Passat 5 portas: um raro registro

Passat 5 portas 1978Foto de divulgação de época da Volkswagen do Brasil, mostrando um raro Passat 5 portas. Como já falamos aqui na Home-Page do Passat em outras ocasiões, essa configuração era destinada exclusivamente para exportação. Algumas poucas unidades acabaram ficando por aqui, quase sempre dos modelos 1980 ou 1981.

É interessante notar os detalhes da unidade da foto. O volante nos leva a crer que seja um modelo de 1978, com bancos dianteiros de sem encosto de cabeça, que já não eram comuns nessa época. Além disso, a foto nos mostra lanternas “tipo exportação”, como os anúncios de lojas de acessórios chamavam na época, com a seta âmbar como passaram a ser no mercado interno a partir de 1981. Não sei se é apenas a impressão que a foto em preto e branco causa, mas parece que a forração das portas é toda do mesmo material, não possuindo a parte inferior de buclê como era comum. Pra qual país teria sido destinado?

Passat TS na Nigéria

nigeria_ts600pxUm curioso folder do Passat TS na Nigéria é o tema do post de hoje no blog. Segundo o site The Samba, o ano seria 1985. Porém, como aqui no Brasil o Passat recebeu diversas mudanças na linha 85, e é de conhecimento que estes modelos atualizados foram enviados para lá, não podemos atestar com 100% de certeza que o ano informado está correto.

Como diferenças mais marcantes, além do uso da sigla TS após 1982, o último ano da versão no Brasil, destacamos grade, pára-choques e polainas na cor do carro, a carroceria de 4 portas nunca oferecida nas versões esportivas do Passat brasileiro, o retrovisor simples como os usados no Passat Special na mesma época, além do aerofólio na tampa traseira, que aparece discretamente na foto.

O folder informa entretanto, nos equipamentos de série, que a grade do radiador era preta e os pára-choques cromados, assim como os modelos vendidos no Brasil. Apesar de muitas pesquisas, não conseguimos determinar se o texto do folder está errado ou se a possibilidade dessas peças na cor da carroceria eram opcionais. Além disso, pelos dados informados no folder, o modelo da Nigéria usava o nosso conhecido motor MD-270, painel e console iguais aos dos nossos TS/GTS Pointer até 1984, além de ar-condicionado de série.

Se você tem maiores informações a respeito dessa versão nigeriana do Passat TS, entre em contato e nos ajude a solucionar as dúvidas!

Jóia da Finlândia

Passat LS 1.3 1974Dessas coisas que aparecem de vez em nunca na vida, tanto aqui quanto em qualquer lugar do mundo… O belíssimo Passat das fotos é um LS 1974 com a mecânica 1.3 que nunca tivemos aqui, mas foi usada também no Audi 80 que usava a mesma plataforma.

Passat LS 1.3 1974Essa pequena jóia está na Finlândia e teve as fotos publicadas no Facebook. Trocou de dono recentemente, tendo sido do primeiro proprietário até então. Segundo o novo (e certamente muito feliz) dono, este Passat nunca sofreu qualquer restauração de lataria, mantendo sua pintura original de fábrica, assim como o pára-brisa, e sempre teve sua manutenção realizada na mesma concessionária. E nem vou me dar ao trabalho de comentar o interior claro, com bancos de encosto baixo.

Difícil não querer um assim na garagem…

Táxi especial

Passat táxi de 4 portas é apresentado em São Paulo, em 1975.
Passat táxi de 4 portas é apresentado em São Paulo, em 1975.

Alguém já teve a oportunidade de andar em um Passat táxi? Não os modelos atuais, que ainda assim eu não vejo fazendo este serviço, mas o nosso Passat? Na infância tive essa chance, em fins dos anos 80 e durante os anos 90 em poucas ocasiões. Mas, pelo menos no RJ, os Passat nunca foram os preferidos pra este serviço. Registros de Passat nessas ocasiões são sempre interessantes, e por aqui já tivemos pelo menos um post sobre o assunto, mostrando um Passat como táxi especial em meio a muitos Opalas e um Maverick.

