Surfando no Passat Surf

Um Passat Surf da safra 1979-1982 fazendo o que o nome da versão sugere, na pista de testes da VW na unidade do bairro do Ipiranga, na cidade de São Paulo.

A imagem foi disponibilizada pelo Vlamir Garcia, um verdadeiro apaixonado pela VW do Brasil e responsável por uma saudável troca de informações importantes e pouco conhecidas através do grupo que criou no Facebook, o Memória Volks BR.

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Paulo no Passat

As figuras políticas do populismo geram sentimentos opostos. Há quem ame, há quem tenha ódio. Passar indiferente, jamais. O doutor Paulo Salim Maluf é uma das figuras políticas mais curiosas e polêmicas e não poderia passar em branco no blog.

Foto: Luiz Cesar Barbosa

Foto: Luiz Cesar Barbosa

Político que dominou o cenário paulista por anos, continua com seus fiéis eleitores e com alguma força política. Maluf é apreciador da marca Porsche e conta com alguns modelos em sua garagem.

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Foto: www.estadao.com.br

Na briga para ser o primeiro carro nacional a álcool em produção, a Volkswagen do Brasil preparou o Passat para essa tarefa. Com o motor de 1500 centímetros cúbicos e carburação simples, o Passat enfrentava o pioneiro Fiat 147, num teste realizado pela revista 4 rodas em 1979.

69216_361336630594407_1070685696_n Motores 1.5 Álcool na Ala 5. Foto: Luiz Cesar Barbosa

Motores 1.5 Álcool na Ala 5. Foto: Luiz Cesar Barbosa

Embora o Passat tenha sido o pioneiro na VWB e tenha sido o primeiro médio a receber o combustível vegetal, o Ford Corcel obtinha melhores números de venda e mais elogios os proprietários com seu motor 1600.

Vale lembrar que para a linha 1981 a VW oferecia o Passat TS 1.5 álcool, que durou apenas esse ano, pois para 1982 o Passat recebia o motor 1.6 em todos os modelos da linha, já convertido para álcool, antes do motor MD 270 e do AP 600 e AP 800, motores que também consumiam álcool. O combustível dominou as ruas e os tanques dos carros nacionais por uma década.

O pioneiro

Nem todo mundo imagina que o Passat não foi o primeiro VW refrigerado à água no mundo. No Brasil sim, o Passat trouxe a novidade para a marca e seus consumidores. Porém, na Alemanha a honra coube ao menos conhecido K70, um projeto herdado da NSU, recém adquirida pelo grupo Volkswagen. O praticamente pronto NSU K70, projetado para substituir o belo NSU Ro80 com seu frágil motor Wankel, transformou-se em VW K70.

NSU K70

NSU K70

Suas linhas retas eram diferentes de tudo o que a Volkswagen tinha produzido até então. O motor utilizado inicialmente era um 1.6 com 4 cilindros em linha, que nada tinha de parecido com os utilizados posteriormente nos outros modelos da VW. Os 69 HP de potência não impressionavam e faziam o K70 chegar até cerca de 145km/h. Posteriormente uma versão com motor 1.8 e 99 HP foi oferecida e levava os 1500kg do K70 até 165km/h. O câmbio era manual de 4 marchas.

O modelo foi produzido entre 1970 e 1975 na unidade de Salzgitter, com pouco mais de 210.000 unidades produzidas. Se não é um modelo muito lembrado na história da marca e praticamente desconhecido entre os brasileiros (exceto por aqueles que gostam do assunto), devemos a ele um certo respeito. Afinal, rompeu as barreiras na VW não apenas pela refrigeração, mas também por ter motor e tração dianteira. E assim, abriu caminho para o lançamento de um produto de características semelhantes e que dispensa apresentações entre nós: o Passat.

VW K70

VW K70

A importação dos K70 para o Brasil é um assunto difícil de ser esclarecido, mas algumas unidades vieram pra cá, assim como alguns TL produzidos também na Alemanha, em suas diferentes versões, e até mesmo os curiosos 412. Há anos ouço sobre a existência de um K70 em restauração no Rio de Janeiro, porém nunca soube maiores detalhes pra tentar ir atrás. Há alguns anos surgiu um exemplar em São Paulo para venda. Não tenho notícias de seu paradeiro atual, mas ainda guardo algumas fotos, que vocês podem conferir abaixo.

