Volte sempre

Um ano se vai e com ele muitas postagens desse blog, que tornam-se quilômetros vencidos, como numa viagem que se segue para frente, sempre. Longe do desejo de resumir o ano de 2012 num post, podemos afirmar que este ano deixará saudades.

Primeiro ano do blog, foi um tempo de experimentar, testar, ousar e ao mesmo tempo informar. Durante a existência do blog, séries de postagens vieram e cessaram, outras seguem publicadas de tempos em tempos, sem muita regularidade. Nosso desejo, sem dúvida alguma, era poder ter acesso a muitas fotos inéditas da fabricação dos Passat no Brasil ou de histórias dos carros dos leitores.

Ocorre que esse conteúdo depende em parte de contribuições e de sorte em encontrá-lo nessa imensidão que se tornou a internet, balizando dos compartilhamentos em massa e repetitivos das redes sociais. Afinal, como ser inédito e popular ao mesmo tempo?

Procuramos evitar fotos e fatos notórios ou que estejam publicados à exaustão pela internet. Nem sempre é possível seguir esse desejo, então publicamos algo interessante e que pode informar algum leitor que não acessa redes sociais.

Já podemos adiantar aos leitores que temos material para o próximo mês (ou próximo ano, como queiram), inédito e que foi obtido com colaboração de amigos que sempre estão presentes no blog, nos comentários e nas visitas diárias.

Portanto, amigo leitor, aguarde até o próximo ano para novidades, pois este ano de 2012, pelo menos no blog, termina por aqui. Há muito a comemorar, fruto deste espaço que é apenas um braço do site e do fórum da Home Page do Passat. Há também muito o que melhorar, por isso estamos sempre atentos às críticas e sugestões, não fazemos ouvidos moucos.

Nosso agradecimento a todos aqueles que estiveram conosco e contribuíram com imagens, relatos, depoimentos, textos e o carinho pelo Passat revelado em cada comentário.

Por isso, o convite da Home Page do Passat para 2013:

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Feliz ano novo, muita paz no coração e Passat nas ruas e estradas.

Apoio: Passat

E este post não deixa de ser um “Passat na rua”. Um belo GTS Pointer que serve todo dia como apoio para o toldo de uma loja de roupas na cidade de Manaus – AM.

A contribuição é do passateiro manauara Stenio Ricardo Ramos, dono de outro belíssimo Passat GTS Pointer.

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O Passat do dia pelo Street View

Bela dica que passa o nosso amigo/passateiro/blogueiro Artur Yamamura… Um dos Passat da seção que mais me surpreendeu, pela cor e por ser 4 portas. É mesmo surpreendente como ainda temos belos Passat espalhados pelo Brasil.

Vamos então ao desafio… Qual seria o ano e o nome da cor deste Passat?

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Bom velhinho

É Natal! Data de celebração, união e as tradicionais confusões nas ruas, nas estradas, nas lojas e durante as refeições nas casas (quanto mais bagunça, mais divertido é). Uma figura invadiu o natal no mundo todo, sendo um dos grandes símbolos e recebendo um nome em cada localidade, com características bem distintas. É o Papai Noel.

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Foto: Marcelo dos Anjos

Lógico que para nós brasileiros a clima de natal passa longe das roupas pesadas do Noel, da neve e das lareiras. Porém a inspriração na figura de Santa Claus com farta barba branca eum sorriso paterno veio das inúmeras propagandas da Coca-Cola no século passado, reforçando essa imagem de “bom velhinho” trazendo essa figura ao nosso país e popularizando-a nesse formato.

Para os americanos, Santa Claus mora no Polo Norte. Para os ingleses, Father Christmas reside na Lapônia, na Finlândia. E é na Lapônia que Papai Noel tem escritório físico, com direito ao bom clima de natal, renas e uma enorme quantidade de neve.

Aqui no Brasil, para os passateiros que se comportaram bem o ano todo e cuidaram bem de seu Passatinho, o “bom velhinho” irá visitá-los a noite, deixando presentes na garagem para esses meninos e meninas que passearam, fizeram manutenção preventiva e sempre o mantiveram em boas condições.

dsc00013wlkNa foto, o bom velhinho do Saymon Machado, presente no 12º Encontro do Passat Clube do Brasil e devidamente vestido para o natal.