A foto do post e o texto a seguir foram extraídos da “Revista da Associação Comercial”, atual “Revista do Empresário”, de uma edição de 1975. A nota tinha como título Prefeitura de São Paulo aprova versão táxi de 4 portas. E o texto falava especificamente sobre o Passat, que havia sido aprovado como táxi especial, que circulavam nas cores vermelho e branco. Um dos pontos mais interessantes do texto fala sobre as diferenças introduzidas na versão táxi. Dizia a nota:

“A versão especial do VW-Passat de 4 portas para os serviços de táxi acaba de ser aprovada pela Secretaria dos Transportes de São Paulo. O carro, desenvolvido por engenheiros do setor de Construção Experimental da Volkswagen do Brasil, foi apresentado na última semana ao sr. Mário Alves de Melo, secretário dos Transportes, e a outros técnicos, entre os quais o sr. Eduardo Dente (diretor do Departamento de Operações de Táxi – DOT), o coronel Loredano Cássio (diretor do Departamento dos Serviços Viários – DSV) e o comandante Celso Franco, este, ex-diretor do Trânsito da Guanabara e atual membro do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN). Também o prefeito Miguel Colasuonno viu e gostou do veículo.

Devido às suas características de projeto e construção, o VW-Passat de quatro portas foi pela Prefeitura de São Paulo na “Categoria Especial”, criada de acordo com a nova política que objetiva dar  melhores táxis aos paulistanos. Segundo essa classificação oficial, o Passat táxi disporá de 200 pontos de estacionamento exclusivos em locais privilegiados – estações de embarque e desembarque de passageiros e ruas mais movimentadas do Centro – e terá uma tarifa própria, cujos preços são superiores aos estabelecidos pelos táxis comuns: Cr$ 4,00 a bandeirada, Cr$ 1,30 por quilômetro rodado e Cr$ 15,00 para a hora parada.

Carro Especial

Em relação ao Passat de quatro portas normal, a versão táxi será bastante diferenciada, pois sairá de fábrica com taxímetro, tacômetro e outros instrumentos especiais, todos agrupados num console central. Essa localização foi projetada tendo em vista permitir fácil manuseio e visibilidade e, particularmente, com a preocupação de maximizar a proteção do motorista e do passageiro contra o risco de ferimentos em caso de acidentes. No console também estará localizado, como equipamento normal, o fone do sistema de rádio-comunicação, que possibilitará o controle dos veículos da frota pelas cooperativas de motoristas que deverão ser autorizadas a operar no sistema de táxis especiais.”

Alguém já teve a oportunidade de ver um Passat com estas modificações de fábrica?

Passat, 42 anos

Fonte: Museu da Imprensa Automotiva - MIAU
Fonte: Museu da Imprensa Automotiva – MIAU

E hoje, dia 21 de junho, comemoramos 42 anos do lançamento do Passat, apresentado para a imprensa no Rio de Janeiro. O fato não poderia passar em branco. É desnecessário repetir aqui o que significou este lançamento, não apenas para a Volkswagen no Brasil, mas também para a indústria nacional. Tanto que, 42 anos depois, ainda estamos aqui admirando, dirigindo, nos divertindo e, porque não, nos aproveitando deste excelente projeto.

A imagem história acima é da ótima página MIAU (Museu da Imprensa Automotiva), que tem um acervo impressionante de imagens e informações e faz um trabalho sério e competente.

Acende o farol, acende o farol!

Farol baixo nas estradasFoi publicada hoje no Diário Oficial da União a Lei 13.290, que trata de uma alteração simples, porém que envolverá uma mudança de hábito no motorista brasileiro: os veículos deverão trafegar de faróis baixos acesos nas rodovias, mesmo durante o dia. A obrigatoriedade começa a valer no dia 7 de junho. O projeto de lei, de autoria do deputado Rubens Bueno (PPS-PR) que datava de 2013 e apenas em setembro de 2015 foi aprovada na Câmara dos Deputados, e no final de abril deste ano pelo Senado, visa aumentar a segurança nas estradas brasileiras. Andar de faróis acesos durante o dia não é novidade e nem será exclusividade brasileira, já que em diversos países isso é uma realidade antiga. No Brasil, alguns carros saem atualmente equipados com a luz diurna, acesa enquanto o veículo está em funcionamento, mas que não vale como farol baixo.

