Treta em São Roque

As fotos deste post foram feitas durante o XIII Encontro de Automóveis Antigos de São Roque e enviadas há bastante tempo por um amigo, que prefiro não revelar o nome pra que ele não ouça nenhuma reclamação. Antes de tudo, vale lembrar mais uma vez que as críticas da área “Placa Treta” neste blog não são pessoais ou menos ainda sobre a aparência do carro. Elas são, sempre, direcionadas a incompatibilidade de uma placa que exige um Certificado de Originalidade em um carro que não possui tais características. Algo que nos faz ter toda a justificativa pra duvidar dos procedimentos adotados e dos critérios utilizados pra receber o tal certificado. E se você tem dúvidas com relação a esse assunto, o convido a ler o artigo Placa Preta em nosso site.

tretasaoroque01Dito isso, nos resta mostrar algumas imagens do Passat LS 1975 que esteve presente ao evento. Um Passat que merece respeito por estar entre os primeiros produzidos, porém com alterações e problemas de conservação que o impediriam de obter o Certificado de Originalidade por um clube sério. A primeira vista, seria apenas um Passat original cujas rodas foram trocadas pelas BBS. O que já impediria a obtenção das placas pretas, mas seria de fácil solução. Porém ao examinar de perto, o painel dos Passat pós-85 e o volante da linha Gol mais moderna mostram que a solução não é tão simples. O tapete “Bagassat” sim seria de fácil solução.

Ao examinar melhor o carro, é fácil notar uma área de extensa ferrugem na parte traseira, onde um par de lanternas desbotadas também salta aos olhos, o que vai contra os princípios de que não bastaria o carro ser original, mas também estar em bom estado de conservação geral. E como já li muita justificativa no mínimo estranha, vale ressaltar que carros em processo de restauração ainda não estariam aptos a receber as placas de coleção. Todos os pontos citados aqui podem ser corrigidos. E mais uma vez: a Home-Page do Passat não é contra os Passat modificados ou mesmo contra os Passat enferrujados (tenho algumas boas ferrugens me aguardando na garagem). Mas combatemos a placa preta onde ela não deveria estar, para dar seriedade ao antigomobilismo brasileiro. Um carro de placa preta não pode ser considerado melhor que outro de placa cinza, apenas pela cor de sua placa. Mas indica que ele atende os critérios de originalidade e segurança da época em que foi produzido. E não deveria ser usado como símbolo de status.

Painel dos modelos a partir de 1985 e volante da linha Gol. Critérios difíceis de justificar.
Painel dos modelos a partir de 1985 e volante da linha Gol. Critérios difíceis de justificar.

É um caso grave, e o que preocupa é ver cada vez mais que as pessoas estão desinformadas quanto ao significado da placa preta e também sobre a resolução que a regulamenta. Uma das frases que mais tenho lido a esse respeito nos últimos tempos (“Com as novas placas do Mercosul, a placa preta vai acabar”) prova como há uma profunda desinformação, mesmo que uma simples pesquisa no Google possa responder a tudo isso. Claro que as placas com a cor preta vão acabar, mas a placa de colecionador continuará existindo e os benefícios também continuarão. Sem contar com o percentual relativamente alto de pessoas que podem jurar que os veículos de coleção estariam impedidos de circular normalmente durante a semana, sendo vedada sua circulação aos dias de eventos. E acredito, sim, que em alguns casos o proprietário do veículo, que pode ser o caso deste, também não conheça esses princípios e acabe sendo levado pela lábia dos vendedores de placa preta. Um status absolutamente desnecessário.

Ferrugem generalizada no painel traseiro, rodas BBS e detalhes que não caracterizam um carro como apto a receber o certificado de originalidade.
Ferrugem generalizada no painel traseiro, rodas BBS e detalhes que não caracterizam um carro como apto a receber o certificado de originalidade.

