Cidadão do Mundo: Champagne Edition

Dasher Champagne Edition 1977Uma versão bem interessante que esteve a venda recentemente no Ebay é este Champagne Edition. O carro, emplacado no estado da Georgia, tem o charme da pintura original com a pátina do tempo e foi anunciado por um colecionador que possui outros VW na garagem. O prazo do leilão terminou e o carro foi vendido, mas infelizmente não deu tempo de saber qual foi o valor final.

VW Dasher Champagne Edition 1977VW Dasher Champagne Edition 1977A linha Champagne Edition foi vendida em 1977 e, segundo a própria literatura da Volkswagen na época, foi lançada pra comemorar a produção de 1 milhão de Rabbits (o nosso conhecido Golf). Por conta disso, foi lançada nos EUA não apenas o Rabbit Champagne Edition, mas também outros quatro modelos: Dasher, Scirocco, Beetle e Bus (Kombi). Cada modelo tinha suas características exclusivas, fazendo com que a série fosse realmente algo diferente quando comparada aos modelos normais de linha. O sucesso foi tanto que em 1978 a VW lançou nos EUA a série “Champagne Edition II”. Os mesmos modelos foram oferecidos, porém com mais opções de versões. O Dasher, por exemplo, vendido na primeira edição apenas na versão 3 portas, na segunda edição também foi oferecido nas versões 5 portas e wagon.

VW Dasher Champagne Edition 1977
Características do modelo anunciado: teto solar e estofamento original
Imagem do material publicitário da época da linha Champagne Edition
Imagem do material publicitário da época da linha Champagne Edition

O Dasher Champagne Edition era produzido na cor Turmaline Metallic, com um belo estofamento cinza. Alguns equipamentos vinham de série nesta versão, como o câmbio automático, ar-condicionado, vidros verdes e o teto de solar de metal.

Ano Mundial do Antigomobilismo

Logo FIVA - Fédération Internationale des Véhicules Anciens

A FBVA informa: “A Federação Internacional de Veículos Antigos (FIVA) tem o prazer de anunciar que a UNESCO concedeu oficialmente o patrocínio ao Ano Mundial da Antigomobilismo (Ano Mundial da Herança Automotiva) 2016, provendo assim endosso moral e suporte ao excepcional programa da FIVA.

A Diretora Geral da UNESCO, Sra. Irina Bokova, parabenizou a FIVA pela iniciativa de celebrar o Ano Mundial do Antigomobilismo, por promover a preservação de veículos históricos e mostrar a tecnologia de época às futuras gerações.

A Sra. Bokova salientou que a FIVA ajudou a valorizar a historia da motorização e incrementar o intercambio cultural entre os 64 paises onde a entidade é representada. Também destacou que as atividades de celebração do 50º aniversário da fundação da FIVA, comemorado em 2016, contribuem ao desenvolvimento social, cultural cientifico e técnico da humanidade.

A Federação está planejando uma série de atividades e iniciativas para celebrar o Ano Mundial do Antigomobilismo, muitas dos quais prosseguirão além de 2016. Este ano, as comemorações culminarão com uma semana de festividades em Paris, cidade natal da FIVA.”

 

Ignição Prematronic

prematronicUm anúncio bem interessante é este do módulo de ignição Prematronic, de maio de 1976 (revista Quatro Rodas). Saudosistas ou não, devemos admtir que a dupla platinado e condensador sempre pode nos pregar algumas peças quando a gente menos imagina. Apesar de barato, o desgaste do platinado é relativamente rápido, exige ajustes periódicos, além de não ser o método mais eficiente de ignição disponível. O módulo da Prematronic mantinha o platinado, porém prolongando sua vida útil, assim como o prazo de regulagem. E como todo módulo de ignição, prometia partidas à frio mais rápidas, marcha lenta mais suave e uma melhor disposição do veículo. Do alto da minha mais profunda ignorância sobre o assunto, creio que seja um sistema parecido com o atualmente famoso módulo de ignição assistida do Tonella, que tem recebido muitos elogios. E a Prematronic também era recomendada em sua época.