Um estudo realizado nos Estados Unidos pela National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), concluiu que o uso dos faróis baixos durante o dia reduziu em 5% o índice de colisão entre carros e em 12% o acidente entre veículos e pedestres/ciclistas. Outros estudos pelo mundo também comprovaram a eficácia da medida. Porém, é claro que cada país tem suas condições climáticas que alteram a visibilidade nas estradas, e um estudo do caso no Brasil seria ideal pra verificar se a medida seria de fato eficaz ou se é apenas mais uma alteração de lei entre tantas que temos por aqui. Ressaltamos que o descumprimento da obrigatoriedade está sujeito a multa de R$85,13, com perda de 4 pontos na carteira.

Aproveitamos pra lembrar que o uso de faróis de neblina durante o dia não tem o mesmo efeito, além de ser proibido em condições climáticas favoráveis. Segundo o Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro, as luzes de neblina devem ser usadas em caso de chuva forte, nuvens de pó e (acreditem se quiser)… neblina! Portanto, vale a frase que usamos aqui há muito tempo: farol não é brinquedo e carro não é árvore de Natal. Use as luzes corretamente. Nesse caso, tanto a falta quanto o excesso podem provocar acidentes, portanto tente sempre ser um motorista melhor do que você acredita que é. E como dizia o Tim Maia: “Acende o farol!”.

Personalização de placas em SP: o que muda?

placaemspNos últimos dias muito tem sido falado sobre o projeto de lei aprovado no estado de São Paulo e que entrou em vigor no último dia 3 de maio. Este projeto previa, entre outras alterações na antiga Lei 15266/2013, a possibilidade da personalização das placas dos veículos, que era possível tempos atrás, mas que já há algum tempo não estava mais disponível. O proprietário poderia, no máximo, escolher a combinação de sua placa entre 20 possibilidades aleatórias geradas pelo sistema do Detran-SP. Agora é possível novamente escolher uma combinação que esteja disponível e dentro dos prefixos destinados ao estado, que vão de BGA-0001 até GKI-9999. A lei 16080/2015 foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo no dia 28 de dezembro de 2015 e é possível acessá-la através deste link.

A publicação da lei tem sido comemorada por muitos como uma vitória também dos antigomobilistas, que poderiam escolher a placa de seus carros, usando o ano de fabricação por exemplo. Mas como essa nova lei influencia os donos de veículos antigos no estado de São Paulo? É melhor se conter, pois para os donos de antigos quase nada vai mudar. A escolha de uma nova placa está prevista apenas para veículos 0km que ainda não foram emplacados e, para os antigos, é possível apenas escolher a combinação caso o veículo esteja passando da antiga placa amarela para a nova placa de três alfas. Para todos os demais veículos já devidamente registrados com placas de três alfas, sejam novos ou antigos, nada muda. Ou seja: se o seu carro já tem placa cinza ou preta, conforme-se: ele continuará com a mesma combinação por muito tempo, ou até que ela seja alterada por um novo padrão de placas, como a que deve vigorar a partir de 2017 (apesar de haver algumas informações não confirmadas de que os veículos já emplacados manterão sua combinação de letras e números, porém no novo padrão de cores e formato das placas).

É importante ressaltar que, mais do que um aparente simples capricho, a escolha da numeração da placa, ou pelo menos o seu dígito final, pode ser muito importante para quem mora na capital paulista, por conta do rodízio. Daí a lei ter sido naturalmente pensada para quem vai registrar um veículo novo, que será colocado em uso no dia a dia.

