O prazer de dirigir sem platinado

O anúncio abaixo foi publicado no dia 05 de junho de 1979, no Jornal do Brasil, e fala das vantagens de aposentar o platinado, tão comum a maioria dos modelos naquela época, para usar uma moderna ignição eletrônica da Motorola.

Conheço um LS 1982 onde essa ignição Motorola foi instalada e na hora que vi o anúncio lembrei deste Passat. Uma pena que eu não tenha encontrado a foto da caixinha de ignição instalada. Será que sobraram muitos “sobreviventes” deste acessório de época?

E vocês, o que me dizem desta alteração? Já fizeram? Acharam que valeu a pena? Algo contra o platinado, que não deixa de ser uma peça bem simples e barata? Cheguei a instalar certa vez no meu 4M um kit de ignição eletrônica importado de uma loja de acessórios para VW clássicos. Era um módulo bem pequeno, instalado dentro do distribuidor (o que não exigia a sua troca), no mesmo local onde o platinado é instalado. Na época, foi bom e não alterou a aparência do motor. Porém algum erro (ou de projeto do módulo ou de instalação por parte deste que vos escreve) acabou por danificar o sistema e retornei ao bom e velho platinado.

05-06-79 - Ignição Motorola

A Ilha dos Antigos

E neste domingo foi realizado o I Encontro de Carros Antigos “Esse vale uma foto”, do blog “Registros Automotivos do Cotidiano” (ou, pra facilitar, RAC). O blog, como já citei aqui várias vezes (e não me canso de divulgar trabalhos que sejam bem feitos), registra carros antigos ou interessantes nas ruas do Brasil (e do mundo). Relativamente recente, foi criado no final de 2010 pelo Matheus Marques, que faz a maior parte destes flagras pelas ruas do Rio de Janeiro, e cresceu depressa, ganhou visitantes assíduos, colaboradores e, tenho certeza, amigos.

Variedade: Toyota Paseo originalíssimo, Kombi "rat" e Ferrari 308 GTS.
Variedade: Toyota Paseo originalíssimo, Kombi “rat” e Ferrari 308 GTS.

E depois de pegar gosto pelos eventos de antigos, lá foi o Matheus botar a mão na massa pra fazer um do seu blog, reunindo também os próprios personagens que já passaram por lá. O cenário pra isso não poderia ser outro, senão o charmoso bairro da Ilha do Governador, palco de grande parte dos registros que passam pelo RAC. O tempo nublado fez pensar que poucos carros apareceriam, mas a área reservada para o evento acabou ficando pequena… E a variedade de modelos impressionou: originais, modificados, os “rat” que a cada dia tem um grupo maior, os nem tão antigos mas ainda assim raros, esportivos, fora-de-série, clássicos, luxuosos, simples… Para cada categoria de carro que se pode pensar, havia algum representante. E mesmo em meio a modelos como Ferrari, Porsche e Lincoln Continental, um “modesto” Logus GLi 1994 roubou a cena de quem aprecia os originais. Sendo um modelo já raro de ser ver pelas ruas, ainda mais em bom estado, este legítimo representante da Autolatina parecia 0km e foi rodeado pelos visitantes do encontro quando chegou.

Logus GLi 1994: simplesmente impecável
Logus GLi 1994: simplesmente impecável

Os Passat foram representados por 5 exemplares, sendo dois LSE “Iraque”, dois exemplares da linha 1980 (LS e TS) e um LS 1981 com acessórios dos anos 80, como as rodas Jolly e teto solar da marca Panther, algo que não se vê todos os dias. O amigo Bruno Lara, proprietário do LS 1980, aproveitou a proximidade de casa e trouxe mais dois VW de sua coleção: uma Brasilia 1977 e um Fusca 1500 1973. Tive o prazer de ser escalado para ajudar nesta missão irrecusável… Na ida, trouxe o 1500 e relembrei a sensação de estar ao volante de um simpático (e impecável) Fusca. Na volta, levei a Brasilia e experimentei o carro que sempre tenho na lembrança quando penso no meu avô, que me levava pra passear na sua quando eu era pequeno.

A partir da foto do alto: Passat LS com acessórios dos anos 80; VW "a ar" que tive o prazer de dirigir; Passat LSE 1987: o escolhido pra me levar ao evento
A partir da foto do alto: Passat LS 1981 com acessórios dos anos 80; VWs “a ar” que tive o prazer de dirigir; Passat LSE 1987: o escolhido pra me levar ao evento

Ao final do evento, uma pequena “passateata” (será incorporado ao Aurélio futuramente, podem me cobrar) para o almoço, passeando pela Ilha e fazendo muitos pescoços virarem. Confesso que chegava a ser engraçado e nem sei quantas pessoas viravam impressionadas pra ver os três Passat. Até mesmo senhoras se viraram e cheguei a ouvir de uma “É desfile?”. Em outra ocasião, com o bom humor característico do carioca, o motorista de uma Kombi de lotação pegou o microfone que usa para anunciar o seu trajeto aos possíveis passageiros e perguntou em alto e bom som “É uma convenção de Passat?”. Bom saber que, de certa forma, vamos preservando a história…

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Passeio pela Ilha do Governador, seguindo os dois 1980 Marrom Avelã.

Por enquanto, aproveitem estas fotos. A cobertura com todas as fotos será publicada em breve, na área de eventos do site! E deixo aqui registrado meus parabéns ao Matheus e a todos que ajudaram na organização deste I Encontro de Carros Antigos “Esse vale uma foto”. Que venham outros, estaremos presentes!