Tanto que a própria Volkswagen passou a vender esse módulo, com a marca VW, em sua linha de acessórios. É interessante encontrar informações sobre sua utilização em um site dedicado a Rural Willys, com direito até ao manual de instalação. Tenho um módulo desses, que estava esquecido no estoque de uma concessionária, mas não tive coragem de usar (nem de desenrolar os fios, como podem reparar na foto). Vou deixá-lo como objeto de coleção. Até hoje uma famosa loja de peças de VW vende esses módulos. Claro que o preço não é tão convidativo assim…

Módulo Prematronic vendido pela VW em sua linha de acessórios
Módulo Prematronic vendido pela VW em sua linha de acessórios

Pra quem quiser facilitar a vida e fugir dos problemas de desgaste do platinado, mas não quer trocar todo o sistema, um módulo como esse ou o produzido pelo Tonella pode ser utilizado. Existem também uns pequenos módulos que são instalados no lugar do platinado, também usando todo o restante do sistema original do carro, trazendo ótimos resultados. Seja qual for a sua opção, vale a lembrança desse acessório de época.

Cronologia das versões do Passat

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Mais uma matéria publicada hoje na Home-Page do Passat. Dessa vez, uma tabela com a lista de versões ao longo de cada ano de produção do Passat. Além das versões, as opções de carrocerias oferecidas a cada ano, motor e opções de combustível.

A intenção dessa vez é não apenas servir como uma fonte rápida de consultas no caso de alguma dúvida, mas também o de desmistificar certas informações erradas que acabam caindo na rede. Não é tão raro, por exemplo, que alguém jure ter um Surf de 3 portas ou um TS 1975. Ou mesmo indagar se é original um motor 1.8 em um Village.

Então, aproveitem e usem a tabela sempre que necessário. E aguardem, que logo teremos mais matéria por aí…

Protótipo 1974

prototipo01Essas fotos começaram a circular rapidamente pelos grupos de Whatsapp, infelizmente sem créditos (se você é o autor das fotos, avise, que eu colocarei os devidos créditos). Um estranhíssimo Passat pick-up com cabine dupla, lanternas, faróis e para-choques dos modelos pós-85, na cor Vermelho Fênix. Não é o primeiro Passat cabine dupla que aparece por aí… E eu tenho a impressão que já vi foto desse carro há alguns anos, em melhor estado do que agora.

prototipo02Com o uso popular do Sinesp, logo verificaram que o documento trata o carro como “MON/Protótipo 1974”, da cidade de Joaçaba (SC), e certamente algumas pessoas se empolgaram pensando ser um protótipo da VW perdido por aí e que foi modernizado. Mas vamos lembrar que um “protótipo” para o Detran é simplesmente um carro que foi feito artesanalmente, ou mesmo a partir de um veículo em que foi dado baixa. Não se empolguem, não é nenhum projeto abandonado pela VW…

Tabela de cores do Passat

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Cor é um assunto que sempre gera muitas dúvidas entre os proprietários de Passat. “Qual o nome da cor do meu Passat? Que azul existia em 1978? Vi um Passat de ano X pintado de Y, era original?”

De fato, era um assunto que sempre mereceu cuidados, mas ao mesmo tempo é muito difícil encontrar informações específicas do Passat, seja na internet ou em material de época. Em geral essas tabelas são feitas com base no Fusca e derivados, dando pouca atenção aos VW refrigerados à água. Daí muitas das tabelas que circulam pela internet tem erros fáceis de detectar ou faltam muitas informações. Com um pouco de força de vontade, além de muita pesquisa e ajuda, a Home-Page do Passat montou uma tabela de cores de todos os anos de produção do Passat, incluindo ainda a linha 1989, de baixa produção (lembrando: o Passat nunca foi produzido em 1989, mas sim unidades 88/89), que o material oficial de época demonstrou que eram as mesmas cores de 1988. Nada surpreendente, já que era um carro fadado a sair de linha.

A tabela conta ainda com o código da cor, que consta nas plaquetas que são fixadas na travessa dianteira, próximo ao fecho do capô. A partir de meados de 1977, os 3 primeiros algarismos dessa plaqueta passaram a indicar a cor que o carro saiu de fábrica. Antes disso, todos os Passat tinham “000” como os primeiros números da plaqueta (motivo pelo qual não constam esses códigos na tabela até 1976). Além disso, há uma lista de versões em que cada cor foi utilizada, já que algumas cores eram exclusivas de certas versões ou não eram utilizadas em modelos mais simples, como Special e Surf.