Cidadão do Mundo: Champagne Edition

Dasher Champagne Edition 1977Uma versão bem interessante que esteve a venda recentemente no Ebay é este Champagne Edition. O carro, emplacado no estado da Georgia, tem o charme da pintura original com a pátina do tempo e foi anunciado por um colecionador que possui outros VW na garagem. O prazo do leilão terminou e o carro foi vendido, mas infelizmente não deu tempo de saber qual foi o valor final.

VW Dasher Champagne Edition 1977VW Dasher Champagne Edition 1977A linha Champagne Edition foi vendida em 1977 e, segundo a própria literatura da Volkswagen na época, foi lançada pra comemorar a produção de 1 milhão de Rabbits (o nosso conhecido Golf). Por conta disso, foi lançada nos EUA não apenas o Rabbit Champagne Edition, mas também outros quatro modelos: Dasher, Scirocco, Beetle e Bus (Kombi). Cada modelo tinha suas características exclusivas, fazendo com que a série fosse realmente algo diferente quando comparada aos modelos normais de linha. O sucesso foi tanto que em 1978 a VW lançou nos EUA a série “Champagne Edition II”. Os mesmos modelos foram oferecidos, porém com mais opções de versões. O Dasher, por exemplo, vendido na primeira edição apenas na versão 3 portas, na segunda edição também foi oferecido nas versões 5 portas e wagon.

VW Dasher Champagne Edition 1977
Características do modelo anunciado: teto solar e estofamento original
Imagem do material publicitário da época da linha Champagne Edition
Imagem do material publicitário da época da linha Champagne Edition

O Dasher Champagne Edition era produzido na cor Turmaline Metallic, com um belo estofamento cinza. Alguns equipamentos vinham de série nesta versão, como o câmbio automático, ar-condicionado, vidros verdes e o teto de solar de metal.

Ano Mundial do Antigomobilismo

Logo FIVA - Fédération Internationale des Véhicules Anciens

A FBVA informa: “A Federação Internacional de Veículos Antigos (FIVA) tem o prazer de anunciar que a UNESCO concedeu oficialmente o patrocínio ao Ano Mundial da Antigomobilismo (Ano Mundial da Herança Automotiva) 2016, provendo assim endosso moral e suporte ao excepcional programa da FIVA.

A Diretora Geral da UNESCO, Sra. Irina Bokova, parabenizou a FIVA pela iniciativa de celebrar o Ano Mundial do Antigomobilismo, por promover a preservação de veículos históricos e mostrar a tecnologia de época às futuras gerações.

A Sra. Bokova salientou que a FIVA ajudou a valorizar a historia da motorização e incrementar o intercambio cultural entre os 64 paises onde a entidade é representada. Também destacou que as atividades de celebração do 50º aniversário da fundação da FIVA, comemorado em 2016, contribuem ao desenvolvimento social, cultural cientifico e técnico da humanidade.

A Federação está planejando uma série de atividades e iniciativas para celebrar o Ano Mundial do Antigomobilismo, muitas dos quais prosseguirão além de 2016. Este ano, as comemorações culminarão com uma semana de festividades em Paris, cidade natal da FIVA.”

 

Ignição Prematronic

prematronicUm anúncio bem interessante é este do módulo de ignição Prematronic, de maio de 1976 (revista Quatro Rodas). Saudosistas ou não, devemos admtir que a dupla platinado e condensador sempre pode nos pregar algumas peças quando a gente menos imagina. Apesar de barato, o desgaste do platinado é relativamente rápido, exige ajustes periódicos, além de não ser o método mais eficiente de ignição disponível. O módulo da Prematronic mantinha o platinado, porém prolongando sua vida útil, assim como o prazo de regulagem. E como todo módulo de ignição, prometia partidas à frio mais rápidas, marcha lenta mais suave e uma melhor disposição do veículo. Do alto da minha mais profunda ignorância sobre o assunto, creio que seja um sistema parecido com o atualmente famoso módulo de ignição assistida do Tonella, que tem recebido muitos elogios. E a Prematronic também era recomendada em sua época.