John Lennon, 1980

John Lennon… Quem não aprecia suas músicas? “Imagine” é sempre a mais lembrada entre as canções de sua carreira solo. Há quem vá lembrar automaticamente dos Beatles, sua parceria com Paul McCartney na composição de inúmeras faixas dos discos (ah, sim… discos de vinil…).”Help!”, “Strawberry Fields Forever”, “Come Together”… Os exemplos são muitos e seria besteira ficar citando. John Lennon era também um artista polêmico. Entre muitas histórias, uma das mais famosas é a de quando, ainda nos Beatles, disse em uma entrevista “Somos mais populares que Jesus Cristo”, o que gerou protestos de grupos religiosos e indignação em muita gente. Provavelmente apenas uma má interpretação da frase… O fato é que o primeiro álbum dos Beatles fará 50 anos no mês que vem, John Lennon foi assassinado há pouco mais de 30 anos, mas o tempo não apaga sua obra.

Mas o que o John Lennon tem a ver com Passat? Pouca coisa, provavelmente. Ou quase nada. Porém, o suficiente pra merecer um post aqui. A foto abaixo foi enviada pelo jornalista e passateiro Flavio Gomes e mostra o ídolo em uma de suas últimas fotos, na cidade de New York em outubro de 1980. E em segundo plano… olha o Dasher ali.

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Passat na rua: Laranja

Andar pela cidade de carro não é tão produtivo para o blog quanto andar à pé. Sem a necessidade de concentração nos comandos, pode-se pensar em outras coisas, como em alguns assuntos que poderiam ser interessantes.

Então surge um carro que se destaca no cenário preto, prata e branco: Um Passat Laranja. Basta atravessar a rua e bater fotos discretamente.

WP_000160Esse modelo, certamente fabricado após 1985, era vendido em uma cor que não estava disponível no catálogo da fábrica. Ao lado do laranja, existia uma intrigante cor amarela, um amarelo Java. Não por acaso, são as mesmas cores usadas pela frota de táxi das cidades de Curitiba e Rio de Janeiro, respectivamente.

O modelo da foto, seria um Special?

Passat SpecialWP_000161Não por acaso, há muitos anos esses carros são vistos nas ruas de Londrina. São poucos os carros que vem de Curitiba, sendo mais comum carros de São Paulo migragem para o norte do Paraná.

Assim, os únicos carros na cor laranja dos anos 1980 vistos nas ruas da cidade são os Passat de duas portas. Geralmente são vistos com molduras dos faróis com cromados, frisos largos e emblema Village. Infelizmente são itens que podem ter sido instalados por seus proprietários após alguns anos de uso, sendo plausível que sejam mesmo da versão Special.

Este abaixo foi flagrado pelo Street View.

passat laranjaExiste uma grande probabilidade de que esses carros de cor laranja nunca tenho sido utilizados como táxi. Outros modelos semelhantes são encontrados pelo interior do Paraná, em sua maioria em bom estado de conservação.

Até um tempo atrás um amigo de Cornélio Procópio, que participava do fórum, era proprietário de um Passat laranja. A foto abaixo demonstra que o carro nasceu laranja.

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Na Galeria 22 do nosso site, há um modelo nessa cor, no caso um Special 1986.

Um caso curioso na história do Passat, pintado numa cor que era incomum nos carros fabricados nos anos 1980. E mais interessante é que atualmente alguns carros da marca são oferecidos num tom bem próximo desse laranja, salvo engano no CrossFox e até um tempo atrás na Saveiro Cross.

Andar à pé faz bem à saúde, à mente e ajuda a trazer algumas histórias para o Blog.

Guia: Antes de comprar seu Passat #7

Vamos em frente, para chegar na próxima fase, a compra. Chega o momento menos prazeroso, mas não menos importante. Pegue o martelo e dê adeus à incolumindade do porquinho. Quanto mais gordinho, melhor?

Democracia: pesquisa ou morte

Leitor, se existe algo democrático é o universo do carro antigo. Veja, dependendo da sua sorte, você poderá ganhar um Passat ou dependendo do seu bolso, gastará valores que vão além de um carro novo. Encontros de carros antigos reúnem carros que custaram poucos milhares de reais até pequenas fortunas. Há pessoas de posses, há pessoas humildes, há pessoas cultas, há pessoas de pouco estudo.

Da mesma forma, você encontrará anúncios de R$ 500,00 a valores censuráveis, como R$ 100.000,00, valor pedido por um exemplar impecável e imaculado, no ano passado. Não significa que quanto mais gastar no carro, melhor ele é. Tudo depende do que se busca e da sorte.

Comece a busca acompanhando sites de venda e demais anúncios virtuais. A internet mudou o paradigma local e fez valores subirem de modo voraz. Carros que pouco valiam devido à falta de informação de seus proprietários começaram a ganhar valor com o advento do acesso digital de informações.

Sabe aquela história do carro esquecido no interior do país sobre cavaletes por preço de banana? Muito raro encontrar um carro assim e geralmente seu proprietário conhece o valor do carro. Ele até pode exisitir, mas alguém já deve conhecê-lo e está esperando o momento exato de comprar. Tenha paciência e um pouco de sorte, vai que alguma informação quente surge e você é premiado.

Pense no seguinte: Não é porque há um anúncio por um valor X que o bem vale o quanto se pede. Muita gente se ilude achando que sites de venda tem nos valores oferecidos o quanto o público paga pelo produto. Ledo engano.

Quase de graça

Também seja criterioso com valores muito baixos ou muito altos. Carros com valores módicos podem revelar problemas graves, de documentação, mecânica e estrutura, principalmente pelo péssimo hábito brasileiro de anúncios de poucas fotos, feitas com celular de câmera de baixa resolução. Geralmente são carros montados e destruídos.