A tabela de cores ainda não está 100% completa. Os nomes das cores estão todos lá, mas faltam principalmente informações sobre versões entre 1982 e 1984, além de alguns códigos de plaqueta. Quem puder contribuir com informações comprovadas (por meio de catálogos ou publicações de época, por exemplo), fique a vontade para entrar em contato e ajudar mais proprietários de Passat.

Cidadão do Mundo: África do Sul

Um Passat 1977 bem interessante que foi publicado em um grupo do Facebook recentemente… Vem da África do Sul, que até onde sei foi o único país onde essa grade e faróis foram usados no Passat. O exemplar foi levemente modificado com rodas de tala bem larga e um discreto aerofólio na tampa traseira. Reparem também a direção do lado direito, como convém ao país em questão.

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Pelo Street View: em boa companhia

Passat e Brasilia no Google Street View
Créditos: Google Street View

Reativando outra velha série de posts, a “Pelo Street View” publica as imagens de Passat capturadas pelo serviço do Google e que tenham alguma relevância. O flagra do post de hoje é duplo. O Passat, que aparenta estar em bom estado de conservação, incluindo o que é possível visualizar dos bancos, repousa ao lado da simpática Brasília no início de uma estrada de Petrópolis, na serra fluminense. Uma bela dupla de VW antigos!

Passat e Brasília no Google Street View
Créditos: Google Street View

As imagens são de setembro de 2011. Há poucos meses estive na cidade e precisei passar algumas vezes pelo mesmo ponto da estrada. Infelizmente durante estes dias, não encontrei nenhum dos dois carros pela região. Petrópolis sempre nos traz boas surpresas no trânsito e não é raro encontrar durante os dias de semana alguém indo trabalhar ou passeando em veículos antigos, inclusive alguns com placa preta. Fato um pouco mais raro, mas não impossível, é até mesmo flagrar antigos em ótimo estado de conservação rodando com placas amarelas. Com um trânsito assim, dirigir se torna muito mais agradável.

Cidadão do mundo: Dasher 1975

VW Dasher 1975Com esta dica fantástica do amigo Mário Buzian, que está sempre em busca de modelos interessantes não apenas no Brasil mas também no exterior, tomo a liberdade de reviver a série “Cidadão do mundo” que durante um período era publicada em nosso blog. O Dasher não é um modelo muito cultuado em terras norte-americanas e por consequência nem sempre encontramos bons modelos anunciados por lá. Mas o que dizer quando aparece um Dasher 1975 ainda com pintura original de fábrica e 9.100 milhas rodadas (cerca de 15.000km)?

VW Dasher 1975
Pára-choques conforme a legislação norte-americana, lanternas com seta âmbar e refletores na lateral são algumas das diferenças entre o Dasher e o Passat brasileiro. Na foto abaixo, o conhecido motor 1.5.

O anúncio foi publicado no site Bring a Trailer, e no exato instante em que escrevo este post o valor do lance está em US$2.100, faltando cerca de 22 horas para o fim do leilão. O longo texto do anúncio, contando um pouco da história do modelo nos EUA, e a quantidade de fotos detalhadas até nos fazem lembrar dos “vendedores gourmet” que se espalharam pelo Brasil (favor não interpretar errado, achando que coloquei todos os vendedores de antigos no mesmo patamar). A grande diferença entre lá e cá é que aqui os valores pedidos também são gourmet e nos fazem pensar que todo carro anunciado é um modelo único no mundo.

Mas voltando ao Dasher anunciado, nos pareceu extremamente original e bem conservado. Uma lástima perceber que em qualquer parte do mundo o painel do Passat sofre com as rachaduras, mas creio que este seja o único ponto negativo do carro. O estepe ainda é o original de fábrica segundo o anúncio, com pneu produzido na Bélgica e a roda datada de setembro de 1974. O conjunto mecânico é nosso velho conhecido: motor 1.5 à gasolina e câmbio manual. A maioria dos Dasher que aparecem possuem câmbio automático, como convém ao mercado norte-americano, e muitos tem motores diesel.

VW Dasher 1975
O interior também possui diferenças em relação ao modelo produzido no Brasil. Mas o painel rachado indica que este ponto fraco não era nossa exclusividade.

Há uma certa diversão em procurar as diferenças entre o Dasher e o Passat brasileiro. Fora os pára-choques que atendiam a legislação norte-americana, cuja diferença é gritante, e o velocímetro em milhas, há diversas pequenas diferenças, como o retrovisor (de inox como os nossos, porém com base preta), os refletores nas laterais do carro (vendidos aqui nos anos 70 como acessório), os frisos dianteiros utilizados aqui nos TS e LSE até 78, comando de seta, luz de advertência sobre o uso do cinto de segurança, lanternas tricolores, entre outros.