Tanto que a própria Volkswagen passou a vender esse módulo, com a marca VW, em sua linha de acessórios. É interessante encontrar informações sobre sua utilização em um site dedicado a Rural Willys, com direito até ao manual de instalação. Tenho um módulo desses, que estava esquecido no estoque de uma concessionária, mas não tive coragem de usar (nem de desenrolar os fios, como podem reparar na foto). Vou deixá-lo como objeto de coleção. Até hoje uma famosa loja de peças de VW vende esses módulos. Claro que o preço não é tão convidativo assim…

Módulo Prematronic vendido pela VW em sua linha de acessórios
Módulo Prematronic vendido pela VW em sua linha de acessórios

Pra quem quiser facilitar a vida e fugir dos problemas de desgaste do platinado, mas não quer trocar todo o sistema, um módulo como esse ou o produzido pelo Tonella pode ser utilizado. Existem também uns pequenos módulos que são instalados no lugar do platinado, também usando todo o restante do sistema original do carro, trazendo ótimos resultados. Seja qual for a sua opção, vale a lembrança desse acessório de época.

Cidadão do Mundo: África do Sul

Um Passat 1977 bem interessante que foi publicado em um grupo do Facebook recentemente… Vem da África do Sul, que até onde sei foi o único país onde essa grade e faróis foram usados no Passat. O exemplar foi levemente modificado com rodas de tala bem larga e um discreto aerofólio na tampa traseira. Reparem também a direção do lado direito, como convém ao país em questão.

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Cidadão do mundo: Dasher 1975

VW Dasher 1975Com esta dica fantástica do amigo Mário Buzian, que está sempre em busca de modelos interessantes não apenas no Brasil mas também no exterior, tomo a liberdade de reviver a série “Cidadão do mundo” que durante um período era publicada em nosso blog. O Dasher não é um modelo muito cultuado em terras norte-americanas e por consequência nem sempre encontramos bons modelos anunciados por lá. Mas o que dizer quando aparece um Dasher 1975 ainda com pintura original de fábrica e 9.100 milhas rodadas (cerca de 15.000km)?

VW Dasher 1975
Pára-choques conforme a legislação norte-americana, lanternas com seta âmbar e refletores na lateral são algumas das diferenças entre o Dasher e o Passat brasileiro. Na foto abaixo, o conhecido motor 1.5.

O anúncio foi publicado no site Bring a Trailer, e no exato instante em que escrevo este post o valor do lance está em US$2.100, faltando cerca de 22 horas para o fim do leilão. O longo texto do anúncio, contando um pouco da história do modelo nos EUA, e a quantidade de fotos detalhadas até nos fazem lembrar dos “vendedores gourmet” que se espalharam pelo Brasil (favor não interpretar errado, achando que coloquei todos os vendedores de antigos no mesmo patamar). A grande diferença entre lá e cá é que aqui os valores pedidos também são gourmet e nos fazem pensar que todo carro anunciado é um modelo único no mundo.

Mas voltando ao Dasher anunciado, nos pareceu extremamente original e bem conservado. Uma lástima perceber que em qualquer parte do mundo o painel do Passat sofre com as rachaduras, mas creio que este seja o único ponto negativo do carro. O estepe ainda é o original de fábrica segundo o anúncio, com pneu produzido na Bélgica e a roda datada de setembro de 1974. O conjunto mecânico é nosso velho conhecido: motor 1.5 à gasolina e câmbio manual. A maioria dos Dasher que aparecem possuem câmbio automático, como convém ao mercado norte-americano, e muitos tem motores diesel.

VW Dasher 1975
O interior também possui diferenças em relação ao modelo produzido no Brasil. Mas o painel rachado indica que este ponto fraco não era nossa exclusividade.