Em complemento a isso, noto um súbito aumento nos últimos meses de anúncios de vendedores de placa preta, geralmente ao valor de R$800 e ligados a uma única entidade, que raramente é revelada aos interessados. Anúncios patrocinados em redes sociais, inclusive. Ora, a resolução 56/98 do Contran, que estabelece os critérios para os veículos de coleção, é objetiva ao afirmar em seu artigo IV, parágrafo 2º, que “A entidade de que trata o parágrafo anterior será pessoa jurídica, sem fins lucrativos, e instituída para a promoção da conservação de automóveis antigos e para a divulgação dessa atividade cultural, de comprovada atuação nesse setor, respondendo pela legitimidade do Certificado que expedir.”

Como acreditar que alguém que paga por um anúncio para venda de Certificados de Originalidade não tem fins lucrativos? Principalmente quando cobram valores maiores do que o de clubes sérios que já realizam esse trabalho. Recentemente, após tirar algumas dúvidas sobre os procedimentos, perguntei a um desses vendedores, de maneira educada, se ele recebia algum dinheiro por representar uma entidade bem conhecida no país e que faz vistoria por fotos. Como resposta, minha pergunta foi apagada e meu perfil bloqueado para fazer novos comentários. Enquanto nada for feito a esse respeito, continuaremos a ver tais anúncios de “sonhos”, vistorias de carros por fotos e vídeos ou em lanchonetes, entre um hambúrguer e uma Coca-Cola, como vem acontecendo, entre outras bizarrices.

Se você respeita e ama o antigomobilismo e quer vistoriar seu antigo para obter o Certificado de Originalidade, procure um clube sério. Não procure ninguém que anuncie seus serviços de aquisição de placa preta. Se você gerencia uma página no Facebook sobre carros, ou um site, uma publicação de qualquer tipo, evite dar publicidade positiva a carros assim, ou dar prêmios em eventos, por mais bonitos que sejam. Você só estará incentivando que outras pessoas busquem o mesmo caminho.

Ao proprietário do Passat do post, o espaço está aberto caso queira se manifestar (educadamente, é claro) sobre o episódio, falar sobre o clube que emitiu o certificado e tudo o mais que julgar necessário. Como sempre está, aliás, a todos os proprietários de Passat que aparecem na área de Placa Treta.

Decepção

Placa treta: Passat LSE 1986Um exemplo de placa preta que entristece e decepciona, vindo de um carro que é bastante conhecido, que faz parte de uma coleção ainda mais conhecida e que não precisava recorrer a esse tipo de coisa em busca de um status inexistente. Como a política da Home-Page do Passat é a de combater as “placas tretas”, não poderíamos fechar os olhos e ignorar um Passat que inclusive era até poucos minutos atrás objeto de uma matéria na área de artigos, mas que preferimos retirar do ar após este episódio.
Como cinco dias após ter sido perguntado no post original, não houve resposta sobre o clube que emitiu o Certificado de Originalidade, a única alternativa encontrada foi a de retirar a matéria do ar. O Passat em questão apresenta não apenas a troca das rodas, mas também o motor AP (lembrando que o original era o MD-270) bem preparado, além do câmbio de 5 marchas. Isso pra não citar outras alterações de menor impacto.
Muitos podem recorrer a velha frase “Ah, mas na legislação não existem essas regras!”. Correto, não existem as tais regras. A alteração de motor, câmbio e rodas fora de época foram criadas pela FBVA e um clube que não seja federado usa suas próprias regras. Mas a lei fala claramente de “conservar suas características originais de fabricação”. Então, deve existir bom senso, o que não foi visto nesse caso. Já fui obrigado a ler pérolas como “Então nenhum carro deve receber placas pretas, porque todos eles já foram reformados, então não são mais originais!”. Por favor… Em momento algum “características originais de fabricação” significam que não se pode restaurar um carro. Seria a coisa mais contraditória possível em uma legislação que visa preservar os veículos antigos. Outra pérola que ouvi em outros casos é “Ah, mas o dono é gente boa…”. Lamento, mas clubes de veículos antigos não estão autorizados a emitir Certificados de Simpatia para emissão de placas pretas pelo Detran dos estados.
Vamos lá, mais uma vez, como em outros posts sobre o assunto: o carro em questão é lindo, não há dúvidas. Mas o certificado não é de beleza, e sim de originalidade. Então não há muito o que se discutir. E é uma pena que ele apareça, depois de tanto tempo, na área de “placas tretas” deste blog.

