Mais um Passat nupcial

Há alguns dias postei meu breve relato sobre a honra que foi levar uma amiga ao seu casamento. Pouco depois recebi esta contribuição do Michael Sgarbi, meu quase vizinho aqui de Niterói. As fotos mostram o dia do casamento da mãe do Michael, Sra. Maria, que assim como manda a tradição, entrou na Igreja acompanhada de seu pai. Já na segunda foto aparece o Sr. Luis Antônio, pai do Michael e o noivo daquela noite.

O casamento foi em 1975, em Bangu, no Rio de Janeiro. A noiva chegou triunfante em um Passat L 1975, praticamente 0km, que pertencia a um primo. Belíssimo registro de família que mostra um tempo que infelizmente não volta mais.

casamento_sgarbi01 casamento_sgarbi02

Lá vem a noiva…

Foram pouco mais de 800km (ida e volta) para prestigiar o casamento de um casal de grandes amigos. Apesar da distância que nos separa, desde que conheci o Edison e a Juliane, no Blue Cloud de 2008, em Caxambu, sempre tive por eles grande consideração e amizade, assim como tenho por outros amigos espalhados pelo Brasil, que infelizmente só encontro após grandes intervalos. Quase sempre os encontro em trio: Edison, Juliane e o Passat TS 1977, que foi um dos primeiros publicados aqui na área “Carro do Leitor”. A exceção foi um evento no Rio de Janeiro, quando participaram sem o TS e eu tive a oportunidade de dar uma carona no meu LSE.

Um belo dia, não lembro exatamente quando, a Juliane me disse: “No meu casamento, quero chegar no seu Passat!”. Por razões óbvias, me senti honrado… Tantos Passat impecáveis em São Paulo e eles escolheriam justamente o meu, em Niterói? O tempo passou e o dia chegou… O convite foi refeito e eu nunca poderia negar. Carro lavado e pé na estrada, vencendo os km entre Rio e São Paulo. No meio do caminho, tivemos também a companhia de outro Passat, o LSE 1986 do André Simas.

casamento_placaNa hora da cerimônia, o carro recebeu uma placa dianteira decorativa, com o nome dos noivos e a data do casamento. Noiva devidamente acomodada no banco traseiro, havia enfim chegado a hora da missão mais importante do LSE: levá-la até o noivo. O casamento aconteceu ao ar livre, sobre um belo gramado, onde todos os convidados poderiam ver a entrada da noiva. A entrada do Edison na cerimônia também não seria nada habitual. Ele chegou de Passat, dirigindo seu próprio TS, parou em frente ao longo tapete vermelho rosa (editado: devidamente alertado pela Juliane que o tapete não era vermelho… perdoem a cegueira) que passava convidados e saiu do carro para ir até o altar na companhia da sua mãe. Na hora da entrada da noiva, é bem possível que eu estivesse mais nervoso que a Juliane. Afinal, era muita responsabilidade… O LSE não podia falhar. E como ele nunca me desapontou, tudo correu dentro da mais perfeita ordem. A noiva chegou, sob os olhares de admiração dos convidados (para ela, claro, não para o carro, que era mero coadjuvante), se dirigiu ao altar e eu pude encostar o Passat e acompanhar emocionado o restante da cerimônia. Durante a festa, o TS e o LSE permaneceram ali, sobre o gramado, enquanto os convidados se divertiam no salão. E no dia seguinte, com os noivos tendo ido dormir no mesmo hotel, a garagem amanheceu mais bonita… Publicamos aqui algumas fotos pra ilustrar, mas futuramente receberemos as imagens oficiais, registradas pelos fotógrafos profissionais que acompanharam toda a cerimônia.

Foto: André Simas
Foto: André Simas
Foto: Mariana Menezes "Grigorevski"
Foto: Mariana Menezes “Grigorevski”
Em determinado momento da festa, alguns dos passateiros presentes se reuniram perto dos carros pra falar de... Passat! Foto: Artur Yamamura
Em determinado momento da festa, alguns dos passateiros presentes se reuniram perto dos carros pra falar de… Passat!
Foto: Artur Yamamura
O estacionamento do hotel, na manhã seguinte...
O estacionamento do hotel, na manhã seguinte…

Aos mais novos passateiros casados do Brasil, desejo toda a felicidade do mundo e uma união eterna, e tenho certeza que vocês terão tudo isso. Foi uma honra e um prazer ter participado deste momento e contribuído, mesmo que tenha sido apenas com um pequeno detalhe, com a cerimônia. E caso queiram, desde já deixo a data reservada pra levar o LSE novamente na comemoração das bodas de prata, em 2038…

O dia em que tunaram meu Passat

Dias atrás navegava pelo fórum da Home Page do Passat e usando a ferramenta de pesquisa com a palavra tuning, veio um tópico com este título. Não se tratava de um carro com rodas com aro de bicicleta, nem de caixas de som para todo canto, fibra de vidro e luzes neon. Nada disso.

A história era bem conhecida por muitos, protagonizada por um amigo de longa data do fórum, Ingo Hermes Dittmar, que detém muito conhecimento de automóveis e sempre nos surpreende com alguma supresa da história, como uma bicicleta com faróis a carbureto ou uma coleção de placas de automóveis do Paraná, com as raras e esquecidas plaquetas.

Não obstante, é sempre observador nos detalhes e ajudou muitos anos nas restaurações do fórum, com dicas e orientações valiosas.

Ingo Dittmar nos conta o evento que modificou sua vida para sempre e seu Passat por um dia:

“Era chegado o grande dia do meu casamento, e assim como eu deveria me preparar, tinha que preparar também o Passat. Afinal, quando comecei a namorar minha agora esposa, faziam 4 dias que havia comprado meu Passat LS 79, 3 portas, Bege Ipanema. E desde então até aí se foram 9 anos de um triângulo amoroso.

Eu sabia que meus convidados não deixariam o Passat de fora da festa. Portanto, durante a tarde que precedeu a cerimônia, ele recebeu um belo banho, com direito à cera. Era uma tarde ensolarada e quente de Junho, mesmo sendo inverno. Para evitar qualquer vermelhidão no rosto, apliquei uma generosa camada de protetor solar, muito mal espalhada. Nem parecia que dalí há algumas horas seria meu casamento.

Dirigi o Passat até a igreja, mas de lá até o restaurante fomos num Ford Thunderbird 1958, e um dos meus padrinhos levou o Passat. Claro, deixei a ovelha para o lobo cuidar. Durante a festa, meu primo foi entregando para minha esposa os diversos tocos de batom utilizados na “decoração”.

Ao final, só restava pegar o Passat e ir pro hotel. Não sem antes encontrar todas as bolinhas de naftalina espalhadas pelo interior, colocadas graças a ajuda do padrinho que estava com as chaves. Chegando no hotel, o manobrista foi abrir a porta para minha esposa, e com tamanha prestatividade não deu tempo de avisar “-…tome cuidado com o batom na maçane……ta!!” Tarde demais, o coitado lambrecou a mão com batom hehehehe.

Pedi para providenciarem uma lavagem completa, mesmo assim ficaram manchas. Felizmente, na lua de mel, encontramos um lava-car, no qual o dono também tinha Passat, aí ficamos mais tranquilos em deixar o LS para um banho e uma boa encerada, removendo os últimos resquícios do que chamei de “O dia em que tunaram meu Passat”. E até hoje, depois de mais de 15 anos, esse relacionamento continua saudável!”