Que encontre um novo dono que o mantenha neste estado de conservação e originalidade!

Programa de renovação da frota

Reciclagem de carros - Passat TS
Créditos da imagem: Detran-RS

Já deveríamos estar acostumados… Há anos, de tempos em tempos, pipocam notícias com títulos assustadores para quem tem carros mais antigos, com uma teórica ameaça sobre nossos “velhinhos”. Dessa vez a outrora ótima revista Quatro Rodas foi a bola da vez, publicando a matéria cujo título é “Governo quer tirar das ruas carros com mais de 15 anos”. O título é, de fato, desesperador… Como assim vão tirar os carros de seus legítimos proprietários? Logo começa o desespero, a ladainha, o chamado mimimi que tanto nos assola nas redes sociais. Ao abrir a matéria para ler (ler a matéria… leitura… lembram do último post?), percebe-se que é apenas a idéia de um programa de renovação da frota que o Ministério do Desenvolvimento parece estar prestes a lançar (após cerca de 20 anos de especulações), onde o proprietário de um carro com mais de 15 anos poderá, caso ele queira, entregar seu veículo em uma concessionária e receber uma carta de crédito para a compra de um veículo 0km. O carro entregue será destinado a reciclagem. Em resumo: não seria obrigatório. Mas, título sensacionalista lançado e grande parte do público de hoje que é leitor apenas de títulos começa a reclamar. Muitos comentários na própria matéria da Quatro Rodas chegam a ser cômicos, pois fica claro que a pessoa não se deu ao trabalho de ler nada além do título. Ou seja: mais um dia comum na internet. Numa rápida pesquisa pelo Google, encontrei outras matérias de sites ou jornais famosos, com títulos mais realistas e menos assustadores. E com isso o público passa a se preocupar com algo desnecessário (“Oh, meu Deus! Vão tirar meu carro!”) e deixa de debater o que realmente importa sobre o assunto.

Desespero esclarecido, vamos aos fatos. Em primeiro lugar: não é e nunca será nosso objetivo aqui tratar de assuntos políticos e muito menos tomar partido de lado algum. Mas sim apenas analisar fatos deste tipo quando estes podem nos afetar. Dito isto, o programa de renovação da frota, caso de fato seja lançado, viria com o objetivo de alavancar a indústria automobilística nacional, que sofreu uma forte queda nos últimos meses. Mas daria certo? Vamos imaginar uma situação cotidiana, possivelmente a mais comum entre os proprietários de carros com mais de 15 anos. Esqueçam os veículos de coleção, de placa preta, pois estes certamente não entrariam em nenhum programa desse tipo. O Sr. João tem o seu carrinho mais antigo, nem vamos falar de Passat aqui. O Sr. João tem um Santana ou Monza dos anos 90. É o carrinho que ele, chefe de família que não ganha um bom salário, conseguiu comprar com muito esforço. E com o mesmo esforço ele consegue manter o carro rodando. A maioria dos modelos antigos tem peças baratas. É bem barato comprar pastilhas de freio, correias e outras peças de desgaste mais comum. Em outras palavras: mesmo que o salário não permita manter um carro antigo em condições impecáveis de estética (sempre vai ter o arranhãozinho ali, aquele amassadinho que “mês que vem a gente vê se dá pra consertar”, o pára-choque com a quina ralada…), é possível pra muitas famílias manter um veículo mais antigo rodando com segurança para servi-los, o que é um direito de todo mundo. É possível até mesmo manter um veículo como esse com sua documentação regularizada, pois a maioria dos estados brasileiros isenta os veículos mais antigos do pagamento do IPVA. E assim o Sr. João consegue rodar pelo seu bairro, levar a família no shopping, na casa da avó, carregar as compras do mercado. Alguns “Sr. João” conseguem até trabalhar com o carro e levar bastante coisa dentro da mala, tirando do automóvel o seu sustento. No máximo, o Sr. João arrisca um passeio até a praia durante o verão, porque ninguém é de ferro e as crianças querem aproveitar o sol e o mar. Essa é possivelmente a média do uso desse tipo de carro.