E você? Foi um bom passateiro neste ano? Cuidou do “bom velhinho”?

Fröhliche Weihnachten

Em que pese esse espírito de natal, não podemos esquecer do aniversariante de hoje. Parabéns a Jesus Cristo e que essa data seja celebrada sem esquecer seus ensinamentos, independente de religião, credo e cultura.

Referências: http://pt.wikipedia.org/wiki/Papai_Noel

Pelo Street View… (2)

O primeiro post sobre os Passat flagrados pelos carros do Google já rendeu algumas contribuições… Vamos a uma delas, enviada pelo passateiro Pedro Ruta Jr, que conhece o carro pessoalmente. Um modelo aparentemente bem original externamente, exceto apenas pelo insulfilm e as rodas.

LSmarromgsv01 LSmarromgsv02Esse desafio está mais fácil… Então me digam: qual o ano e cor deste belo Passat?

Pelo Google Street View…

Já que o mundo não acabou, vamos dar continuidade ao blog…

Quem nunca brincou no Google Street View, o interessante (e de certa forma polêmico) serviço do Google que vem mapeando diversas cidades pelo mundo? Fora da Europa e Estados Unidos, o Brasil é um dos países que mais foi fotografado e mapeado pela empresa, sendo possível conhecer diversos lugares sem sair de casa. Com isso, diversas polêmicas sobre invasão de privacidade surgiram, mesmo que o Google desfoque o rosto das pessoas e placas de carros pelas ruas.

E assim como acabaram surgindo alguns flagras engraçados e curiosos, como o famoso caso da sequência de imagens da mulher tropeçando e caindo em Belo Horizonte (caso tão famoso que a imagem foi retirada), cenas de violência do cotidiano, acidentes, etc, para nós, admiradores de carros antigos, também foi uma boa oportunidade de ver alguns flagrantes pelas ruas.

E aqui vai o primeiro post sobre o assunto… Um belo Passat LS flagrado na rua pelo passateiro Gilson Magalhães. Por questões de segurança, sempre que possível vamos manter em sigilo a cidade onde o carro foi flagrado.

passatcinzagsv01passatcinzagsv02Aparentemente em ótimo estado e de uso normal, convenhamos que não é uma imagem muito comum nos dias de hoje.

E você? Tem algum bom flagra de Passat pelo Google Street View? Um Passat bonito, um Passat abandonado, o seu próprio Passat, algo que seja de interesse dos visitantes do blog?

A profecia do fim

Hoje, dia 21 de dezembro de 2012, pode ser o último post do nosso blog. Nem tanto pelas ocupações de seus blogueiros, mas por um evento previsto hoje pelo extinto povo Maia, ou seja, o fim do mundo. Se o leitor estiver lendo isto, bem capaz que nada tenha acontecido, como previam os céticos.

Novamente peço vênia ao leitor para relacionar um tema em voga com o Passat, desta vez tratando das especulações sobre o fim de produção do modelo no Brasil, em sua maioria vazias.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

No primeiro bimestre de 1977 algumas unidades do Dasher americano e do Passat com facelift europeu, foram flagradas circulando pelas ruas da fábrica 1, em São Bernardo do Campo-SP. Era o indício que alguma mudança estava por vir, mas diferente do que foi levantado pela revista o facelift brasileiro de 1979 previa uma frente muito semelhante à do Audi 80 1976 e à usada no Passat Sul Africano do mesmo ano, com faróis retangulares e piscas contornando o paralamas. Para refrescar a memória dos leitores, o belo Passat Ls do amigo João B. Adamo.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

 A Volkswagen do Brasil (VWB) entrava em 1980 com antigos projetos que usavam o motor boxer arrefecido a ar, muitos deles fadados ao fim numa época que ter carro fora de linha era sinônimo de defasagem de valor e fim de fornecimento de peças. O VW Passat era um dos projetos mais modernos da empresa, senão do país. Se não bastasse, a VW usou a plataforma do Passat B1 em seu novo projeto, a linha Gol e seus derivados, formando uma família completa.