Como nada é exato nessa ciência, existe sim a chance de encontrar um Passat bom por um preço baixo. Há carros que tiveram a reforma/restauração iniciada e interrompida, bem como aqueles que precisam desfazer do carro para atender a alguma prioridade financeira, deixando o sonho de lado. Mas respire fundo.

532243_300968616666768_1828334695_nEsses projetos podem ser baratos no começo, porém demandam valores consideráveis em poucos meses, gerando gastos seguidos e uma jornada tortuosa em oficinas. Se você tiver disposição, coragem, conhecimento e for cercado de bons profissionais, saiba ainda que ficará bons meses sem dirigir o carro. Lutar nesses projetos tornam a brincadeira mais completa e mais gratificante. Lembre-se que não é para qualquer um.

Esqueça a reforma por menos de R$ 10.000,00. Se ela custar menos que isso naquele carro de R$ 1.000,00, é capaz que não tenha qualidade. Valores de funilaria, peças de ataria, pintura, mecânica, tapeçaria, acabamento externo e interno, documentação, guincho, eletricista, montador, tudo isso facilmente passa dos R$ 10.000,00, se for feito com critério e qualidade. Assim, aquele carro de R$ 2.000,00 custará facilmente R$ 15.000,00, no final das contas, senão cifras além dos R$ 20.000,00.

Não se iluda com o carro barato, esteja ciente que os custos poderão superar um carro já pronto, vendido acima de R$ 10.000,00. Se for o caso, vale a pena poupar um pouco mais e buscar um carro pronto, tomando os devidos cuidados para não levar gato por lebre.

Faixas de preço

Como o Passat ainda não conta com a raridade, procura e valorização de outros antigos desejados, há boas ofertas entre R$ 10.000,00 e R$ 20.000,00. Carros que demandam poucos reparos e podem ser comprados após uma negociação até um valor próximo da realidade.

Abaixo desse valor há carros honestos, maquiados, modificados, maltratados e a restaurar. Boas ofertas podem surgir, dependendo da época e da necessidade da venda do carro. Mesmo assim é bom cuidar na avaliação da mecânica, que poderá consumir um bom dinheiro se tiver algum vício oculto.

Negocie sempre. Há anúncios de R$ 25.000,00, cujo carro não vale nem seus R$ 5.000,00. Não descarte esses anúncios, tente negociar. Perguntar não ofende. Se ofender, não crie caso, apenas agradeça e siga em frente.

Difícil estipular quanto vale um Passat. Avalie isso comparando com outras ofertas de carros em estado semelhante e em versões equivalentes, mas não leve muito a sério o valor pedido, apenas servirá como referência. Cuidado com informações do vendedor, como “raridade”, de “colecionador”, “poucas unidades”, entre outros adjetivos que tentantam qualificar o carro como raridade. Isso é jardão do mercado, só serve para iludir o comprador iniciante.

Busca por raridades

Estabelecer se um carro é raro ou tem importância numa coleção não é tão simples e pode não ser muito interessante para o comprador iniciante. Para um carro ser colecionável é preciso que entre na equação pouca produção, destaque dos carros normais de linha e ser desejado, muito desejado e procurado por quem entende.

Um momento, leitor. Qual o objetivo de ter uma raridade? Avalie se isso lhe faz feliz, se o carro lhe agrada e vale a busca. Isso vale para o colecionador, que tem outros modelos e um objetivo claro na busca desse carro. Talvez o leitor queira apenas um Passat para rodar no final de semana. Então, se a raridade for seu objetivo, reflita até que ponto esse troféu lhe trará felicidade e orgulho.

Não vamos dizer aqui qual modelo é raro ou desejado. Isso é informação que interessa ao vendedor na hora de fazer um anúncio. Ao leitor cabe a pesquisa e a criação do vínculo com o carro, se for o caso.

Um exemplo comum é o mito criado acerca do Passat TS 1976. A maioria das pessoas diz que esse modelo é o melhor da linha, o mais raro, o mais desejado. Para o colecionador, pode até ser, pois o modelo não teve o mesmo número de produção dos anos seguintes e são raros os que mantém a originalidade.

DSC09081-As mesmas pessoas que o desejam o fazem por conta da faixa lateral acima do friso, pois muitas vezes querem colocar um câmbio de 5 marchas, motor moderno, interna moderna e de original, só as faixas. Nada de errado nisso, mas de TS 1976, só o documento, o que faz perder o sentido da escolha. Melhor seria buscar outro modelo e personalizá-lo, o que pode não ser aconselhável dependendo da versão escolhida para a réplica, mas evitará alguns arrependimentos futuros.

O que o TS 1976 tem de melhor que o 1977 e o 1978? Nada, pois nos anos seguintes houve melhora de acabamento e mecânica (bem sutil). O desejo pelo 1976 é pela faixa lateral e a aura de raridade que ele carrega. E nisso ele é imbatível no coração de muita gente, mesmo que seja só para dizer que é um TS 1976. Quanto mais TS 1976 surgir nas mãos dos entusiastas, melhor, desde que não vá para as mãos dos especuladores.

Os esportivos

Aí que entramos no fator valorização. Não é o objetivo do post, mas geralmente as primerias e as últimas unidades são bem desejadas, assim como os esportivos e as séries especiais. O Passat não foge disso. As versões esportivas atraem entusiastas, porém seu preço não vai muito além das demais versões.

Quem regula o mercado de veículos antigos é o público e seu interesse. Funciona assim nos Estados Unidos e aos poucos ganha força por aqui. A participação do Passat ainda é tímida nesse mercado, assim como seu valor entre os antigos.