Há uma certa diversão em procurar as diferenças entre o Dasher e o Passat brasileiro. Fora os pára-choques que atendiam a legislação norte-americana, cuja diferença é gritante, e o velocímetro em milhas, há diversas pequenas diferenças, como o retrovisor (de inox como os nossos, porém com base preta), os refletores nas laterais do carro (vendidos aqui nos anos 70 como acessório), os frisos dianteiros utilizados aqui nos TS e LSE até 78, comando de seta, luz de advertência sobre o uso do cinto de segurança, lanternas tricolores, entre outros.

Que encontre um novo dono que o mantenha neste estado de conservação e originalidade!

Programa de renovação da frota

Reciclagem de carros - Passat TS
Créditos da imagem: Detran-RS

Já deveríamos estar acostumados… Há anos, de tempos em tempos, pipocam notícias com títulos assustadores para quem tem carros mais antigos, com uma teórica ameaça sobre nossos “velhinhos”. Dessa vez a outrora ótima revista Quatro Rodas foi a bola da vez, publicando a matéria cujo título é “Governo quer tirar das ruas carros com mais de 15 anos”. O título é, de fato, desesperador… Como assim vão tirar os carros de seus legítimos proprietários? Logo começa o desespero, a ladainha, o chamado mimimi que tanto nos assola nas redes sociais. Ao abrir a matéria para ler (ler a matéria… leitura… lembram do último post?), percebe-se que é apenas a idéia de um programa de renovação da frota que o Ministério do Desenvolvimento parece estar prestes a lançar (após cerca de 20 anos de especulações), onde o proprietário de um carro com mais de 15 anos poderá, caso ele queira, entregar seu veículo em uma concessionária e receber uma carta de crédito para a compra de um veículo 0km. O carro entregue será destinado a reciclagem. Em resumo: não seria obrigatório. Mas, título sensacionalista lançado e grande parte do público de hoje que é leitor apenas de títulos começa a reclamar. Muitos comentários na própria matéria da Quatro Rodas chegam a ser cômicos, pois fica claro que a pessoa não se deu ao trabalho de ler nada além do título. Ou seja: mais um dia comum na internet. Numa rápida pesquisa pelo Google, encontrei outras matérias de sites ou jornais famosos, com títulos mais realistas e menos assustadores. E com isso o público passa a se preocupar com algo desnecessário (“Oh, meu Deus! Vão tirar meu carro!”) e deixa de debater o que realmente importa sobre o assunto.

Desespero esclarecido, vamos aos fatos. Em primeiro lugar: não é e nunca será nosso objetivo aqui tratar de assuntos políticos e muito menos tomar partido de lado algum. Mas sim apenas analisar fatos deste tipo quando estes podem nos afetar. Dito isto, o programa de renovação da frota, caso de fato seja lançado, viria com o objetivo de alavancar a indústria automobilística nacional, que sofreu uma forte queda nos últimos meses. Mas daria certo? Vamos imaginar uma situação cotidiana, possivelmente a mais comum entre os proprietários de carros com mais de 15 anos. Esqueçam os veículos de coleção, de placa preta, pois estes certamente não entrariam em nenhum programa desse tipo. O Sr. João tem o seu carrinho mais antigo, nem vamos falar de Passat aqui. O Sr. João tem um Santana ou Monza dos anos 90. É o carrinho que ele, chefe de família que não ganha um bom salário, conseguiu comprar com muito esforço. E com o mesmo esforço ele consegue manter o carro rodando. A maioria dos modelos antigos tem peças baratas. É bem barato comprar pastilhas de freio, correias e outras peças de desgaste mais comum. Em outras palavras: mesmo que o salário não permita manter um carro antigo em condições impecáveis de estética (sempre vai ter o arranhãozinho ali, aquele amassadinho que “mês que vem a gente vê se dá pra consertar”, o pára-choque com a quina ralada…), é possível pra muitas famílias manter um veículo mais antigo rodando com segurança para servi-los, o que é um direito de todo mundo. É possível até mesmo manter um veículo como esse com sua documentação regularizada, pois a maioria dos estados brasileiros isenta os veículos mais antigos do pagamento do IPVA. E assim o Sr. João consegue rodar pelo seu bairro, levar a família no shopping, na casa da avó, carregar as compras do mercado. Alguns “Sr. João” conseguem até trabalhar com o carro e levar bastante coisa dentro da mala, tirando do automóvel o seu sustento. No máximo, o Sr. João arrisca um passeio até a praia durante o verão, porque ninguém é de ferro e as crianças querem aproveitar o sol e o mar. Essa é possivelmente a média do uso desse tipo de carro.