Placa treta: a velha injeção eletrônica de 1981

Placa treta: anúncio do TS 1981Mais um ótimo exemplo do que podemos classificar como “placa treta”. Em um famoso site de vendas, procurando um Passat para um amigo, acabo dando de cara com este anúncio. O título e a foto me chamam a atenção. Afinal, é um belo carro. Abro pra conferir e a admiração vai por água abaixo… Atrás de modificações mecânicas que certamente deixaram o carro muito mais agressivo, como injeção eletrônica e cilindrada aumentada para 1.9 na famosa denominação “APzão turbão treiskilimei” e também com um jogo de rodas Orbital aro 16″ que podem até provocar um leve debate sobre a harmonia com o restante do carro, caio na decepção de ler (e confirmar na foto) que o carro tem placa preta. Ou mais especificamente: placa treta. Segundo o anúncio: “Certificado e documentação toda ok, com potência alterada e suspensão constante no documento e regularizado no Detran – SP“.

Placa treta: TS 81 com as modificações principaisNão vamos cair no velho erro e na velha ingenuidade do “Ah, o dono conseguiu o certificado de originalidade e depois modificou o carro!”. O texto do anúncio está claríssimo: “Nas fotos acima o veículo ainda não estava com a placa preta, mas atualmente está” (certamente um texto antigo, já que há sim uma foto do carro já com a placa preta, mas onde dois números estão cobertos). Melhor sermos realistas: o clube que emitiu a placa preta sabia sim de todas as modificações. Ou se emitiu o certificado sem vistoriar o carro, continuou agindo fora da legalidade.

A FBVA cada vez mais vem se empenhando para resolver junto ao Denatran a questão dos “clubes” (entre aspas mesmo, pois não são clubes, são apenas comércio) que vendem certificados a proprietários de carros não originais. Porém, minha opinião pessoal é a de que apenas uma mudança na legislação, com regras mais claras sobre o índice de originalidade, ou no mínimo a exigência de que todos os clubes credenciados ao Denatran devam seguir as regras propostas pela FBVA para a emissão do certificado (mesmo que não sejam filiados), pode ajudar a termos um norte a seguir nesta questão. E com os critérios definidos, deveria caber aos proprietários que não seguem as regras alguma punição por meio judicial. Infelizmente o brasileiro, que tanto gosta de gritar contra a corrupção (dos outros), só aprende quando a corda arrebenta do seu lado.

Placa treta: TS 1981 exibindo a placa pretaVale também repetir a reflexão que ouvi há poucos dias de um amigo sobre o tema: placa preta não é atestado de beleza. O Passat do anúncio está bonito? Sem dúvida alguma! Está bem preparado? Imagino que sim. Deu trabalho ao proprietário para deixá-lo assim? Com toda certeza. Mas mesmo bonito, bem preparado e dando trabalho pra deixá-lo neste nível, não é esse o objetivo da placa preta e do certificado de originalidade, que só leva esse nome por um motivo óbvio. E não venham tentar convencer alguém de que essa mecânica e as rodas Orbital estavam disponíveis em 1981.

FBVA atrás das “placas treta”

FBVAUm ofício do último dia 9 de julho, publicado no site da Federação Brasileira de Veículos Antigos informa que a entidade esteve em reunião com representantes do Denatran e está recolhendo material que envolva veículos com placas preta visivelmente irregulares, as por nós chamadas de “placas treta”, para que seja encaminhado a este órgão. Espera-se que com isso seja possível tomar as medidas cabíveis contra os clubes responsáveis pela emissão destes certificados de originalidade.