Para o Passat a regra da conservação ainda supera o interesse pelas versões esportivas. O motivo? Basta pequenas modificações e o Passat mais simples fica mais atraente que os esportivos, aos olhos de muitas pessoas. Existe um público que aprecia todo tipo de Passat, ainda mais com alguma personalizações leves. Rodas então entre as mais comuns. Assim o valor das versões esportivas não se distancia muito.

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Há um público para os esportivos e se o leitor gostar do tema, vá fundo. Pesquise, seja criterioso e capriche na restauração. Se não valer a pena economicamente, fará o coração de muita gente bater mais forte ao vê-lo.

Bolacha de água e sal

Leitor, não esqueça dos modelos mais simples. Com tantos carros esportivos sendo restaurados e modelos simples sendo modificados, os modelos de entrada em estado original vão rareando. E eles podem ser mais interessantes que os esportivos, contando inclusive com uma grande dificuladade para reuní-los no futuro em um encontro.

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Veja com bons olhos aquele bem conservado Passat L ou o sóbrio Passat LS 1979-82. Os detalhes dele poderão destacá-lo na multidão, como fez o Heitor Nunes ao restaurar um Passat L 1976 e o João Adamo ao devolver a originalidade ao seu LS 1982, retirando muitos acessórios. Há momentos em que menos é mais, valorize os mais simples e faça a diferença.

Conclusões

Assim, concluírmos a parte mais complexa do guia, ou seja, o quanto você irá desembolsar. Veja o quanto você pode reservar para seu novo xodó, tomando as cautelas para não gastar tempo e dinheiro à toa, e fazendo todo esse trabalho valer a pena no final.

Em todos os casos é necessário usar a razão, ser organizado e metódico. Você terá que trabalhar alguns dias no ano para poder realizar esse sonho, então nada mais justo que vá com cautela às compras, tanto do carro quanto das peças. Saber negociar é o primeiro passo, seguido da organização de ideias e de prazos.

Vamos quebrar o porquinho ou fazê-lo ficar mais recheado?

Pérola #07

Revivendo nossa área de pérolas com um clássico… Quem se lembra da Paixão do Cariri, que ficou famoso no Orkut e tinha até blog do orgulhoso proprietário? “Perfect Tuning” é o que diz no adesivo do pára-brisa. Hmmmm… Ok.

Esta é a única foto que tenho guardada, alguém tem mais?

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Cidadão do mundo: Eslovênia

Eslovênia? Sim amigos, o primeiro post “cidadão do mundo” de 2013 não é dos Estados Unidos, da Alemanha e nem da Holanda, campeões de presença no blog no ano que passou.

O valioso achado foi indicação do amigo Saymon Machado, que entre os cuidados com o pequeno e recém nascido Gabriel, navega pelos mares virtuais e sempre encontra algo que foge do normal sobre Passat.

Um Audi 80 bem original e em boas condições.

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Dados do anúncio:

1978 Audi 80 1.3 1,900 €
Km: 150,000 km , Ano: 1978, Cidade: Slovenj Gradec, Combustível: Gasolina, Carroçaria: Berlina, Cor: Verde, Potência: 44 KW, Transmissão: Manual

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Guia: Antes de comprar seu Passat #6

Estar apaixonado por alguém é um sentimento que cria uma verdadeira barreira em algumas percepções, inclusive a desconfiança e uma analise dos defeitos da pessoa amada. Apenas depois de um dissabor e alguma frustração no convívio, é que a barreira se quebra e os defeitos florecem.

Não sofra por amor, assim como não faz bem sofrer por antecipação. Porém, conhecer os defeitos de um carro antes de comprá-lo ajuda a ter mais segurança no negócio, sabendo como avaliar um bom carro e no que se deve ter real cuidado.

Antes de casar, conheça os defeitos para não ter surpresas.

Conheça os defeitos

Nada produzido em escala industrial escapa de falhas de projeto e produção. Alguns defeitos são causados na tentativa de diminuir custos e tempo de produção, pelo projeto limitado tecnologicamente e com economia em materiais, bem como pela inépcia na manutenção, causada pela inércia de proprietários e reparadores. O Passat, como qualquer outro veículo, não escapa desses defeitos.

Não chega a ponto de ser conhecido pelo grande público pelos seus defeitos, como o Ford Pinto pela vulnerabilidade de seu tanque de combustível, Chevrolet Corvair pela instabilidade (Ralph Nader denunciou o defeito no Chevrolet em seu livro “Unsafe at any speed”), a Kombi nacional pela combustão espontânea (ao lado do Maverick 2.3 OHC, com o pejorativo apelido de Magic Click), entre outros. Seus defeitos são semelhanes a muitos outros carros de sua época.

De mecânica fácil para os dias atuais, o Passat sofreu certo preconceito no início de venda, tanto pelo sistema de arrefecimento do motor (único na empresa) quanto pela novidade do comando de válvulas no cabeçote e a suspensão dianteira McPherson, configuração inédita numa concessionária da marca.

Como já mencionado pelo jornalista Bob Sharp no famoso blog AUTOentusiastas, o Passat sofreu alguns defeitos à época, facilmente corrigidos hoje com a oferta de peças apropriadas e soluções encontradas ao longo dos anos. São os famosos problemas de carro “novo” que demoram a ser solucionados pelas mecânicos, até que alguém consegue achar a solução.

Suspensão

Entre os defeitos mais criticados à época de produção, a suspensão do Passat era motivo de reclamação em todos os cantos do país, principalmente naqueles que nunca viram um metro quadrado de asfalto. A fabricante realizou alterações nas buchas da suspensão ainda nos primeiros meses de 1975, assim como na calibragem dos amortecedores e em outros elementos do sistema. Não obstante, para a linha 1978 o Passat recebia nova calibragem da suspensão, com amortecedores menos rígidos que os anteriores.