Como imaginar que o Sr. João, ao entregar o seu Monza ou Santana para o abate em uma concessionária e receber uma bela carta de crédito no valor da tabela FIPE (talvez seja isso, não ficou claro nas matérias desta semana que tratam sobre o assunto), conseguirá absorver as prestações do seu novíssimo carrinho popular? O Sr. João conseguirá pagar o próximo IPVA? Quando chegar a época da revisão, o Sr. João conseguirá pagar o serviço (muitas vezes caríssimo) da autorizada pra não perder a garantia e manter o carro em condições, como ele fazia no seu velho carro, que tinha a aparência já cansada, mas funcionava como um relógio? Notem que até agora eu não falei que o Sr. João contrataria um seguro pra proteger o novo patrimônio da família e, com isso, absorveria mais um gasto importante. E em alguns anos, o carrinho novo do Sr. João chegará a um nível bem pior do que o velho carro que ele usava antes, assim como a sua conta bancária. Mas não haveria ninguém beneficiado por este tipo de programa? Certamente haveria, sempre há. Mas na minha opinião, do modo que está sendo divulgado até agora, os beneficiados seriam poucos, assim como o aumento das vendas e o de carros realmente em péssimo estado que seriam retirados de circulação seria pequeno .

O programa de renovação da frota pode até ter boas intenções, pode ter a utopia de que isso ajudará a indústria, de que trará a muitas famílias as benesses de um carro 0km. Não se iludam, muitos de nós adoramos carros antigos até para o uso diário, mas a maioria das pessoas comuns só os utiliza por não poder pagar por um carro novo. Mas esse tipo de programa parece sempre ser pensado de maneira superficial, como quase tudo no Brasil, e nunca analisando se é possível para uma família média brasileira manter em plenas condições um carro 0km, tanto mecanicamente quanto com relação aos seus impostos anuais e um eventual seguro. E isso porque não entramos em detalhes como qual seria o destino dessa reciclagem dos carros usados (se é que “reciclagem” seria o termo correto), de onde viriam os recursos necessários para esses créditos que serão dados na troca pelo carro usado, entre outros, já que não é este o papel da Home-Page do Passat.

Por enquanto, essa história toda só serviu pra uma coisa: desesperar o público que se informa apenas pelo título das matérias.

Ano XX

Os logos e aparências da Home-Page do Passat ao longo destes 20 anosMais um ano se inicia e além das já conhecidas promessas e planos que costumamos fazer para os próximos 12 meses, o ano de 2016 será marcante, em especial para este website e o autor que escreve este post, pois é o ano XX da Home-Page do Passat. Desde 1996 muita coisa mudou… O Netscape estava no seu auge e desapareceu (crianças, procurem no Google), o Internet Explorer está seguindo o mesmo caminho. Os sites eram feitos com frequência no Bloco de Notas do Windows, depois em editores off-line e atualmente muitos deles são produzidos online, como o nosso, usando diversas plataformas existentes com esta finalidade. Desde 1996 muitos carros começaram a ser produzidos e já saíram de linha. Os Passat eram apenas carros vistos como velhos e hoje já são considerados veículos antigos, frequentando eventos de grande porte e até recebendo prêmios ocasionalmente (apesar do verdadeiro antigomobilista não frequentar eventos pensando em premiação, vale citar pela importância do fato). No Brasil, governos vieram e já terminaram, times foram ao fundo do poço e voltaram aos dias de glória, a seleção foi campeã e sofreu derrotas históricas. Sem contar que muitos que estão lendo este texto nem eram nascidos em 1996. Pensando assim a gente percebe que 20 anos é um bom tempo mesmo… Mas, por alguma sorte e muita persistência, continuamos no ar.