Vale destacar que no dia 5 de julho, durante o XIV Encontro AVA-JF de Veículos Antigos, na cidade de Juiz de Fora (MG), o presidente da FBVA, Roberto Suga, que assina o texto abaixo, fez questão de dizer que a entidade está trabalhando junto ao Denatran para que uma placa especial aos veículos antigos modificados seja implantada. Portanto, os proprietários destes carros não foram esquecidos.

Segue o texto, na íntegra:

Prezados Senhores;
Diretores Executivos, Diretores Regionais, Membros do Conselho Fiscal e Membros do Conselho Consultivo da FBVA;
Presidentes de Clubes Membros FBVA;

Conforme reunião realizada no final do mês de Junho, entre Diretores da Federação Brasileira de Veículos Antigos – FBVA e Diretores do Departamento Nacional de Trânsito – DENATRAN, em Brasília/DF, ao apresentar o contexto atual sobre emissões de Certificados de Originalidade para veículos antigos, nossa entidade foi solicitada a auxiliar, apontando irregularidades vistas em nosso segmento, para que o órgão possa tomar as devidas providências, principalmente quanto as Associações emissoras destes Certificados.

Desta forma, solicitamos aos Senhores, que possam nos enviar material para que a FBVA providencie um dossiê, contendo material suficiente o bastante para as providências do DENATRAN.

Para que possamos ter argumentos o suficiente junto ao DENATRAN, bem como facilidade de entendimento destes casos, pela Diretoria do Departamento Nacional de Trânsito, nossa sugestão e linha de trabalho neste momento, deverá ser em cima das verdadeiras “aberrações”, ou seja, veículos de fácil visualização de itens que o descaracterizam e o deixam em desacordo com aquilo que buscamos em nossas diretrizes e procedimentos.

Para que a denúncia tenha fundamento, será essencial que algumas informações sejam recolhidas, como seguem:

– Fotos claras do veículo denunciado;
– As fotos devem mostrar a placa do veículo com nitidez (sem deixar dúvidas quanto a seus caracteres e a cidade/estado em que o auto foi emplacado);
– Deverá ser feito um descritivo das irregularidades verificadas (e que deverão ser facilmente identificadas pelas fotos);
– Se possível, e muito importante, informar o clube emissor de tal Certificado.
– Se possível, cópia do Certificado de Originalidade;
– Demais documentos que entender ser importante ao processo.

Esta denúncia deverá ser enviada para o e-mail da FBVA – fbva@fbva.org.br e será recebida em caráter confidencial, sendo repassado somente o material para o órgão público competente, como sendo uma denúncia da FBVA.

A FBVA entende ser esta abertura, o início de uma grande parceria com o DENATRAN, quanto a nossas reivindicações para o antigomobilismo. Obviamente, esperamos usar desta possibilidade, de forma responsável e consciente. Contamos com a colaboração e apoio de todos.

Sem mais para o momento, desde já somos gratos pela atenção e renovamos nossos protestos de consideração e apreço.

Atenciosamente

Roberto Suga
Presidente”

O texto também pode ser conferido no próprio site da Federação. Vamos colaborar com a FBVA e torcer para que tenhamos dias melhores com relação aos veículos de coleção.

Placa Treta: a arte de vender gato por lebre

sport_treta01Caros leitores, eis neste post um dos “melhores” exemplares de Placa Treta que já vi. Um raro Passat Sport 1984, onde a talvez única característica da versão que tenha restado seja o nome no documento, ostentando as placas pretas que atestam o mínimo de 80% de originalidade de um veículo antigo.