Ainda assim a suspensão era alvo de críticas, até que a partir da linha 1979 a Volkswagen fez novas alterações mínimas, mas que entregava uma melhor condução que nos anos anteriores. Por isso há quem diga que os modelos de 1979 em diante eram mais confortáveis e com melhor dirigibilidade.

O leitor não tem muito com o que se preocupar. apesar da antiga fama, hoje há peças mais eficientes à disposição do consumidor, por um preço acessível. Com a produção e popularização do VW Gol, muitas peças compartilhadas com o Passat foram beneficiadas com a produção no mercado paralelo e o valor baixo.

Para uma suspensão confiável e de certa forma confortável, basta investir em boas marcas e não fazer muita economia. Pegue o valor das rodas de liga que você tem em mente para o projeto e invista na suspesnsão. Isso trará muito prazer ao volante, mais do que ficar olhando as rodas com ele parado.

Trincas na carroceria

Como toda carroceria monobloco, o Passat sofre com trincas e ferrugem em pontos espefícicos. Aí reside o cuidado com os carros que receberam pouca atenção ao longo dos anos, os reformados sem cuidado e aqueles que foram objeto de muitas alterações mecânicas.

Exceto aqueles irrecuperáveis veículos que sofreram muito por descuido de seus proprietários e motoristas, todo carro pode ter salvação, dependendo da gravidade dos danos à estrutura. Mas cuidado, pois o descuido numa reforma pode ser tão grave quanto não fazer nada. Há muitos casos de carros que necessitavam de pequenos reparos de funilaria e foram para reforma. Seu proprietário, por desconhecimento ou por influência do profissional, acaba aceitando uma reforma que é bonita por fora, mas denuncia um péssimo trabalho que deverá ser refeito no futuro, ou que não terá mais conserto.

hiro05Tenha especial cuidado com carros já reformados. Procure saber de seu proprietário atual o que foi feito e como foi feito. Não espere um relatório completo, mas estude o que foi falado e compare com o que dá para ver. Há coisas que não é possível esconder. É visível quando um carro foi repintado, reformado, modificado e quando o serviço ficou aquém do esperado por alguém criterioso.

Não descarte um carro reformado logo de cara. Veja se será preciso fazer algo de imediato e se ele atende à sua proposta. Tem carros reformados que precisam de pequenos reparos e podem andar anos sem um visual bonito, mas dando muito prazer e pouca dor de cabeça. Pense que o tempo que você poderia curtir um carro com detalhes poderá ser gasto numa oficina, podendo até virar armário do seu funileiro por alguns meses ou anos.

Comprar um carro reformado pode ser vantajoso no tempo economizado e no dinheiro investido. Dificilmente alguém tem de volta o que gastou numa reforma, salvo se o carro tiver uma valorização e procura muito grande no futuro. Não se deixe contaminar pelo vírus da especulação, escolha um carro usando a razão. Carros inacabados podem ser uma boa compra, se estiverem completos e por um preço convidativo. Aprenda a avaliar e a pensar no tempo e dinheiro a serem gastos no futuro.

Da mesma forma do carro reformado, não descarte os carros que já receberam modificações mecânicas ou participaram de competição. Se assim fosse, o museu do Dodge não teria um Charger R/T 1972 vermelho xavante, que recebeu um motor Hemi pouco antes de ser comprado pelo Alexandre Badolato.

Arrancada é o tipo de competição que exige muito do carro, mecanicamente e na estrutura. Para esse tipo de competição o carro tem que ter uma estrutura ótima, alinhado e sem ferrugem ou trincas sérias. Quando a estrutura começa a ficar frágil, passa a receber solda, o que pode piorar a condição da estrutura.

Comprar um carro que já participou de provas de competição é arriscado se nada for feito. Antes da compra é recomendado verificar o assoalho, olhas o cofre do motor, porta malas e outros lugares que podem ter recebido reparos ou que estão com trincas. Ao volante o carro de estrutura ruim  puxa para o lado, torce inteiro e chega até a abrir a porta durante o percurso. Para ter certeza da compra, leve um mecânico ou funileiro para ver o carro.

Compre, mas desmonte e resolva os problemas de trincas. Túnel acima do câmbio, longarinas e parede corta fogo podem sofrer eivas mesmo que por ventura nunca tenham cantado pneu numa pista de autódromo. Lombadas, buracos e acidentes podem causar danos à estrutura, sentidos a longo prazo.

Ferrugem

A ferrugem costuma atingir assoalho, porta malas, longarinas traseiras, paralamas dianteiro e traseiro. Também poderá haver trincas e ferrugem nas colunas e na parte acima da parede corta fogo, no cofre do motor.

hiro01Não tenha medo da ferrugem, mas também não coloque a faca nos dentes e pegue o primeiro carro enferrujado que aparecer. Há casos em que os custos vão muito além do que se paga num carro íntegro e imaculado. Avalie se vale a pena gastar tempo e dinheiro num carro assim. Há casos que vale a pena, desde que saiba exatamente o tamanho do problema a ser resolvido.

Acabamentos

Por fim, o acabamento do Passat é um grande problema. O painel sofre com o calor e é muito frágil. Achar um em bom estado é difícil, mas não impossível. Dica valiosa: Não compre nada antes de ter o carro. Há quem entre em desespero com as especulações de fim de oferta de peças de antigos e saia comprando tudo o que vê pela frente, mesmo antes de ter um carro para avaliar o que precisa ou não ser comprado ou trocado.

OLYMPUS DIGITAL CAMERAComprado o carro, aí começam as buscas pelas peças. Procure saber o valor médio e tenha paciência. Jamais compre no primeiro anúncio e sabia avaliar quando alguém pede muito por algo. Não use o valor praticado pelos sites de vendas on line como referência de valor. Há peças inflacionadas e que poderiam ser compradas ou até dadas por amigos.