O consumidor ainda tecia elogios ao Passat B1 e seu desenho, mas a empresa fazia testes de um carro que não se via nem na Europa. Era o Passat B2, flagrado no Brasil no final de 1980 pela revista 4 rodas. Ao seu lado, o VW Voyage, lançamento do ano seguinte. A forma da camuflagem enganou a revista, que achava se tratar de uma perua.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Não foi o único flagra. Nos anos seguintes os testes com o Passat B2 seguiam no sentido de decretar o fim do Passat B1. Entretanto, as exportações do modelo nacional começavam a ganhar o mundo ainda no final dos anos 1970, cuja importância para a manutenção da produção causou efeito por mais de 10 anos.

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Crédito: Luiz Fiorelli

A imagem acima mostra centenas de Passat com grade de quatro faróis, quatro portas e uma provável abertura total da tampa traseira, de difícil verificação na foto. Tantos carros semelhantes numa configuração incomum no mercado brasileiro despertaram a curiosidade do nosso amigo Cláudio P. Pessoa, que prontamente mostrou a imagem ao seu pai, que trabalhava no setor de expotação da empresa à época.

Segundo ele, esse lote de 1978 era destinado à Argélia, um destino desconhecido para a maioria dos entusiastas do modelo, tão acostumados com grandes importadores, como Uruguai e Iraque. A sagacidade do amigo Cláudio não parou por aí, que em pesquisas pela internet achou alguns sobreviventes no país africano.

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Crédito: Claudio P. Pessoa

As exportações começavam a ganhar força e o Passat B1, embora encerrado no início dos anos 1980 na Europa, era visto aportando nos países de terceiro mundo (demoninação dada à época), pouco exigentes em relação aos consumidores dos países de primeiro mundo e formando a lista de clientes da VWB, trazendo divisas ao Brasil.

prop_82exp prop_82exp2 Dos contratos de exportação mais famosos, o celebrado com o Iraque foi abordado num post aqui no blog, que foi elaborado com o apoio do André Grigorevski. O LSE iraquiano não foi o único brasileiro que teve o visto retido e por aqui permaneceu. Muitos carros destinados à exportação por aqui ficaram, em sua maioria pertencentes à frota da empresa e posteriormente vendidos aos funcionários. Inclusive o Claudio P. Pessoa foi proprietário de um desses modelos, também já mostrado aqui no blog.

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Enquanto isso, em 1983 o Passat nacional recebeu um novo Facelift, cuja frente tornou-se objeto de desejo dos proprietários de Passat, que corriam para as lojas de equipamentos para instalar a frente com quatro faróis, como do modelo acima.

Entretanto, nas concessionárias houve uma evidente queda nas vendas, especialmente provocadas pelo Chevrolet Monza, o carro mundial lançado em 1982. A ideia das propagandas acima era mostrar que o Passat também era um carro aceito no mundo, não só aqui, numa tentativa de chamá-lo de mundial, tal qual o recém lançado Monza. Quando a GM lançou o 3 volumes, o consumidor o elegeu como carro da classe média, levando-o a ser o carro mais vendido naquela época, um fato até hoje não repetido por um carro médio.

Não só as vendas do Passat iam mal, o Ford Corcel, seu concorrente desde o início, teve grandes perdas com o próprio canibalismo da linha Del Rëy. Dessa forma, era preciso uma reação, que ocorreu com o lançamento do Santana em 1984. Um carro moderno, cheio de requintes e que se diferenciava dos demais carros nacionais em tamanho e conforto, rivalizando com o Monza e travando uma guerra de motores com o lançamento do 2.0 na linha GM em 1987 e posteriormente em 1988 no Santana.

Fim de linha para o velho Passat? Não. Era o momento de transformação do carro, que foi renovado em 1985 com novo painel e parachoques envolventes. Enquanto o Corcel dava seu último suspiro em 1986, o Passat voltava a cair no gosto do consumidor, ao apresentar boa relação custo benefício e receber elogios rasgados da imprensa.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Não obstante, o lote de exportação destinado ao Iraque e que por aqui permaneceu, gerou uma corrida às concesionárias para compra dos exóticos LSE com ar condicionado e 4 portas. O consumidor nem se importava com as combinações de cores externa e interna pouco usuais. Tudo isso era uma demonstração de como o dinheiro era importante para o consumidor, que sofria com inflação, salários defasados, ágio e empréstimo compulsório na compra de veículos novos. Gastá-lo bem era colocar um carro com espaço e desempenho pelo preço de um carro menor e menos equipado, mesmo que não tivesse o status de um lançamento.