As alterações graves para um suposto carro de coleção são notadas até mesmo por quem não está muito familiarizado com o Passat ou com a versão Sport. Ainda assim cito aqui a troca das rodas, estofamento dos bancos, volante, os pára-choques envolventes, a falta do borrachão da tampa do porta-malas, o emblema solitário também na tampa do porta-malas colado em local errado, os frisos cromados dos vidros laterais e as lanternas traseiras usadas a partir de 1985 (além de estarem opacas, em péssimo estado). Isso sem contar o estado geral de conservação do carro, que não está ruim mas de qualquer maneira já não seria digno das placas pretas mesmo se o carro estivesse original. O leitor que olhar as fotos com mais atenção vai encontrar mais itens errados, mas apenas alguns dos citados já excluiriam o carro da placa preta sem nem mesmo realizar a vistoria.

sport_treta02 sport_treta03 sport_treta04O carro em questão estava a venda no evento de Campos do Jordão – SP  e as fotos foram enviadas pelo Lobão. Pesquisando na internet e pela placa dianteira decorativa, foi possível encontrar a loja especializada no comércio de veículos antigos que está anunciando este ex-Sport por módicos R$18.000,00, como pode ser confirmado no link da própria loja. Deixo, caso seja desejado, o espaço aberto aqui para explicações da loja sobre o Passat anunciado, inclusive para dizer qual foi o clube responsável pela suposta vistoria realizada para emissão do Certificado de Originalidade. Mas ao mesmo tempo deixo minha opinião de que é impossível que qualquer comerciante especializado em veículos antigos não tenha a mínima noção da irregularidade do exemplar e queira repassá-lo como sendo um veículo original.

E deixo aqui minha humilde sugestão, aproveitando o ano de eleições na FBVA, que a entidade disponibilize em seu site a opção de pesquisa em um banco de dados onde o visitante possa digitar a placa de um veículo de coleção e saber:

– Se o Certificado de Originalidade do veículo foi emitido através da entidade;

– Em caso positivo, qual foi o clube responsável pela vistoria.

É claro que esse sistema só funcionaria para fiscalizar os laudos emitidos por clubes filiados a própria FBVA, e no caso das placas pretas irregulares emitidas por clubes cadastrados diretamente ao Denatran ou via despachantes isso não seria possível. Mas seria mais um modo de fiscalização de uma lei que vem sendo descumprida descaradamente, seja pra fugir do teste de emissão de poluentes (que não é o caso do exemplar deste post, emplacado em Mogi Mirim) ou como uma tentativa de valorizar o carro em uma possível venda para completos leigos no assunto.

Placa Treta: a tecnologia Total Flex em 1976

placatreta03Já estávamos há quase 1 ano sem um novo exemplar para nossa série “Placa Treta”, mas eu tinha certeza que mais cedo ou mais tarde apareceria algum Passat para nos decepcionar. E hoje enfim aconteceu. Um dos membros do grupo “Clube do Passat” no Facebook encontrou este anúncio em um famoso site de publicou por lá, já alertando para a incoerência.

placatreta03aplacatreta03bO Passat 1976 anunciado por módicos R$25.000, além das sonhadas placas pretas que caracterizam um veículo com valor histórico, ou seja, que preserve suas características originais, possui também uma gama de itens interessantes e que até onde conhecemos não era utilizada há quase 40 anos atrás. A mais interessante é um motor 1.8 com injeção eletrônica e tecnologia Total Flex. Além disso, direção hidráulica, vidros elétricos, rodas BBS, faróis xenon e um interior personalizado que dispensa comentários. O anúncio também mostra fotos do carro ainda com as placas cinza, o que nos leva a crer que as PP foram obtidas após a compra.

placatreta03cVale o mesmo comentário que sempre é feito: o gosto é algo pessoal. Muitos vão gostar do modelo anunciado e outros tantos não gostarão. Mas o que está em alerta aqui novamente é o uso incorreto da placa preta, novamente obtida sabe-se lá como, em um carro totalmente descaracterizado. Uma desmoralização da placa preta…

Placa Treta: LS 2.0

Mais um flagrante claro do desrespeito a legislação da placa preta, desta vez anunciado na internet. As irregularidades não são poucas… Começando pelo motor 2.0, que de cara já eliminaria a possibilidade de placa preta em qualquer Passat nacional, mesmo que todo o restante estivesse 100% original.