Sendo assim, conheça antes de se sujeitar aos altos preços. Pagar quase mil reais num par de lanternas não é a primeira e nem a melhor opção. Gaste tempo e paciência atrás de uma peça, se o vendedor encontrou, você também encontrará por um bom preço.

Ciente desses defeitos, conte pontos caso o carro em vista não estiver com nenhum deles. Isso facilitará os próximos passos.

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Recuperação de filmes históricos de Jean Manzón

Texto e dica do eclético Mário César Buzian, que anda de V8, mas conhece e gosta muito de Passat:

“Uma das melhores inciativas da indústria foi a recuperação de filmes históricos de Jean Manzón, cineasta francês que se especializou em produzir documentários e filmes de curta-metragem desde os anos 30, que eram exibidos normalmente antes dos filmes comerciais nos cinemas brasileiros.
Dentre as grandes contribuições de Manzón, um dos maiores destaques foi a sem duvida a indústria automobilística e seus assuntos relacionados.
A Dana, vendo o potencial do nosso mercado antigomobilista, decidiu bancar a restauração de filmes importantíssimos da primeira fase das nossas fábricas, e o resultado final foi a criação de 3 DVD´s com esse riquíssimo material, enviado a museus, escolas técnicas e alguns profissionais relacionados à área automotiva.
Para quem não tem esses filmes, é possível conhecê-los um a um no site da empresa, a partir desse lnk:

http://www.dana.com.br/historia/topico_videos.swf

Vale MUITO a pena conhecer, é uma viagem no tempo do pioneirismo brazuca…”

Desta vez o post não tem relação direta com o Passat, pois os filmes são anteriores à sua produção. Aproveite a oportunidade para conhecer mais sobre a história da nossa indústria.

Guia: Antes de comprar seu Passat #5

Etapas cumpridas, conhecimento adquirido, chega a hora da revelação. Não do carro que irá comprar, mas da tribo que você mais se identifica. Escolha sua tribo, passe pela iniciação, faça a dança da chuva e vá à caça, como bom índio. Tão importante quanto ter um carro é encontrar um grupo de pessoas que podem ajudá-lo pensando de forma semelhante.

Escolha a sua tribo

Não adianta. Sentir-se um peixe fora d’água só ira atrapalhar a sua jornada. Imagine estar num local incompatível com seu estilo, seu modo de vida e com a sua personalidade. Você poderá se destacar, geralmente de modo negativo.

Dias atrás um cidadão mostrou descontentamento com o Passat, perguntando quem além dele não deseja ter o modelo novamente. Dependendo do nível de paixão de quem participa de um grupo de discussão, certamente críticas pesadas serão dirigidas ao usuário, e não ao carro.

Ou seja: Antes de falar “olá” procure conhecer o grupo, saber como eles tratam os assuntos, quais as regras do meio de interação e até a ética entre os membros. Quem está a mais tempo num fórum ou grupo tem mais liberdade para brincar e até ser crítico. Chegar dessa forma é visto como ofensivo por alguns, gerando discussões e debates desnecessários.

Leu as regras? Viu como as pessoas se comportam? Então veja do que conversam e use a ferramenta de busca para tirar dúvidas. Aquele vídeo, aquela reportagem interessante, aquele carro modificado, em algum momento algum dos usuários deve ter visto esse material e publicado. Se depois da pesquisa você não encontrou nada, então compartilhe.

Dessa forma você vai interagindo, conhecendo as pessoas que fazem parte desse grupo e até identificar-se com alguém mais experiente, que poderá ajudá-lo na jornada. Amizades surgem onde menos esperamos e podem ser duradouras.

Em poucas conversas e pesquisas o leitor poderá identificar as tribos. Não tem como fazer uma lista completa dessas tribos, mas geralmente o leitor encontrará aqueles que gostam de carros originais, os esportivos, as versões mais simples, aqueles que herdaram o carro dos pais ou de outro parente, aqueles que gostam apenas de velocidade, os que gostam de rodas/som/motor forte, os que apenas usam no dia a dia e param de participar quando vendem o carro, e por aí vai. Ah, há os APzeiros, mas aí é outra história.

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Leitor, a escolha é contigo, mas a dica fica. Não veja outras tribos como rivais e não feche portas. Esteja apto a conversar com todos os grupos e inclusive a mudar de ideia no futuro. Se a sua ideia inicial é do carro preparado e acaba abraçando um carro original, avalie o carro antes de personalizá-lo. Muitos ex proprietários de Maverick GT e Dodge Charger R/T devem se arrepender de ter modificado seus carros no passado e ver o quanto valem hoje. Não que o leitor esteja com o intuito de garimpar ouro, entretanto pensar um pouco no assunto não faz mal (o que será tratado em breve).

Ou seja, pense no futuro também. Antes que o leitor pense que estamos falando firula, leia sobre este belo TS 80. Seu proprietário, assim como muitos outros, mudou de estratégia após comprar o carro. Mudar de ideia ou de tribo vale, o que não vale é forçar uma situação e depois se arrepender.

Interagir, fazer amigos, envolver-se no tema. Cada passo feito com naturalidade vai tornando o caminho mais interessante e divertido. Pensar apenas no dinheiro é frio e pouco interessante, há atividades mais rentáveis.

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O desvio do vento: Argélia

Passat, um vento que cruza a Europa de Leste a Oeste, foi desviado para o Brasil, adaptando-se muito bem ao nosso clima e ecoando pelo resto do mundo. Um dos primeiros movimentos desse vento rumo a outros continentes, a Argélia teve suas ruas dominadas pelo Passat.

