e o Passat brasileiro. Fora os pára-choques que atendiam a legislação norte-americana, cuja diferença é gritante, e o velocímetro em milhas, há diversas pequenas diferenças, como o retrovisor (de inox como os nossos, porém com base preta), os refletores nas laterais do carro (vendidos aqui nos anos 70 como acessório), os frisos dianteiros utilizados aqui nos TS e LSE até 78, comando de seta, luz de advertência sobre o uso do cinto de segurança, lanternas tricolores, entre outros.

Que encontre um novo dono que o mantenha neste estado de conservação e originalidade!

Programa de renovação da frota

Reciclagem de carros - Passat TS
Créditos da imagem: Detran-RS

Já deveríamos estar acostumados… Há anos, de tempos em tempos, pipocam notícias com títulos assustadores para quem tem carros mais antigos, com uma teórica ameaça sobre nossos “velhinhos”. Dessa vez a outrora ótima revista Quatro Rodas foi a bola da vez, publicando a matéria cujo título é “Governo quer tirar das ruas carros com mais de 15 anos”. O título é, de fato, desesperador… Como assim vão tirar os carros de seus legítimos proprietários? Logo começa o desespero, a ladainha, o chamado mimimi que tanto nos assola nas redes sociais. Ao abrir a matéria para ler (ler a matéria… leitura… lembram do último post?), percebe-se que é apenas a idéia de um programa de renovação da frota que o Ministério do Desenvolvimento parece estar prestes a lançar (após cerca de 20 anos de especulações), onde o proprietário de um carro com mais de 15 anos poderá, caso ele queira, entregar seu veículo em uma concessionária e receber uma carta de crédito para a compra de um veículo 0km. O carro entregue será destinado a reciclagem. Em resumo: não seria obrigatório. Mas, título sensacionalista lançado e grande parte do público de hoje que é leitor apenas de títulos começa a reclamar. Muitos comentários na própria matéria da Quatro Rodas chegam a ser cômicos, pois fica claro que a pessoa não se deu ao trabalho de ler nada além do título. Ou seja: mais um dia comum na internet. Numa rápida pesquisa pelo Google, encontrei outras matérias de sites ou jornais famosos, com títulos mais realistas e menos assustadores. E com isso o público passa a se preocupar com algo desnecessário (“Oh, meu Deus! Vão tirar meu carro!”) e deixa de debater o que realmente importa sobre o assunto.

Desespero esclarecido, vamos aos fatos. Em primeiro lugar: não é e nunca será nosso objetivo aqui tratar de assuntos políticos e muito menos tomar partido de lado algum. Mas sim apenas analisar fatos deste tipo quando estes podem nos afetar. Dito isto, o programa de renovação da frota, caso de fato seja lançado, viria com o objetivo de alavancar a indústria automobilística nacional, que sofreu uma forte queda nos últimos meses. Mas daria certo? Vamos imaginar uma situação cotidiana, possivelmente a mais comum entre os proprietários de carros com mais de 15 anos. Esqueçam os veículos de coleção, de placa preta, pois estes certamente não entrariam em nenhum programa desse tipo. O Sr. João tem o seu carrinho mais antigo, nem vamos falar de Passat aqui. O Sr. João tem um Santana ou Monza dos anos 90. É o carrinho que ele, chefe de família que não ganha um bom salário, conseguiu comprar com muito esforço. E com o mesmo esforço ele consegue manter o carro rodando. A maioria dos modelos antigos tem peças baratas. É bem barato comprar pastilhas de freio, correias e outras peças de desgaste mais comum. Em outras palavras: mesmo que o salário não permita manter um carro antigo em condições impecáveis de estética (sempre vai ter o arranhãozinho ali, aquele amassadinho que “mês que vem a gente vê se dá pra consertar”, o pára-choque com a quina ralada…), é possível pra muitas famílias manter um veículo mais antigo rodando com segurança para servi-los, o que é um direito de todo mundo. É possível até mesmo manter um veículo como esse com sua documentação regularizada, pois a maioria dos estados brasileiros isenta os veículos mais antigos do pagamento do IPVA. E assim o Sr. João consegue rodar pelo seu bairro, levar a família no shopping, na casa da avó, carregar as compras do mercado. Alguns “Sr. João” conseguem até trabalhar com o carro e levar bastante coisa dentro da mala, tirando do automóvel o seu sustento. No máximo, o Sr. João arrisca um passeio até a praia durante o verão, porque ninguém é de ferro e as crianças querem aproveitar o sol e o mar. Essa é possivelmente a média do uso desse tipo de carro.

Como imaginar que o Sr. João, ao entregar o seu Monza ou Santana para o abate em uma concessionária e receber uma bela carta de crédito no valor da tabela FIPE (talvez seja isso, não ficou claro nas matérias desta semana que tratam sobre o assunto), conseguirá absorver as prestações do seu novíssimo carrinho popular? O Sr. João conseguirá pagar o próximo IPVA? Quando chegar a época da revisão, o Sr. João conseguirá pagar o serviço (muitas vezes caríssimo) da autorizada pra não perder a garantia e manter o carro em condições, como ele fazia no seu velho carro, que tinha a aparência já cansada, mas funcionava como um relógio? Notem que até agora eu não falei que o Sr. João contrataria um seguro pra proteger o novo patrimônio da família e, com isso, absorveria mais um gasto importante. E em alguns anos, o carrinho novo do Sr. João chegará a um nível bem pior do que o velho carro que ele usava antes, assim como a sua conta bancária. Mas não haveria ninguém beneficiado por este tipo de programa? Certamente haveria, sempre há. Mas na minha opinião, do modo que está sendo divulgado até agora, os beneficiados seriam poucos, assim como o aumento das vendas e o de carros realmente em péssimo estado que seriam retirados de circulação seria pequeno .

O programa de renovação da frota pode até ter boas intenções, pode ter a utopia de que isso ajudará a indústria, de que trará a muitas famílias as benesses de um carro 0km. Não se iludam, muitos de nós adoramos carros antigos até para o uso diário, mas a maioria das pessoas comuns só os utiliza por não poder pagar por um carro novo. Mas esse tipo de programa parece sempre ser pensado de maneira superficial, como quase tudo no Brasil, e nunca analisando se é possível para uma família média brasileira manter em plenas condições um carro 0km, tanto mecanicamente quanto com relação aos seus impostos anuais e um eventual seguro. E isso porque não entramos em detalhes como qual seria o destino dessa reciclagem dos carros usados (se é que “reciclagem” seria o termo correto), de onde viriam os recursos necessários para esses créditos que serão dados na troca pelo carro usado, entre outros, já que não é este o papel da Home-Page do Passat.

Por enquanto, essa história toda só serviu pra uma coisa: desesperar o público que se informa apenas pelo título das matérias.