treta02aFora isso, há outros itens que seriam excludentes ou no mínimo fariam este Passat perder pontos preciosos. Na parte externa, o que mais chama a atenção é a altura da suspensão, além as rodas. Já no interior, algumas características incompatíveis com a originalidade, como o volante “4 bolas”, padrão do estofamento dos bancos e encosto de cabeça separado.

treta02bTudo isso nos leva a pensar em como mais este carro não-original obteve a placa preta e nos leva a curiosidade de ver o Certificado de Originalidade expedido pela entidade responsável pela vistoria. Porém, o mais provável é que este Passat sequer tenha passado por qualquer tipo de vistoria.

treta02ctreta02d treta02eComo já disse no outro post sobre o assunto, isso não é uma caça aos carros modificados. O Passat do anúncio é até um belo carro, aparenta estar muito bem cuidado. Mas nunca, nunca mesmo, poderia obter as placas pretas com esta configuração, através de uma entidade séria e competente. E nem é preciso ser especialista em Passat pra chegar a esta constatação. Basta ter um mínimo conhecimento sobre carros.

O brasileiro, que começa a se acostumar com a idéia de protestar contra atos ilícitos e corruptos dos seus políticos, poderia também colaborar e não se rebaixar às mesmas táticas daqueles que nós tanto criticamos. E caso apareça algum deputado querendo acabar com a lei da placa preta, que moral teremos nós, antigomobilistas, para protestar?

Com a palavra, as autoridades responsáveis…

Placa Treta

Sempre achei que falta na Home-Page do Passat uma matéria detalhada sobre a placa preta. Falar sobre suas origens, sua razão de existir, como obtê-la, por que obtê-la, entre outras dúvidas que pairam na cabeça de muitos donos de carros antigos, principalmente os recém-chegados neste meio antigomobilista. Bem, um dia farei. Enquanto isso, no maior resumo que eu possa fazer aqui para quem tem dúvidas sobre o assunto, a placa preta deveria contemplar veículos com 30 anos ou mais que mantenham um mínimo de 80% de originalidade. E essa originalidade deve ser atestada por um clube ou entidade cadastradas pelo Denatran para este fim.

Ditas estas rápidas palavras, voltemos ao mundo real. Absurdos envolvendo a placa preta não são novidade. Desde que a placa preta (vamos chamá-la de PP a partir daqui, pra facilitar) foi criada, gente esperta se aproveita pra ceder este benefício a veículos que não atendam as normas mais básicas da legislação específica sobre o assunto. Um caso notório era de uma Variant II 1978, extremamente original é verdade, que possuia placas pretas desde pelo menos 2005, antes mesmo de completar 30 anos. Outros casos famosos poderiam ser contados, mas não vamos nos alongar aqui.

Nosso amigo passateiro Willian Spera fotografou este Passat em um evento de São Paulo. Olhando a traseira rapidamente, trata-se de um belo Passat TS 1976. Com mais atenção, percebe-se a tampa traseira grande, exclusiva dos modelos L e LS. Olhando a lateral… rodas de liga modernas, totalmente incompatíveis com o objetivo da PP. Ao chegarmos na dianteira… Apenas um par de faróis nos aguarda, com direito a penduricalhos como as travas do capô. Uma bela salada que nunca deveria ter a PP. Mas tem…

treta01a treta01bQue fique claro: nada contra carros modificados aqui. Cada um faz o que quer. Mas o direito de um não deve transgredir a legislação. O problema aqui é modificar o carro e ter uma placa, um documento oficial do governo atestando sua originalidade e seu valor histórico, quando não tem. E, convenhamos, ainda fica feio e vergonhoso quando a pessoa chega com um carro assim em um meio antigomobilista, onde todo mundo sabe que aquele par de placas pretas não vale nada.

Quem tiver mais exemplos, pode mandar que divulgamos.