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Vídeo 60 anos VW do Brasil

Este ano a Volkswagen do Brasil comemora 60 anos de produção de automóveis no Brasil. cuja atividade iniciou-se por montagem de veículos em CKD. Seu carro mais conhecido, o VW Sedan, teve início de produção em 1960, pois os modelos montados em 1959 ainda tinham grande parte dos componentes importados.

E embora a Kombi tenha iniciado a produção nacional, ainda há muitos brasileiros que acreditam no pioneirismo do besouro. Com o passar dos anos os carros foram ganhando conteúdo nacional e a fábrica de São Bernardo do Campo-SP tornava-se uma cidade, uma cidade muito bem equipada e com tecnologia para fornecer a quantidade de automóveis que a levou a garantir a liderança no mercado.

Em 1969 a família VW crescia, com a chegada do VW 1600 e da VW Variant. Era a resposta ao projeto Willys/Renault/Ford, que era moderno, confortável e confiável. Em 1970 mudanças no VW Sedan, lançamento do VW TL e VW Karmann Ghia TC. Em 1971, um feliz facelift na Variant e TL, como modelo 1972.

Em 1972 a VW inovou ao oferecer o SP2 (assim como o SP1), mantendo dois esportivos na linha enquanto o antigo Karmann Ghia se despedia do mercado.

1973 era o ano de contra atacar a promessa da GM: Chevrolet Chevette. Assim o VW Brasilia era lançado, um carro na medida para a família brasileira que se apertava no VW Sedan. Ainda nesse ano e com fôlego nos lançamentos baseados na mecânica arrefecia a ar, a VW do Brasil já planejava o lançamento do VW Passat, um carro que mudava completamente o perfil da empresa, até então conhecida pelos carros de projeto atrasado.

Eis que chega 1974, um ano após o lançamento do VW Passat na Europa, o mesmo carro chegava aqui. Pequenas alterações para o modelo original, como ausência de VWautodiagnose, lanternas traseiras com setas na cor vermelha por conta da obrigatoriedade da legislação brasileira para aquele ano e a ausência de alguns acabamentos e opções de versões.

Tudo o que foi descrito acima passa por apenas 20 segundos, no comercial de 1 minuto que a empresa veiculou na televisão e por meio virtual em comemoração aos 60 anos de Brasil.

Para quem gosta de Passat e sabe da importância do modelo, o reconhecimento deixou um sorriso em cada canto do país, de pessoas que se dedicam a manter viva a lembrança de um carro que ajudou a basear toda uma linha de produtos da empresa de 1970 a 1990.

No vídeo o locutor ressalta a inovação nos anos 1970, trazida pela oferta do VW Passat no mercado nacional. A VW tem vivido um momento saudosista, revivendo os anos 1970. Aconteceu com o lançamento do Fusca 2013 e acontece agora, na comemoração dos 60 anos de atividade no país.

Para quem ficou curioso para saber mais sobre o Passat usado nas filmagens, podemos descrevê-lo, cena a cena:

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A interna está bem original. Volante, painel, laterais de porta e trincos do quebravento. Há dois itens que fogem, como as travas do quebravento paralelas e o rádio não original para o ano. O padrão do banco gera dúvidas sobre o ano do carro, pois é de 1975 sem encosto de cabeça.

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Pela foto da parte externa, as calotas em inox e o friso lateral denunciam que não são originais.

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Pelo cabelo, bigode e óculos do cidadão, não tem como contestar que representa os anos 1970.

vw 60 anos p3A foto mais reveladora, para quem quer descobrir o ano do carro. Reparem na ausência das saídas de ar viciado na coluna “C”. Outro ponto que evidencia ser um 1976 é a carroceria de 3 portas, com tampa traseira grande. Reparem que no final da calha não há o vão da tampa traseira pequena. Nesta imagem as rodas de VW Gol (4,5 pol, assim como as originais do Passat, mas com desenho diferente) e calotas inox ficam mais evidentes.

vw 60 anos p5Infelizmente surgiu uma traseira xadrez na cena. Mas quem realmente é fã de Passat, reparou nos detalhes do carro, com belas lanternas originais da marca Cibié e o emblema PASSAT LS.