Como imaginar que o Sr. João, ao entregar o seu Monza ou Santana para o abate em uma concessionária e receber uma bela carta de crédito no valor da tabela FIPE (talvez seja isso, não ficou claro nas matérias desta semana que tratam sobre o assunto), conseguirá absorver as prestações do seu novíssimo carrinho popular? O Sr. João conseguirá pagar o próximo IPVA? Quando chegar a época da revisão, o Sr. João conseguirá pagar o serviço (muitas vezes caríssimo) da autorizada pra não perder a garantia e manter o carro em condições, como ele fazia no seu velho carro, que tinha a aparência já cansada, mas funcionava como um relógio? Notem que até agora eu não falei que o Sr. João contrataria um seguro pra proteger o novo patrimônio da família e, com isso, absorveria mais um gasto importante. E em alguns anos, o carrinho novo do Sr. João chegará a um nível bem pior do que o velho carro que ele usava antes, assim como a sua conta bancária. Mas não haveria ninguém beneficiado por este tipo de programa? Certamente haveria, sempre há. Mas na minha opinião, do modo que está sendo divulgado até agora, os beneficiados seriam poucos, assim como o aumento das vendas e o de carros realmente em péssimo estado que seriam retirados de circulação seria pequeno .

O programa de renovação da frota pode até ter boas intenções, pode ter a utopia de que isso ajudará a indústria, de que trará a muitas famílias as benesses de um carro 0km. Não se iludam, muitos de nós adoramos carros antigos até para o uso diário, mas a maioria das pessoas comuns só os utiliza por não poder pagar por um carro novo. Mas esse tipo de programa parece sempre ser pensado de maneira superficial, como quase tudo no Brasil, e nunca analisando se é possível para uma família média brasileira manter em plenas condições um carro 0km, tanto mecanicamente quanto com relação aos seus impostos anuais e um eventual seguro. E isso porque não entramos em detalhes como qual seria o destino dessa reciclagem dos carros usados (se é que “reciclagem” seria o termo correto), de onde viriam os recursos necessários para esses créditos que serão dados na troca pelo carro usado, entre outros, já que não é este o papel da Home-Page do Passat.

Por enquanto, essa história toda só serviu pra uma coisa: desesperar o público que se informa apenas pelo título das matérias.

Ano XX

Os logos e aparências da Home-Page do Passat ao longo destes 20 anosMais um ano se inicia e além das já conhecidas promessas e planos que costumamos fazer para os próximos 12 meses, o ano de 2016 será marcante, em especial para este website e o autor que escreve este post, pois é o ano XX da Home-Page do Passat. Desde 1996 muita coisa mudou… O Netscape estava no seu auge e desapareceu (crianças, procurem no Google), o Internet Explorer está seguindo o mesmo caminho. Os sites eram feitos com frequência no Bloco de Notas do Windows, depois em editores off-line e atualmente muitos deles são produzidos online, como o nosso, usando diversas plataformas existentes com esta finalidade. Desde 1996 muitos carros começaram a ser produzidos e já saíram de linha. Os Passat eram apenas carros vistos como velhos e hoje já são considerados veículos antigos, frequentando eventos de grande porte e até recebendo prêmios ocasionalmente (apesar do verdadeiro antigomobilista não frequentar eventos pensando em premiação, vale citar pela importância do fato). No Brasil, governos vieram e já terminaram, times foram ao fundo do poço e voltaram aos dias de glória, a seleção foi campeã e sofreu derrotas históricas. Sem contar que muitos que estão lendo este texto nem eram nascidos em 1996. Pensando assim a gente percebe que 20 anos é um bom tempo mesmo… Mas, por alguma sorte e muita persistência, continuamos no ar.

E se tudo continuar dando certo, continuaremos! Podem esperar de 2016 mais um ano, o ano XX, em que a Home-Page do Passat seguirá a mesma filosofia que acompanha o site há tanto tempo: informações, curiosidades e tudo mais o que possa interessar aos proprietários ou admiradores do Passat, mesmo que sem atualizações tão constantes, mas montando ao longo do tempo uma pequena biblioteca de informações que possa ser consultada quando necessário. Enquanto a moda atual é a preocupação com likes e número de publicações compartilhadas, os posts rápidos e sem informação, com fotos de carros “top” sem determinar a autoria e muitas vezes acompanhadas de frases de efeito, as hashtags usadas sem critério e a quantidade em detrimento da qualidade, a Home-Page do Passat continuará compromissada com a preservação da história do “nosso” Passat, tentando sempre trazer algo de qualidade para o leitor (ressaltando: leitor!).