A fórmula foi usada por muitas empresas, que no final da vida de determinado projeto, passaram a simplificá-lo e oferecê-lo a valores convidativos. Dos carros mais conhecidos, o Chevrolet Kadett, VW Santana, Chevrolet Astra, Renault Megane Grand Tour, entre outros.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Ainda sob elogios da impresa, o carro era raro nas concessionárias, que dedicavam-se a vender grandes volumes da linha Gol e Santana, embora houvesse um nicho entre os dois carros, posteriormente explorado com a dupla Ford Verona e VW Apollo.

No final dos anos 1980, após relativo sucesso das atividades de exportação do VW Voyage, que recebia nomes variados nos países importadores (Fox nos EUA e Canadá, Amazon em países variados, Gacel na Argentina e demais países latinos), a VWB o apresentou aos iraquianos em substituição ao VW Passat LSE, como podemos ver nas fotos abaixo com o então presidente da filial brasileira da empresa, Wolfgang Sauer.

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Crédito: http://www.facebook.com/OHomemVolkswagen
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Crédito: http://www.facebook.com/OHomemVolkswagen

Se o carro agradou ou não aos clientes, resta a dúvida, mas é fácil constatar que o Voyage era um carro ligeiramente inferior em tamanho e espaço interno, o que pode ter sido a razão para o carro não ser viabilizado em terras iraquianas.

Entretanto, por diversos motivos, o contrato com o governo iraquiano não prosperou, levando a empresa a encerrar as atividades no país oriental no ano de 1989, trazendo consigo seus funcionários que lá permaneciam desde o início dos anos 1980.

Vale ressaltar que a VWB não voltou sozinha. Na mesma oportunidade vieram grandes construtoras que modificaram a paisagem do deserto, assim como muitos contratos celebrados com empresas brasileiras começaram a ser descumpridos pelo governo iraquiano, levando inclusive à falência da Engesa, fornecedora de armamento bélico.

Nem é preciso dizer que em pouco mais de 1 ano o Iraque passou de aliado americano a vilão, gerando uma guerra que arrasou o país e prejudicou a população por anos.

Dessa forma, o último pilar que sustentava a oferta de VW Passat B1 aos brasileiros ruiu. Não era viável manter em produção um carro sem um contrato de muitas cifras, como o que foi celebrado com o Iraque. A oferta aos brasileiros era também uma forma de manter bom volume de produção de peças, gerando uma diminuição dos custos.

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GTS Pointer em seu último Salão do Automóvel, em 1988.Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx 

Como todo herói em final de carreira, morreu pobre de equipamentos, abandonado por quem ele beneficiou, esquecido pelo grande público e deixando alguns órfãos, fiéis compradores que viam nele um ótimo carro, apesar dos sinais dos tempos.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Era o fim, depois de tantas profecias, quedas de vendas, contratos não cumpridos e novos modelos que tinham o intuito de substituí-lo. Se o Passat foi embora, deixou o legado de iniciar uma nova era na VW, com o uso de uma mecânica arrefecida a água e com dirigibilidade acima da média, servindo de base para a linha Gol, que dominou os anos 1980, 1990 e 2000, que até os dias atuais segue em produção com o Gol G4, carregando o motor em posição longitudial e pequenas peças mecânicas herdadas do projeto original.

Juiz de Fora, 1980 – Parte 2

Mais uma foto publicada no blog Maria do Resguardo, e mais um registro da cidade de Juiz de Fora em 1980. A imagem foi feita na rua Olegário Maciel, próximo a rua Halfeld.

A placa deslocada no Passat era um recurso usado ocasionalmente nos anos 70 e 80. Alguém saberia dizer o motivo? E o ano e cor do carro? Vamos ver quem mata a charada…

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Juiz de Fora, 1980

Há alguns dias conheci o excelente blog Maria do Resguardo, que publica fotos antigas da cidade de Juiz de Fora, MG. E o material de hoje vem exatamente de um dos posts deste blog. A foto foi tirada em junho de 1980, na Avenida Rio Branco, e pertence ao arquivo de Cássio Geovane Moreno.

Tomei a liberdade apenas de editar as cores das fotos, para tentar chegar mais próximo ao real.

Os visitantes do blog me ajudarão a decifrar o ano e o nome da cor deste Passat… Não está difícil.