São pequenos detalhes que em nada tiram o brilho do carro, muito pelo contrário. Como dissemos, é uma alegria ver esse reconhecimento a um projeto que revolucionou a própria empresa que o fabricou.

É a hora também de homenagear quem ajudou a projetá-lo e a produzí-lo por aqui, assim como os consumidores que apostaram na ideia.  Sem essas pessoas nós não teríamos esses carros para admirar.

Parabéns às pessoas que contribuiram para a VW do Brasil completar 60 anos de Brasil, bem como àqueles que mantém viva a lembrança dos carros do passado.

Foto antiga: TS 1977 cobre metálico.

Um verdadeiro achado, não só pela versão, mas pela cor. Um Passat TS 1977 na cor cobre metálico, uma cor menos popular na época, mas cobiçada atualmente.

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Crédito: Wilson Melo

Por onde anda este carro atualmente? Será que está bem preservado?

Recuperação de filmes históricos de Jean Manzón

Texto e dica do eclético Mário César Buzian, que anda de V8, mas conhece e gosta muito de Passat:

“Uma das melhores inciativas da indústria foi a recuperação de filmes históricos de Jean Manzón, cineasta francês que se especializou em produzir documentários e filmes de curta-metragem desde os anos 30, que eram exibidos normalmente antes dos filmes comerciais nos cinemas brasileiros.
Dentre as grandes contribuições de Manzón, um dos maiores destaques foi a sem duvida a indústria automobilística e seus assuntos relacionados.
A Dana, vendo o potencial do nosso mercado antigomobilista, decidiu bancar a restauração de filmes importantíssimos da primeira fase das nossas fábricas, e o resultado final foi a criação de 3 DVD´s com esse riquíssimo material, enviado a museus, escolas técnicas e alguns profissionais relacionados à área automotiva.
Para quem não tem esses filmes, é possível conhecê-los um a um no site da empresa, a partir desse lnk:

http://www.dana.com.br/historia/topico_videos.swf

Vale MUITO a pena conhecer, é uma viagem no tempo do pioneirismo brazuca…”

Desta vez o post não tem relação direta com o Passat, pois os filmes são anteriores à sua produção. Aproveite a oportunidade para conhecer mais sobre a história da nossa indústria.

O desvio do vento: Argélia

Passat, um vento que cruza a Europa de Leste a Oeste, foi desviado para o Brasil, adaptando-se muito bem ao nosso clima e ecoando pelo resto do mundo. Um dos primeiros movimentos desse vento rumo a outros continentes, a Argélia teve suas ruas dominadas pelo Passat.

A Argélia é um país de grande território às margens do mar mediterrâneo e teve importância estratégica para o comércio na região por séculos. Dirigindo-se para o interior o clima árido do maior deserto do mundo limita a utilização do território. País de contrastes, há altas montanhas, com temperaturas que remetem aos países europeus, com direito a neve em pleno continente africano.

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Foto: http://the-rioblog.blogspot.com.br/2010/12/conheca-surpreendente-argelia-onde-o.html

Como todo território africano, foi cordialmente dividido entre países europeus, ficando sob domínio francês por décadas. Basta ver o mapa do continente para observar que as terras foram divididas com uma régua, recortado na medida do interesse dos colonizadores, sem considerar as tribos e o povo que ali residia, unindo inimigos e separando irmãos.

Esse domínio diminuiu a cultura do povo que originalmente habitava a região, que no caso da Argélia passou a fazer uso da lígua francesa e dos hábitos trazidos pelos colonizadores. As colônias enriqueceram os países europeus, causando inveja daqueles que não participaram da divisão, gerando dois conflitos mundiais que vitimaram milhares de pessoas e mudaram o mundo.

Num processo inevitável, muitos países recortados e dominados pelos europeus começaram a ganhar consciência e força de seus ideais, gerando um movimento pelo fim das colônias. Muitos países passaram por revoluções, a Argélia inclusive, de modo muito violento e cercado de atentados de ambos os lados do conflito.

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Foto: http://the-rioblog.blogspot.com.br/2010/12/conheca-surpreendente-argelia-onde-o.html

Ainda na década de 1960 o país deixou de lado o domínio francês conquistanto sua independência, com a retirada de muitos colonos e seguindo a doutrina árabe, tanto na religião quanto na lígua. O país sofre com uma identidade cultural que passa por três línguas e a escolha de uma religião única, o que acaba por extinguir todas as tradições do povo originário daquelas terras.