Sejam sempre bem vindos e tenham um excelente 2016!

Passat Nigéria hibernando

Passat Nigéria abandonado em um estacionamento do Rio de JaneiroO post de hoje é sobre um modelo que, admito, falta falar um pouco mais aqui na Home-Page do Passat, seja no blog ou site. Há poucos dias o amigo Fábio Bittencourt precisou usar um estacionamento que nunca tinha utilizado no Rio de Janeiro e fez a descoberta. Sob uma grossa camada de poeira, hiberna há anos um autêntico Passat Nigéria, que passamos a chamar desta maneira não-oficial por ter sido produzido com o objetivo de ser exportado para aquele país.

O Passat Nigéria tem características específicas como a cor de interior igual ao dos Passat LSE Iraque, vinho ou cinza, ar-condicionado de série e, diferente da versão produzida para o Iraque, não possuía apoios de cabeça nos bancos traseiros e nem console com instrumentos, além de ter carroceria de duas portas. Por um bom tempo esta versão permaneceu como um mistério, até ser esclarecido há alguns anos. Geralmente o Passat Nigéria era vendido e declarado no manual do proprietário e nota fiscal como “Passat Plus” (sabemos, porem, que o verdadeiro Plus era o 84, com motor 1.8 e detalhes exclusivos de acabamento) ou “Passat Especial” (e não Special, como a versão básica). No lado direito da tampa da mala vinha apenas o emblema “Passat”, sem qualquer outra denominação ou sigla.

Passat Nigéria abandonado em um estacionamento do Rio de JaneiroVoltando ao carro das fotos, o que foi apurado no próprio estacionamento é que o carro pertence a uma senhora, que há muitos anos paga religiosamente a mensalidade do estacionamento e não tem a menor intenção de vender o carro, pois teria pertencido ao seu pai. O Passat aparenta ainda estar bem alinhado e conservado, além de ter boa parte de suas características originais, exceto por detalhes, como a roda traseira da linha Gol mais moderna que aparece nas fotos e a inversão de lados dos emblemas traseiros. Não foi possível fotografar com clareza o interior do carro com o celular, mas é vinho e bate com as características dos Passat Nigéria. Numa consulta ao site do Detran-RJ, foi possível confirmar que a última atualização de documento do carro foi realizada em 1996, provavelmente na época da troca das placas amarelas para cinza. Outra curiosidade é que esse carro já era conhecido na região, pois permaneceu por muito tempo estacionado em uma rua sem saída, bem próximo a este estacionamento. Isso faz cerca de 10 anos e depois o carro havia saído de lá e não havia mais notícias. Mesmo parado, pelo menos agora sabemos que o seu destino não foi nenhum pátio da prefeitura e assim este Passat tem alguma chance de um dia ser colocado novamente em circulação.

E como fazemos em posts deste tipo, e até mesmo pela convicção da proprietária em não vender o carro, não vamos divulgar a sua localização. Assim evitamos inconvenientes tanto para a proprietária quanto para a administração do estacionamento.

Best Cars

Passat PlusNa última sexta-feira o site Best Cars publicou uma matéria bem completa sobre o nosso Passat, contando desde antes do seu lançamento na Alemanha até o final de sua produção no Brasil, em dezembro de 1988. Além da história detalhada, não foram esquecidas as séries especiais, as transformações realizadas na época (como as da Dacon e o Passat Júlia), um pouco sobre competições e curiosidades como a participação dos Passat em filmes nacionais. A Home-Page do Passat teve uma pequena contribuição nesta matéria, principalmente com algumas fotos que foram utilizadas.

O texto é impecável, como é o conhecido padrão de Best Cars desde 1997 (foi um dos primeiros sites do Brasil a tratar sobre o tema “automóveis”), e não cai na vala dos erros comuns, como chamar o motor 1.5 de MD e diversas outras coisas que fazem o passateiro de verdade se decepcionar. Muito pelo contrário, é uma ótima leitura do início ao fim! Tive o prazer de conhecer Best Cars em sua primeira fase, assim como de participar de sua lista de discussão por e-mail (isso por volta de 1998 ou 1999). Quem lembra dessas listas que fizeram sucesso antes do surgimento dos fóruns e das redes sociais? Ainda temos a nossa lista também, bem parada pois esse sistema já saiu de moda faz tempo, servindo praticamente como um arquivo daquela época que nem é tão distante assim, mas parece.