A Argélia é um país de grande território às margens do mar mediterrâneo e teve importância estratégica para o comércio na região por séculos. Dirigindo-se para o interior o clima árido do maior deserto do mundo limita a utilização do território. País de contrastes, há altas montanhas, com temperaturas que remetem aos países europeus, com direito a neve em pleno continente africano.

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Foto: http://the-rioblog.blogspot.com.br/2010/12/conheca-surpreendente-argelia-onde-o.html

Como todo território africano, foi cordialmente dividido entre países europeus, ficando sob domínio francês por décadas. Basta ver o mapa do continente para observar que as terras foram divididas com uma régua, recortado na medida do interesse dos colonizadores, sem considerar as tribos e o povo que ali residia, unindo inimigos e separando irmãos.

Esse domínio diminuiu a cultura do povo que originalmente habitava a região, que no caso da Argélia passou a fazer uso da lígua francesa e dos hábitos trazidos pelos colonizadores. As colônias enriqueceram os países europeus, causando inveja daqueles que não participaram da divisão, gerando dois conflitos mundiais que vitimaram milhares de pessoas e mudaram o mundo.

Num processo inevitável, muitos países recortados e dominados pelos europeus começaram a ganhar consciência e força de seus ideais, gerando um movimento pelo fim das colônias. Muitos países passaram por revoluções, a Argélia inclusive, de modo muito violento e cercado de atentados de ambos os lados do conflito.

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Foto: http://the-rioblog.blogspot.com.br/2010/12/conheca-surpreendente-argelia-onde-o.html

Ainda na década de 1960 o país deixou de lado o domínio francês conquistanto sua independência, com a retirada de muitos colonos e seguindo a doutrina árabe, tanto na religião quanto na lígua. O país sofre com uma identidade cultural que passa por três línguas e a escolha de uma religião única, o que acaba por extinguir todas as tradições do povo originário daquelas terras.

Argélia1A alguns dias nosso amigo e grande colaborador Cláudio Pessoa se dispôs a pesquisar sobre os Passat que foram destinados à Argélia. A imagem dos carros à espera de transporte no pátio já surgiu no blog por duas vezes, sendo o grande estopim para essa pesquisa.

Num site de pesquisas o resultado acabava remetendo ao site www.imcdb.org, que faz uma listagem dos carros que aparecem em cenas do cinema mundial. Lá Cláudio chegou ao filme argelino de 1982, cujo nome é “Zawj Moussa”, recebendo o título francês de “Le Mariage De Moussa”.

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O cinema argelino despontou na década de 1960, cuja temática era por vezes sobre a questão da colonização do país. Ainda sob muita influência francesa, é possível ver as ruas do país tomadas por modelos Renault, Citroen e Peugeot, além de uma boa quantidade de Passat.

passat_argelia_film_04 passat_argelia_film_01 passat_argelia_film_02Cláudio não se contentou com poucas passagens com Passat no filme e resolveu fazer um grande sacrifício. Assistiu a um filme argelino com legendas em francês, lígua que não domina. Cada Passat deve ter recebido dele um grito semelhante ao torcedor em dia de jogo após um gol. Coisas que só um apaixonado por Passat pode entender.

passatargeliafilm07 passatargeliafilm13 passatargeliafilm14 passatargeliafilm17Não obstante, passou a pesquisar se havia modelos à venda no país atualmente. Como é de se esperar, o estado dos carros não é dos melhores, após tantos anos no calor africano e no cotidiano de seus proprietários.

Como imaginávamos, eram modelos de 5 portas, quatro laterais e uma grande tampa traseira do porta malas.

passatargelia3 passatargelia5 passatargelia6 passatargelia8Embora utilize frente com grade, faróis e frisos compartilhados da versão TS, o carro apresenta acabamento semelhante à versão LS, sem o uso dos bancos altos.

pastarge3 pastarge4 pastarge5A pesquisa ia tomando forma no nosso fórum, recheando de informações que até o momento eram desconhecidas (os esquecidas). Enquanto o assunto era debatido e seguia apenas com fotos atuais e sem muitos dados sobre o contrato, eis que nosso amigo Saymon Machado tirou um coelho da cartola e encontrou uma nota no Jornal do Brasil sobre o contrato de exportação firmado pela Volkswagen com a Argélia:

passatargeliaBingo! Temos um número, 15 mil Vw Passat fabricados no Brasil enviados à Argélia. Até então o que tínhamos era uma foto do pátio da empresa e imagens das ruas do país. Agora temos mais uma excelente informação para os leitores, graças ao empenho dos amigos Cláudio Pessoa e Saymon Machado.

prop_82expApesar de importante para a Volkswagen, as operações na Argélia não aparecem na propaganda de 1982, que orgulhosamente estampa os países que receberam o Passat brasileiro. Mais um destino carimbado.

Apenas para encerrar o post, Cláudio cita trabalhos do saudoso Oscar Niemeyer na Argélia, que realizou obras na Universidade de Constantine, em 1969.

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Foto: http://the-rioblog.blogspot.com.br/2010/12/conheca-surpreendente-argelia-onde-o.html
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Foto: http://veja.abril.com.br/

Resta o mistério: Será que algum desses “argelinos” desviou a rota e por aqui ficou?

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Guia: Antes de comprar seu Passat #4

Nos primeiros posts da série fizemos um exercício antes de escolher um Passat. Tão importante quanto ter um carro é conhecê-lo, saber como ele era quando novo, saber avaliar o que o modelo oferecia e quais são os limites técnicos dele.

Pesquisa dos dados técnicos

Sim, leitores, é essencial conhecer o carro de forma técnica, ou seja, saber o peso, medidas externas e internas, capacidade do tanque de combustível, desempenho, entre outros itens. Mesmo que você vá usá-lo apenas nos finais de semana, é importante saber mais sobre o carro antes de comprá-lo.