Argélia1A alguns dias nosso amigo e grande colaborador Cláudio Pessoa se dispôs a pesquisar sobre os Passat que foram destinados à Argélia. A imagem dos carros à espera de transporte no pátio já surgiu no blog por duas vezes, sendo o grande estopim para essa pesquisa.

Num site de pesquisas o resultado acabava remetendo ao site www.imcdb.org, que faz uma listagem dos carros que aparecem em cenas do cinema mundial. Lá Cláudio chegou ao filme argelino de 1982, cujo nome é “Zawj Moussa”, recebendo o título francês de “Le Mariage De Moussa”.

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O cinema argelino despontou na década de 1960, cuja temática era por vezes sobre a questão da colonização do país. Ainda sob muita influência francesa, é possível ver as ruas do país tomadas por modelos Renault, Citroen e Peugeot, além de uma boa quantidade de Passat.

passat_argelia_film_04 passat_argelia_film_01 passat_argelia_film_02Cláudio não se contentou com poucas passagens com Passat no filme e resolveu fazer um grande sacrifício. Assistiu a um filme argelino com legendas em francês, lígua que não domina. Cada Passat deve ter recebido dele um grito semelhante ao torcedor em dia de jogo após um gol. Coisas que só um apaixonado por Passat pode entender.

passatargeliafilm07 passatargeliafilm13 passatargeliafilm14 passatargeliafilm17Não obstante, passou a pesquisar se havia modelos à venda no país atualmente. Como é de se esperar, o estado dos carros não é dos melhores, após tantos anos no calor africano e no cotidiano de seus proprietários.

Como imaginávamos, eram modelos de 5 portas, quatro laterais e uma grande tampa traseira do porta malas.

passatargelia3 passatargelia5 passatargelia6 passatargelia8Embora utilize frente com grade, faróis e frisos compartilhados da versão TS, o carro apresenta acabamento semelhante à versão LS, sem o uso dos bancos altos.

pastarge3 pastarge4 pastarge5A pesquisa ia tomando forma no nosso fórum, recheando de informações que até o momento eram desconhecidas (os esquecidas). Enquanto o assunto era debatido e seguia apenas com fotos atuais e sem muitos dados sobre o contrato, eis que nosso amigo Saymon Machado tirou um coelho da cartola e encontrou uma nota no Jornal do Brasil sobre o contrato de exportação firmado pela Volkswagen com a Argélia:

passatargeliaBingo! Temos um número, 15 mil Vw Passat fabricados no Brasil enviados à Argélia. Até então o que tínhamos era uma foto do pátio da empresa e imagens das ruas do país. Agora temos mais uma excelente informação para os leitores, graças ao empenho dos amigos Cláudio Pessoa e Saymon Machado.

prop_82expApesar de importante para a Volkswagen, as operações na Argélia não aparecem na propaganda de 1982, que orgulhosamente estampa os países que receberam o Passat brasileiro. Mais um destino carimbado.

Apenas para encerrar o post, Cláudio cita trabalhos do saudoso Oscar Niemeyer na Argélia, que realizou obras na Universidade de Constantine, em 1969.

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Foto: http://the-rioblog.blogspot.com.br/2010/12/conheca-surpreendente-argelia-onde-o.html

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Foto: http://veja.abril.com.br/

Resta o mistério: Será que algum desses “argelinos” desviou a rota e por aqui ficou?

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A profecia do fim

Hoje, dia 21 de dezembro de 2012, pode ser o último post do nosso blog. Nem tanto pelas ocupações de seus blogueiros, mas por um evento previsto hoje pelo extinto povo Maia, ou seja, o fim do mundo. Se o leitor estiver lendo isto, bem capaz que nada tenha acontecido, como previam os céticos.