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A torcida do contra

Aqueles que se interessam por futebol puderam assistir hoje a um jogo muito aguardado por uma torcida. Uma não, duas: uma torcendo pela glória e outra pela derrota de um time e tristeza de seus torcedores.

Fenômeno que se intensificou pelas redes sociais, torcer contra determinado time virou sensação entre usuários de redes sociais. Muito além das brincadeiras dos corredores das empresas ou da mesa de bar, falar de futebol não bastava e a torcida do contra ganhou força com o insucesso dos outros times. Torcer para seu próprio time não gerava felicidade, então que o outro também fique infeliz.

Essa conduta gerou até uma denominação muito usada pelos corintianos: Anti.

A gratuidade de torcer contra supera até algumas convicções (como torcer para um time argentino), aumentando a rivalidade e isolando cada vez mais o torcedor corintiano, que chega a ponto de nomear a torcida de nação, entre outros exageros próprios do fanatismo de alguns.

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Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress

Antes que o leitor comece a irritar-se ao tratarmos de futebol num blog sobre automóveis, explico: Existe uma torcida do contra quando o assunto é Passat?

AP: “contra tudo e contra todos”.

Frase usada pelo marketing do Corinthians, “contra tudo e contra todos” vai de encontro com a torcida “Anti”, cuja mensagem apenas reforça a rivalidade. Quando o assunto é Passat, convencionou-se chamar aqueles que gostam de preparação em mecânica VW arrefecida a água de “APzeiros”. A palavra, um neologismo com o pré nome do motor usado no Passat a partir de 1985, AP-600 e AP-800.

Ser chamado de APzeiro pode gerar dois tipos de reação: Há aqueles que colam adesivo no parabrisas e aqueles que colam um brinco na orelha de quem fala esse nome. Torcedores de dois grandes times de futebol de São Paulo, Corinthians e Palmeiras, também são conhecidos por apelidos.

Os corintianos usam o Gavião como mascote e os palmeirenses o Periquito verde. Alguns leitores podem ficar confusos, pois quando se fala em Palmeiras é possível ouvir a torcida gritando “Olê Porco”, entretanto porco era a forma ofensiva a referir-se a um palmeirense, da mesma forma que chamar de gambá um corintiano não é muito bem aceito. Nos anos 1990 o Palmeiras adotou o porco como mascote e diminuiu o tom das ofensas, vestindo a camisa suína.

Resumindo: para alguns APzeiro é uma ofensa, enquanto para a maioria é um “estilo de vida”.

Esse tipo de cultura automotiva é sui generis, algo próprio do Brasil. Um estilo de personalização e de vida que começou a ganhar força nos anos 1990, com a popularização da arrancada e fornecimento de peças de preparação, tais como turbo compressor, peças de motor forjadas, suspensão esportiva e barras de reforço. As peças melhoraram de qualidade, tiveram diminuição de preços e os preparadores começaram a dedicar-se mais ao assunto, profissionalizando-se.

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Fora das pistas, existe algumas regras para esse estilo: Carro rebaixado, rodas de liga, bancos esportivos, relógios e mostradores diversos no painel, equipamentos de som, além de alguma preparação no motor. Não é tuning, não é eurolook e não é Rot rod. É APzeiro, um estilo brasileiro.

Entre os carros usados pelos APzeiros, há o Passat, sem distinção de ano, versão, quantidade de portas, estado de conservação ou classe social de seu proprietário. Tão democrática e colossal é essa nação APzeira (sic), que há médico, juiz, advogado, professor, doutor, pedreiro e até bandido andando de “AP”, adaptando a frase usada certa vez por um presidente do Corinthians falou sobre a torcida do seu time.

E lógico que muitos se intitulam um bando de loucos, loucos pelo motor AP e seus quadrados (apelido dado aos VWs dos anos 80/90). Enfrentam nas palavras e nas pistas seus rivais, ou seja, o velho e respeitado motor GM 4100 cc de 6 cilindros, originalmente usado nos Opala/Caravam, mas que visitam cofres de carros da linha Chevette, entre outros. A briga é grande, com ótimos argumentos dos dois lados, mas ter um motor de 6 cilindros não é para qualquer um e conseguir mantê-lo na pista não é para qualquer braço.