E se tudo continuar dando certo, continuaremos! Podem esperar de 2016 mais um ano, o ano XX, em que a Home-Page do Passat seguirá a mesma filosofia que acompanha o site há tanto tempo: informações, curiosidades e tudo mais o que possa interessar aos proprietários ou admiradores do Passat, mesmo que sem atualizações tão constantes, mas montando ao longo do tempo uma pequena biblioteca de informações que possa ser consultada quando necessário. Enquanto a moda atual é a preocupação com likes e número de publicações compartilhadas, os posts rápidos e sem informação, com fotos de carros “top” sem determinar a autoria e muitas vezes acompanhadas de frases de efeito, as hashtags usadas sem critério e a quantidade em detrimento da qualidade, a Home-Page do Passat continuará compromissada com a preservação da história do “nosso” Passat, tentando sempre trazer algo de qualidade para o leitor (ressaltando: leitor!).

Sejam sempre bem vindos e tenham um excelente 2016!

Passat Nigéria hibernando

Passat Nigéria abandonado em um estacionamento do Rio de JaneiroO post de hoje é sobre um modelo que, admito, falta falar um pouco mais aqui na Home-Page do Passat, seja no blog ou site. Há poucos dias o amigo Fábio Bittencourt precisou usar um estacionamento que nunca tinha utilizado no Rio de Janeiro e fez a descoberta. Sob uma grossa camada de poeira, hiberna há anos um autêntico Passat Nigéria, que passamos a chamar desta maneira não-oficial por ter sido produzido com o objetivo de ser exportado para aquele país.

O Passat Nigéria tem características específicas como a cor de interior igual ao dos Passat LSE Iraque, vinho ou cinza, ar-condicionado de série e, diferente da versão produzida para o Iraque, não possuía apoios de cabeça nos bancos traseiros e nem console com instrumentos, além de ter carroceria de duas portas. Por um bom tempo esta versão permaneceu como um mistério, até ser esclarecido há alguns anos. Geralmente o Passat Nigéria era vendido e declarado no manual do proprietário e nota fiscal como “Passat Plus” (sabemos, porem, que o verdadeiro Plus era o 84, com motor 1.8 e detalhes exclusivos de acabamento) ou “Passat Especial” (e não Special, como a versão básica). No lado direito da tampa da mala vinha apenas o emblema “Passat”, sem qualquer outra denominação ou sigla.

Passat Nigéria abandonado em um estacionamento do Rio de JaneiroVoltando ao carro das fotos, o que foi apurado no próprio estacionamento é que o carro pertence a uma senhora, que há muitos anos paga religiosamente a mensalidade do estacionamento e não tem a menor intenção de vender o carro, pois teria pertencido ao seu pai. O Passat aparenta ainda estar bem alinhado e conservado, além de ter boa parte de suas características originais, exceto por detalhes, como a roda traseira da linha Gol mais moderna que aparece nas fotos e a inversão de lados dos emblemas traseiros. Não foi possível fotografar com clareza o interior do carro com o celular, mas é vinho e bate com as características dos Passat Nigéria. Numa consulta ao site do Detran-RJ, foi possível confirmar que a última atualização de documento do carro foi realizada em 1996, provavelmente na época da troca das placas amarelas para cinza. Outra curiosidade é que esse carro já era conhecido na região, pois permaneceu por muito tempo estacionado em uma rua sem saída, bem próximo a este estacionamento. Isso faz cerca de 10 anos e depois o carro havia saído de lá e não havia mais notícias. Mesmo parado, pelo menos agora sabemos que o seu destino não foi nenhum pátio da prefeitura e assim este Passat tem alguma chance de um dia ser colocado novamente em circulação.

E como fazemos em posts deste tipo, e até mesmo pela convicção da proprietária em não vender o carro, não vamos divulgar a sua localização. Assim evitamos inconvenientes tanto para a proprietária quanto para a administração do estacionamento.