Novamente peço vênia ao leitor para relacionar um tema em voga com o Passat, desta vez tratando das especulações sobre o fim de produção do modelo no Brasil, em sua maioria vazias.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

No primeiro bimestre de 1977 algumas unidades do Dasher americano e do Passat com facelift europeu, foram flagradas circulando pelas ruas da fábrica 1, em São Bernardo do Campo-SP. Era o indício que alguma mudança estava por vir, mas diferente do que foi levantado pela revista o facelift brasileiro de 1979 previa uma frente muito semelhante à do Audi 80 1976 e à usada no Passat Sul Africano do mesmo ano, com faróis retangulares e piscas contornando o paralamas. Para refrescar a memória dos leitores, o belo Passat Ls do amigo João B. Adamo.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

 A Volkswagen do Brasil (VWB) entrava em 1980 com antigos projetos que usavam o motor boxer arrefecido a ar, muitos deles fadados ao fim numa época que ter carro fora de linha era sinônimo de defasagem de valor e fim de fornecimento de peças. O VW Passat era um dos projetos mais modernos da empresa, senão do país. Se não bastasse, a VW usou a plataforma do Passat B1 em seu novo projeto, a linha Gol e seus derivados, formando uma família completa.

O consumidor ainda tecia elogios ao Passat B1 e seu desenho, mas a empresa fazia testes de um carro que não se via nem na Europa. Era o Passat B2, flagrado no Brasil no final de 1980 pela revista 4 rodas. Ao seu lado, o VW Voyage, lançamento do ano seguinte. A forma da camuflagem enganou a revista, que achava se tratar de uma perua.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Não foi o único flagra. Nos anos seguintes os testes com o Passat B2 seguiam no sentido de decretar o fim do Passat B1. Entretanto, as exportações do modelo nacional começavam a ganhar o mundo ainda no final dos anos 1970, cuja importância para a manutenção da produção causou efeito por mais de 10 anos.

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Crédito: Luiz Fiorelli

A imagem acima mostra centenas de Passat com grade de quatro faróis, quatro portas e uma provável abertura total da tampa traseira, de difícil verificação na foto. Tantos carros semelhantes numa configuração incomum no mercado brasileiro despertaram a curiosidade do nosso amigo Cláudio P. Pessoa, que prontamente mostrou a imagem ao seu pai, que trabalhava no setor de expotação da empresa à época.

Segundo ele, esse lote de 1978 era destinado à Argélia, um destino desconhecido para a maioria dos entusiastas do modelo, tão acostumados com grandes importadores, como Uruguai e Iraque. A sagacidade do amigo Cláudio não parou por aí, que em pesquisas pela internet achou alguns sobreviventes no país africano.

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Crédito: Claudio P. Pessoa

As exportações começavam a ganhar força e o Passat B1, embora encerrado no início dos anos 1980 na Europa, era visto aportando nos países de terceiro mundo (demoninação dada à época), pouco exigentes em relação aos consumidores dos países de primeiro mundo e formando a lista de clientes da VWB, trazendo divisas ao Brasil.

prop_82exp prop_82exp2 Dos contratos de exportação mais famosos, o celebrado com o Iraque foi abordado num post aqui no blog, que foi elaborado com o apoio do André Grigorevski. O LSE iraquiano não foi o único brasileiro que teve o visto retido e por aqui permaneceu. Muitos carros destinados à exportação por aqui ficaram, em sua maioria pertencentes à frota da empresa e posteriormente vendidos aos funcionários. Inclusive o Claudio P. Pessoa foi proprietário de um desses modelos, também já mostrado aqui no blog.

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Enquanto isso, em 1983 o Passat nacional recebeu um novo Facelift, cuja frente tornou-se objeto de desejo dos proprietários de Passat, que corriam para as lojas de equipamentos para instalar a frente com quatro faróis, como do modelo acima.

Entretanto, nas concessionárias houve uma evidente queda nas vendas, especialmente provocadas pelo Chevrolet Monza, o carro mundial lançado em 1982. A ideia das propagandas acima era mostrar que o Passat também era um carro aceito no mundo, não só aqui, numa tentativa de chamá-lo de mundial, tal qual o recém lançado Monza. Quando a GM lançou o 3 volumes, o consumidor o elegeu como carro da classe média, levando-o a ser o carro mais vendido naquela época, um fato até hoje não repetido por um carro médio.

Não só as vendas do Passat iam mal, o Ford Corcel, seu concorrente desde o início, teve grandes perdas com o próprio canibalismo da linha Del Rëy. Dessa forma, era preciso uma reação, que ocorreu com o lançamento do Santana em 1984. Um carro moderno, cheio de requintes e que se diferenciava dos demais carros nacionais em tamanho e conforto, rivalizando com o Monza e travando uma guerra de motores com o lançamento do 2.0 na linha GM em 1987 e posteriormente em 1988 no Santana.