Outro rival, os fieteiros e seus Fivetech, geram inúmeras imagens compartilhadas nas redes sociais, sempre com a discussão da força de um e da confiabilidade de outro. Briga por tempo determinado, pois esses motores tiveram vida curta no Brasil e sua manutenção é cercada de cuidados e peças com valores que superam algumas porcentagens do valor de um Marea ou Fiat Stilo.

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Foto: Facebook, “Tinha que ser APzeiro”

Assim como no futebol, os Anti APzeiros levam a pior em algumas situações, tendo razão em outras. Ou seja: Embora exista muita paixão envolvida no assunto, a razão bate em alguns pontos.

Entre as críticas, a de que todo carro de APzeiro é igual. Parece existir uma receita pronta, como a elencada retro. Entre os itens não citados, uma roda é regra em muitos carros: Rodas Orbitais (orbit, futura, etc) e suas variações. Sensação na linha Gol GTS e GTi 1991, as rodas orbitais passaram a bater ponto nos VW dos anos 1970 a 1990. A paixão é tão grande que podemos vê-las em carros atuais, em aros que vão do 14′ a 20′ (sem contar a calota 13′, destinada a quem não tem verba reservada ao automóvel).

Deixando a crítica de lado, é preciso dizer: A roda é a cara do estilo APzeiro, é própria do Brasil e combina com os VW (dependendo do aro e da altura do carro).

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Nem todo dono de Passat é APzeiro, assim como nem todo torcedor do Corinthians é “Favela”, como sugere a faixa que o técnico do time mostra na primeira foto do post. No meio dessa rivalidade, há muita gente pacífica, cujo desejo é acelerar o carro, cuidar dele, deixá-lo cada vez mais bonito e sentir aquela paixão, uma paixão inexplicável para quem não tem um VW com motor preparado.

Seja no futebol, seja dentro de um carro com motor AP, o combustível é a paixão, o que leva a cometer loucuras e destacar-se das demais pessoas ditas normais. Independente do time ou do carro, o respeito a essa paixão é essencial. Torcida contra, sempre haverá.

Fotos: homenagem ao Passat no RJ

Neste domingo o grupo AGMH, em seu tradicional evento mensal, fez um homenagem aos Passat e Gol. Já em ritmo de festas de final de ano e prejudicado pela ameaça de chuva, que acabou não se concretizando, ainda assim contamos com 10 Passat que participaram sem medo da água que poderia vir.

agmhpassat01Foi uma boa variedade de modelos, cores e estilos, que mostrou que os passateiros fluminenses, apesar da desanimada dos últimos tempos (fazendo aqui uma auto-crítica), continuam com potencial pra fazer mais se quiserem.

Fiquem com algumas fotos, enquanto a cobertura não é publicada em nosso site. Porém, mais curiosidades do dia de hoje ainda podem pintar aqui no blog…

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Passat do leitor: Euro look em Minas Gerais. #4

Dias atrás, quando trouxemos ao blog fotos deste TS 82 mineiro, Edivaldo seu proprietário prometeu mais surpresas. Até então, não poderíamos imaginar o que viria adiante e ficamos só imaginando.

A pouco tempo surgiu uma foto do teto do TS 82, durante os preparativos para instalação do teto. Pelas fotos, aparentemente era um teto solar de vidro, pois tudo o que aparecia era o gabarito para corte.

Eis que surge o verde mármore com um ragtop, deixando o carro mais especial ainda ao sair do comum.

088 106 025 038Edivaldo, que sempre foi criterioso quanto a originalidade nos seus Passat, desta vez não foi diferente. Digamos que apenas colocou mais tempero na receita e fez um carro que será ícone pelos próximos anos.

Obs: As fotos dos 4 posts foram feitas pelo Edivaldo e pelo Gustavo, seu filho.

Ipanema, anos 70

Mais uma bela foto que o amigo Matheus Marques, caçador de relíquias, me indica… A praia de Ipanema, Rio de Janeiro, com um colorido então tradicional no trânsito. Pelos carros (Variant II, Fiat 147, Passat anteriores a 1979), tudo indica que a foto foi tirada no final dos anos 70. Em uma das esquinas, com a placa indicando o nome das ruas, uma propaganda do clássico Guaraná Taí (acho que eu era um dos poucos que gostava desse guaraná).

E estacionado ali no canteiro central, seria um raro Surf 1978? E, mais raro ainda, vermelho?

A imagem foi publicada na página do Facebook do Praia Ipanema Hotel.