Uma boa leitura pra vocês!

Jacarepaguá, 1981

Pra matar as saudades do finado autódromo de Jacarepaguá… O video mostra a largada e as voltas iniciais da 2ª bateria da 5ª etapa da categoria Hot-Cars, em 1981, com ótima narração (podem acreditar!) de Galvão Bueno na Bandeirantes.  E pilotando o Passat #33, Toninho da Matta lidera boa parte do video, sendo ultrapassado por seu companheiro de equipe, Egídio Micci (o “Chichola”). O vídeo não mostra o fim da bateria, que foi vencida por Chichola (segundo a revista Auto Esporte da época, Toninho da Matta teria “facilitado” a ultrapassagem do companheiro de equipe, que havia largado mal na 1ª bateria).

Toninho da Matta 1981
Toninho da Matta e o Passat #33 – Créditos: Revista Auto Esporte

No final da etapa, vitória fácil de Toninho da Matta, que venceu 6 das 8 etapas daquele ano, levando o título por antecipação. Além dos Passat, que em sua maioria ficaram nas primeiras posições, o grid contou também com um Fusca 1600 e três Gol.

Placa treta: a velha injeção eletrônica de 1981

Placa treta: anúncio do TS 1981Mais um ótimo exemplo do que podemos classificar como “placa treta”. Em um famoso site de vendas, procurando um Passat para um amigo, acabo dando de cara com este anúncio. O título e a foto me chamam a atenção. Afinal, é um belo carro. Abro pra conferir e a admiração vai por água abaixo… Atrás de modificações mecânicas que certamente deixaram o carro muito mais agressivo, como injeção eletrônica e cilindrada aumentada para 1.9 na famosa denominação “APzão turbão treiskilimei” e também com um jogo de rodas Orbital aro 16″ que podem até provocar um leve debate sobre a harmonia com o restante do carro, caio na decepção de ler (e confirmar na foto) que o carro tem placa preta. Ou mais especificamente: placa treta. Segundo o anúncio: “Certificado e documentação toda ok, com potência alterada e suspensão constante no documento e regularizado no Detran – SP“.

Placa treta: TS 81 com as modificações principaisNão vamos cair no velho erro e na velha ingenuidade do “Ah, o dono conseguiu o certificado de originalidade e depois modificou o carro!”. O texto do anúncio está claríssimo: “Nas fotos acima o veículo ainda não estava com a placa preta, mas atualmente está” (certamente um texto antigo, já que há sim uma foto do carro já com a placa preta, mas onde dois números estão cobertos). Melhor sermos realistas: o clube que emitiu a placa preta sabia sim de todas as modificações. Ou se emitiu o certificado sem vistoriar o carro, continuou agindo fora da legalidade.

A FBVA cada vez mais vem se empenhando para resolver junto ao Denatran a questão dos “clubes” (entre aspas mesmo, pois não são clubes, são apenas comércio) que vendem certificados a proprietários de carros não originais. Porém, minha opinião pessoal é a de que apenas uma mudança na legislação, com regras mais claras sobre o índice de originalidade, ou no mínimo a exigência de que todos os clubes credenciados ao Denatran devam seguir as regras propostas pela FBVA para a emissão do certificado (mesmo que não sejam filiados), pode ajudar a termos um norte a seguir nesta questão. E com os critérios definidos, deveria caber aos proprietários que não seguem as regras alguma punição por meio judicial. Infelizmente o brasileiro, que tanto gosta de gritar contra a corrupção (dos outros), só aprende quando a corda arrebenta do seu lado.

Placa treta: TS 1981 exibindo a placa pretaVale também repetir a reflexão que ouvi há poucos dias de um amigo sobre o tema: placa preta não é atestado de beleza. O Passat do anúncio está bonito? Sem dúvida alguma! Está bem preparado? Imagino que sim. Deu trabalho ao proprietário para deixá-lo assim? Com toda certeza. Mas mesmo bonito, bem preparado e dando trabalho pra deixá-lo neste nível, não é esse o objetivo da placa preta e do certificado de originalidade, que só leva esse nome por um motivo óbvio. E não venham tentar convencer alguém de que essa mecânica e as rodas Orbital estavam disponíveis em 1981.