Fim de linha para o velho Passat? Não. Era o momento de transformação do carro, que foi renovado em 1985 com novo painel e parachoques envolventes. Enquanto o Corcel dava seu último suspiro em 1986, o Passat voltava a cair no gosto do consumidor, ao apresentar boa relação custo benefício e receber elogios rasgados da imprensa.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Não obstante, o lote de exportação destinado ao Iraque e que por aqui permaneceu, gerou uma corrida às concesionárias para compra dos exóticos LSE com ar condicionado e 4 portas. O consumidor nem se importava com as combinações de cores externa e interna pouco usuais. Tudo isso era uma demonstração de como o dinheiro era importante para o consumidor, que sofria com inflação, salários defasados, ágio e empréstimo compulsório na compra de veículos novos. Gastá-lo bem era colocar um carro com espaço e desempenho pelo preço de um carro menor e menos equipado, mesmo que não tivesse o status de um lançamento.

A fórmula foi usada por muitas empresas, que no final da vida de determinado projeto, passaram a simplificá-lo e oferecê-lo a valores convidativos. Dos carros mais conhecidos, o Chevrolet Kadett, VW Santana, Chevrolet Astra, Renault Megane Grand Tour, entre outros.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Ainda sob elogios da impresa, o carro era raro nas concessionárias, que dedicavam-se a vender grandes volumes da linha Gol e Santana, embora houvesse um nicho entre os dois carros, posteriormente explorado com a dupla Ford Verona e VW Apollo.

No final dos anos 1980, após relativo sucesso das atividades de exportação do VW Voyage, que recebia nomes variados nos países importadores (Fox nos EUA e Canadá, Amazon em países variados, Gacel na Argentina e demais países latinos), a VWB o apresentou aos iraquianos em substituição ao VW Passat LSE, como podemos ver nas fotos abaixo com o então presidente da filial brasileira da empresa, Wolfgang Sauer.

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Crédito: http://www.facebook.com/OHomemVolkswagen

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Crédito: http://www.facebook.com/OHomemVolkswagen

Se o carro agradou ou não aos clientes, resta a dúvida, mas é fácil constatar que o Voyage era um carro ligeiramente inferior em tamanho e espaço interno, o que pode ter sido a razão para o carro não ser viabilizado em terras iraquianas.

Entretanto, por diversos motivos, o contrato com o governo iraquiano não prosperou, levando a empresa a encerrar as atividades no país oriental no ano de 1989, trazendo consigo seus funcionários que lá permaneciam desde o início dos anos 1980.

Vale ressaltar que a VWB não voltou sozinha. Na mesma oportunidade vieram grandes construtoras que modificaram a paisagem do deserto, assim como muitos contratos celebrados com empresas brasileiras começaram a ser descumpridos pelo governo iraquiano, levando inclusive à falência da Engesa, fornecedora de armamento bélico.

Nem é preciso dizer que em pouco mais de 1 ano o Iraque passou de aliado americano a vilão, gerando uma guerra que arrasou o país e prejudicou a população por anos.

Dessa forma, o último pilar que sustentava a oferta de VW Passat B1 aos brasileiros ruiu. Não era viável manter em produção um carro sem um contrato de muitas cifras, como o que foi celebrado com o Iraque. A oferta aos brasileiros era também uma forma de manter bom volume de produção de peças, gerando uma diminuição dos custos.

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GTS Pointer em seu último Salão do Automóvel, em 1988.Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx 

Como todo herói em final de carreira, morreu pobre de equipamentos, abandonado por quem ele beneficiou, esquecido pelo grande público e deixando alguns órfãos, fiéis compradores que viam nele um ótimo carro, apesar dos sinais dos tempos.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Era o fim, depois de tantas profecias, quedas de vendas, contratos não cumpridos e novos modelos que tinham o intuito de substituí-lo. Se o Passat foi embora, deixou o legado de iniciar uma nova era na VW, com o uso de uma mecânica arrefecida a água e com dirigibilidade acima da média, servindo de base para a linha Gol, que dominou os anos 1980, 1990 e 2000, que até os dias atuais segue em produção com o Gol G4, carregando o motor em posição longitudial e pequenas peças mecânicas herdadas do projeto original.