Pesquise esses números antes de escolher a versão, o ano e a cor. Conhecer as medidas o ajudará a saber se a garagem comporta o carro e se há espaço suficiente para levar os petrechos do seu esporte favorito no final de semana. Quanto ao espaço interno, não há maiores críticas tanto dos proprietários de baixa estatura, quanto dos mais altos.

55Apenas a título de comparação, o VW Gol de primeira carroceria tinha a posição do volante deslocado em relação aos pedais, forçando o motorista a dirigir torto. Isso não existe no Passat, assim como o espaço no banco traseiro e do porta malas é suficiente.

São recorrentes as perguntas sobre motorização e sobre desempenho nos blogs, fóruns e grupos de discussão, entre outros meios de interação. São dúvidas que podem ser facilmente solucionadas após uma pesquisa no site da Home Page do Passat. Lá você encontrará dados sobre motorização, carburadores e testes de revistas da época de produção.

49Por vezes no mesmo ano há troca de nomes de versões, de motores, de câmbio e até acabamentos. Por hora, tenha ciência que essas diferenças podem ser sutis em algumas versões, porém são bem evidentes de um ano para outro, dependendo do caso.

Para o futuro pretendemos ter um post por versão, ano, modelo, com dicas de proprietários desses modelos para orientá-lo na compra. Será uma boa forma de detalhar os modelos e esclarecer algumas dúvidas de quem deseja comprar um modelo.

Quanto ao desempenho, vale ressaltar que estamos tratando de um carro que teve sua produção encerrada em 1988, então há motores com muitos quilômetros rodados, já sem aquele vigor dos tempos de “ouro”.

Bem capaz que o GTS Pointer 1.8 vermelho com teto solar não consiga fazer frente a um Fiat Mille atual. Acredite, para fazer um carro antigo e cansado andar bem é preciso cuidar de muita coisa antes de acelerar. Dificilmente ele terá a mesma compressão de quando era novo, portanto será preciso cuidado ao colocar os números de desempenho de 20, 30 anos atrás na cabeça e acreditar neles.

Antes de encher os pulmões e sair por aí gritando que um Passat dá cabo em qualquer carro 1.0 (e o Veloster, carro da vez nos memes gozados), pense que não é bem assim. Primeiro que não se deve ter um carro com o objetivo de apostar corrida a cada semáforo, como se todo motorista que se coloque ao lado seja um desafiante em potencial. Pior, leitor, é se o dono do plastimóvel topar e deixá-lo para trás. Então, não perca tempo com essas besteiras.

Se os números não confiáveis e você gosta de um carro forte, lembre-se que o Passat é um carro bem requisitado para as pistas e conhecido dos mecânicos e preparadores. Há muitas receitas para deixar o velho Passat com vigor além de carros esportivos, mas prepare o bolso! Vamos falar de carros preparados e já avisaremos: carro preparado não é só um “caracol do poder”.

E não acredite nas conversas de pescador. Saber os limites do carro não é recomendado nunca, muita gente que diz que pegou 220 km/h com um Passat não deve ter chegado a 70% disso. E saber quantos cavalos há  sob o capô não serve para muita coisa. O importante, para você que quer apenas um Passat forte, é pensar que para andar rápido é imprescindível ter segurança. Para você, leitor fã da velocidade, leitura obrigatória este post aqui.

34Pensando no mundo dos V8, certa vez um senhor, proprietário de um Maverick e um Mercury Cougar, perguntou para quê queria um V8. Se fosse para correr, tudo bem, mas se for para passear, é besteira. Certo ou errado, antes de preparar seu Passat na imaginação, com bobina MI, filtro esportivo de ar, coletor e câmbio de 5 marchas, pense no que os números realmente lhe serão necessários.

Sendo assim, vá atrás dos números e sabia que alguns podem ser mudados. Mas cuidado com os números que estão no seu bolso.

I Encontro “Esse vale uma foto”

O blog Registros Automotivos do Cotidiano realizará seu primeiro encontro de carros antigos. E, sendo um blog carioca e do bairro da Ilha do Governador (um lugar que acabei conhecendo como um grande celeiro de carros interessantes, antigos e novos), nada mais apropriado do que realizar o evento no mesmo bairro.

Os Passat estão convidados, é claro! E repasso aqui o convite para que todos compareçam e prestigiem. O encontro será no dia 27 de janeiro e acontecerá a partir das 9:00 no estacionamento do supermercado Assaí, bem fácil de chegar. A entrada é franca, mas pede-se a doação de 1kg de alimento não-perecível.

O endereço do Assaí, para quem não conhece, é Avenida Maestro Paulo e Silva, número 100 e é quase vizinho ao Ilha Plaza Shopping. Mas a entrada também pode ser feita pela Estrada do Galeão, logo após o retorno. Pra ver no Google Maps, basta clicar aqui.

Haverá algum bom encontro de antigos ou exclusivos de Passat na sua cidade? Avise-nos e será devidamente publicado!

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Cinema 1

Já perceberam uma atração sobrenatural entre os Passat e os cinemas? Não é o primeiro que pinta por aqui… Dessa vez, a foto (de 1990) é do Cinema 1, que ficava em Copacabana, no Rio de Janeiro. No cantinho, um Passat 79-82. Possivelmente um LS, pela presença do friso (apesar de muitos proprietários instalarem este friso em outras versões).

Em exibição, o filme “Cinema Paradiso”, que conquistou o Oscar de melhor filme estrangeiro no mesmo ano.

E a foto é contribuição do amigo Matheus Marques, o rei dos flagras automotivos.

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