Del Castilho, 1989

Uma foto do bairro de Del Castilho, no Rio de Janeiro, durante o ano de 1989. A foto foi originalmente publicada pelo perfil Cascadura – Caminhos do Subúrbio e indicada pelo amigo Matheus Marques, do blog Registros Automotivos do Cotidiano. O Matheus, por sinal, está organizando o primeiro encontro de carros antigos do seu blog, que futuramente será divulgado aqui, com os passateiros sendo convocados.

A avenida da foto é a antiga Suburbana (eu ainda falo assim), hoje Dom Hélder Câmara. Repararam o que tem ali no meio?

Fuleco e outras histórias

No último domingo saiu o resultado da votação popular para a escolha do nome do mascote da Copa do mundo de 2014, que ocorrerá no nosso país. Controverso, o resultado não poderia ser outro: feliz está quem teve a ideia do nome, apenas.

Foto: divulgação

Afinal, o que levou a Fifa ao estranho nome do tatu? Ser estranho, diferente e não esbarrar em algum nome já registrado. Ocorre que os nomes para votação popular foram selecionados entre 450 opções elaboradas por uma agência publicitária brasileira, mas escolhidos pelo departamento jurídico da Fifa.

Os nobres causídicos foram muito eficazes ao buscar nomes sem registro em parte alguma do mundo, o que deve ter sido fruto de muito trabalho, pesquisa e certo investimento. Entretanto, os três nomes eram pouco carismáticos e não tinham muita ligação cultural com o nosso país.

Além do Fuleco vencedor, Zuzeco (mistura de azul e ecologia) e Amijubi (união de amizade e júbilo) eram as opções, que dificilmente deviam ser a melhor escolha dos publicitários envolvidos no projeto, mas eram apropriados juridicamente.

Segundo o jornalista Flávio Gomes, o ideal seria unir as palavras Caráter e Trabalho, obtendo assim um nome que combina mais com o brasileiro, ainda nas palavras dele. A formação do nome, deixaremos a você, leitor.

Fuleco, como chamaremos doravante o simpático tatu, será presença constante na mídia. Infelizmente já chegou a ser vítima de facadas em Brasília, mas passa bem.

Antes que o leitor pense que estamos mais ligados no Fuleco que no Passat, já adiantamos que está com a razão. Porém, vamos aproveitar o espaço para tratarmos da VW e suas versões especiais de eventos esportivos.

A VW e seus especiais de eventos esportivos

O primeiro VW nacional que remetia a algum evento esportivo foi o Gol Copa, de 1982. Na ocasião a seleção brasileira contava com muitos craques, entre eles o saudoso Sócrates e o Galinho, Zico. Era a seleção que trazia esperança à torcida, após um jejum de 12 anos da última conquista.

Foto: Marcelo Nadólskis

E o VW Gol Copa vinha caprichado, com vidro gravado com a palavra COPA no vidro traseiro (semelhante ao que foi feito no Scirocco e no Gol GT), rodas de liga leve aro 13′, frisos laterais, manopla de câmbio em forma de costura de bola e faróis de neblina, além de outros acessórios de “luxo”. De produção limitada, o carro faz sucesso até hoje, sendo raros os modelos em bom estado e mais ainda aqueles que sobreviveram imaculados.

Foto: Marcelo Nadólskis

Após o sucesso do Gol Copa em 1982, a VW optou por preparar o Voyage com roupagem esportiva, desta vez numa edição olímpica de 1984, Voyage Los Angeles. Mais conhecido pela cor chamativa, o carro destacava-se nas ruas, o que não agradou a todos.

Voyage Los Angeles muito bem conservado do Danilo Bueno.

Após as duas edições a VW dedicou a outras séries especiais, como o Fusca série especial, última série, Passat, Voyage, Gol e Parati Plus (que teve uma reedição no final dos anos 1980 na Parati e no Voyage), Passat Sport, Parati Club (em duas edições), Gol Star (em duas edições), Santana e Quantum Sport, entre outros.

Apenas em 1994, na Copa dos Estados Unidos, que a VW reeditava a série Copa, no Gol. O Gol Copa de 1994 não tinha o mesmo frescor de lançamento, como foi com o primeiro modelo, muito pelo contrário, era o último ano dessa carroceria em motorização que não fosse 1.0, destinado ao mercado interno. Porém a VW acertou a mão novamente, usando peças de GTS e GTi, o Copa 94 tinha um pacote tão interessante que chegou a retirar volume de venda de alguns modelos de linha e era disputado no mercado de usados. E o Gol foi pé quente, pois a seleção levou o fuleco caneco.

Depois vieram Gol e Parati Atlanta 1996. Em 2002 a VW não fez uso da palavra Copa, nomeando a versão especial de Sport, usando no símbolo as bandeiras do Japão e da Coréia. E novamente a seleção brasileira voltou ao país sob aplausos.

Talvez a VW estivesse com esperanças em 2006, quando pagou novamente pelo uso do nome Copa e lançou a terceira edição com esse nome. Mas não foi dessa vez que a seleção trouxe vitórias, assim como não obteve sucesso em 2010.

Teremos um Gol Fuleco em 2014? Ou um Up! Fuleco? A saber.

Mascotes do passado

O real intuito do post era compartilhar com o leitor fotos de dois chaveiros que o nosso amigo e sem colaborador, Cláudio P. Pessoa guarda sob 7 chaves, dos tempos que seu pai trabalhava no departamento de exportação da marca.

Também é imprescindível dizer que o ensejo para este post foi a sua contribuição com essas imagens trazendo assim a ideia para escrever sobre o assunto. Afinal, estava difícil casar o Fuleco com o Passat, não combinam.

O mascote daquela copa, segundo Cláudio, era Naranjito. Nosso Tatu é simpático, mas Naranjito demoraria a entender o nome as razões do nome, assim como o que eram aqueles seres da Copa de 2002.

Os nomes dos mascotes do passado não são tão felizes. Deixaremos aos leitores o espaço para citar e comentar alguns. Portanto, observando os demais, nosso Tatu não vai sair tão mal na foto. Vai Fuleco, pegue o caneco!!!!!

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Dia das crianças #3

Seguindo na série com fotos de crianças e Passat. A contribuição desta vez é do Fernando Vieira, com um Passat LS 1977, atualmente de sua propriedade.

A criança nas imagens não é o Fernando, mas seu primo, Márcio Silvestre. A história desse carro é longa, iniciando-se em 1990 na vida do Fernando. Esperamos vê-lo nas ruas futuramente, digno dos seus dias de glória após tantos anos de trabalho duro que geraram o apelido de “Maltratado”.

E lá se vão mais de 4 anos que o Fernando Vieira chegou no nosso fórum, contando as aventuras de restaurar um carro antigo.

Dia das crianças #2

Nesta foto, Saymon Machado (que sempre nos traz alguma coisa interessante) desta vez compartilha conosco uma imagem de sua infância.

Os brinquedos são passados para outras crianças, os carros são trocados por mais novos e as crianças crescem. Neste caso, o Passat que fez parte da Vida do Saymon continua ao lado dele, fruto de muita dedicação para fazê-lo ganhar vida novamente e desfilar nas ruas de São Paulo.

Aliás, aguardamos pela história desse Passat, no “Passat do Leitor”.

Nas palavras de Saymon, um pouco sobre o local da foto e a data.

1984, na antiga rua do laser ao lado do campo de marte em Sampa city, tempo bão, hoje não existe mais, a prefeitura aterrou e este asfalto está debaixo de terra e grama.
Ao menos o passat é o mesmo :D — em Praça Heróis Da Força Expedicionária Brasileiras.

AUDI 80 GT 24h Spa-Francorchamps 1975

Seleção de fotos da equipe Audi NSU Angers, com os pilotos Lucien Guitteny/Boucher, A. Beziat/A. Charlier/Jean-Claude Boucher, Johann Abt/Hans-Joachim Nowak/Michael Endress (Audi Racing).

O audi 80 da dupla Lucien Guitteny/Boucher (vermelho) conquistou o 23º lugar, o amarelo, 18º e o Audi do trio Johann Abt/Hans-Joachim Nowak/Michael Endress conquistou o 10º lugar.

Foi o primeiro dos três anos dos Audi 80 em Spa, fazendo frente aos demais carros do grupo 2.

 

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Fonte:

http://www.racingsportscars.com/etcc/Spa-1975-07-27-photo.html

http://touringcarracing.net/Pages/1975%20Cars.html