Passeio com o Holandês

Holandês Voador… Este é o nome do impecável Passat L 1974 do Cláudio Mazzoni, presidente da Sociedade do Carro Antigo de Barbacena (SCAB). Mas com ele, assim como pra vários amigos passateiros, carro antigo não é apenas enfeite. Carro antigo parado pode até contar alguma história, mas não tanto quanto em uso. E pra curtir um passeio de férias entre as cidades mineiras de Barbacena e São Lourenço, o Holandês Voador foi o escolhido para a missão.

mazzoni01A viagem, conta o Cláudio, teve quase 500km entre ida e volta. E, como era de se esperar, o Passat não apresentou problema algum. Durante o trajeto, ainda encontrou um velho Fusca, já um tanto descuidado, porém ainda firme no batente.

mazzoni02mazzoni03mazzoni04Fica aqui o registro da viagem a bordo de um belíssimo Passat!

A Ilha dos Antigos

E neste domingo foi realizado o I Encontro de Carros Antigos “Esse vale uma foto”, do blog “Registros Automotivos do Cotidiano” (ou, pra facilitar, RAC). O blog, como já citei aqui várias vezes (e não me canso de divulgar trabalhos que sejam bem feitos), registra carros antigos ou interessantes nas ruas do Brasil (e do mundo). Relativamente recente, foi criado no final de 2010 pelo Matheus Marques, que faz a maior parte destes flagras pelas ruas do Rio de Janeiro, e cresceu depressa, ganhou visitantes assíduos, colaboradores e, tenho certeza, amigos.

Variedade: Toyota Paseo originalíssimo, Kombi "rat" e Ferrari 308 GTS.
Variedade: Toyota Paseo originalíssimo, Kombi “rat” e Ferrari 308 GTS.

E depois de pegar gosto pelos eventos de antigos, lá foi o Matheus botar a mão na massa pra fazer um do seu blog, reunindo também os próprios personagens que já passaram por lá. O cenário pra isso não poderia ser outro, senão o charmoso bairro da Ilha do Governador, palco de grande parte dos registros que passam pelo RAC. O tempo nublado fez pensar que poucos carros apareceriam, mas a área reservada para o evento acabou ficando pequena… E a variedade de modelos impressionou: originais, modificados, os “rat” que a cada dia tem um grupo maior, os nem tão antigos mas ainda assim raros, esportivos, fora-de-série, clássicos, luxuosos, simples… Para cada categoria de carro que se pode pensar, havia algum representante. E mesmo em meio a modelos como Ferrari, Porsche e Lincoln Continental, um “modesto” Logus GLi 1994 roubou a cena de quem aprecia os originais. Sendo um modelo já raro de ser ver pelas ruas, ainda mais em bom estado, este legítimo representante da Autolatina parecia 0km e foi rodeado pelos visitantes do encontro quando chegou.

Logus GLi 1994: simplesmente impecável
Logus GLi 1994: simplesmente impecável

Os Passat foram representados por 5 exemplares, sendo dois LSE “Iraque”, dois exemplares da linha 1980 (LS e TS) e um LS 1981 com acessórios dos anos 80, como as rodas Jolly e teto solar da marca Panther, algo que não se vê todos os dias. O amigo Bruno Lara, proprietário do LS 1980, aproveitou a proximidade de casa e trouxe mais dois VW de sua coleção: uma Brasilia 1977 e um Fusca 1500 1973. Tive o prazer de ser escalado para ajudar nesta missão irrecusável… Na ida, trouxe o 1500 e relembrei a sensação de estar ao volante de um simpático (e impecável) Fusca. Na volta, levei a Brasilia e experimentei o carro que sempre tenho na lembrança quando penso no meu avô, que me levava pra passear na sua quando eu era pequeno.

A partir da foto do alto: Passat LS com acessórios dos anos 80; VW "a ar" que tive o prazer de dirigir; Passat LSE 1987: o escolhido pra me levar ao evento
A partir da foto do alto: Passat LS 1981 com acessórios dos anos 80; VWs “a ar” que tive o prazer de dirigir; Passat LSE 1987: o escolhido pra me levar ao evento

Ao final do evento, uma pequena “passateata” (será incorporado ao Aurélio futuramente, podem me cobrar) para o almoço, passeando pela Ilha e fazendo muitos pescoços virarem. Confesso que chegava a ser engraçado e nem sei quantas pessoas viravam impressionadas pra ver os três Passat. Até mesmo senhoras se viraram e cheguei a ouvir de uma “É desfile?”. Em outra ocasião, com o bom humor característico do carioca, o motorista de uma Kombi de lotação pegou o microfone que usa para anunciar o seu trajeto aos possíveis passageiros e perguntou em alto e bom som “É uma convenção de Passat?”. Bom saber que, de certa forma, vamos preservando a história…

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Passeio pela Ilha do Governador, seguindo os dois 1980 Marrom Avelã.

Por enquanto, aproveitem estas fotos. A cobertura com todas as fotos será publicada em breve, na área de eventos do site! E deixo aqui registrado meus parabéns ao Matheus e a todos que ajudaram na organização deste I Encontro de Carros Antigos “Esse vale uma foto”. Que venham outros, estaremos presentes!

Passat no ar

Adauto Junior representando o Passat em meio aos arrefecidos a ar. Para integrar a turma do ar, um avião que foi retratado aqui.

A imagem é do final do dia do encontro do Clube do Carro Antigo Londrina, deste mês de outrubro.

Como já foi dito em outra oportunidade, é muito bom ver o Passat entre outros modelos, sem preconceitos, rivalidades ou inveja.

Crédito: Regina Aranda

Passat tomando um Ar.

Adauto Junior indo ao OktoberFusca, em Rolândia-Paraná. O evento contou com desfile pelas ruas da cidade, no evento que pára a cidade nas ruas principais.

Para variar, a Lady GAGA carregada de tranqueiras no teto. Vale destacar o belo colorido dos carros na rodovia.

Crédito pelas fotos, volkstreet.

Água e Ar misturados.

Rivalidade. Uma palavra que não cai muito bem no mundo dos carros antigos, pois todos perdem ao criar uma guerra de egos.

Traz enorme alegria ver esta cena, protagonizada pelo amigo Adauto Junior e o pessoal do Fusca de Londrina, liderados pelo Ney “Speed Custon”.

O Adauto é uma figura única, que agrega o pessoal da região norte do Paraná que gosta de Passat. Sempre animado e muito disposto a participar de um encontro de antigo, não importando a distância e a quantidade de aventuras e desventuras.

Seu peculiar Passat é fruto de uma história interessantíssima, dessas que o acaso apronta e é preciso alguém corajoso para encarar um projeto que parece difícil. E foi difícil. O apelido desse carro é Lady GaGa, pois a cada dia tem mais coisa pendurada.

Passat LS 5 portas e outras histórias

Nosso amigo e colaborador Cláudio P. Pessoa revirou o álbum de família e encontrou esta bela imagem do começo dos anos 1980, onde foi retratado ao lado dos carros da família.

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Trata-se de um VW Brasilia 1979 verde Indaiá e um Passat LS 5 portas. Esse modelo de carroceria não foi disponibilizado no mercado interno, ficando restrito à frota da fábrica.

Esses carros eram vendidos posteriormente aos funcionários no pátio de usados que ficava fora da fábrica, num local alugado no bairro Demarchi, segundo relatos do Cláudio.

Nos anos 80 um dos meus baratos era ir com meu Pai sábado de manhã no pátio de usados da VW. Isso quando ele estava pretendendo trocar de carro, é claro. Mas houve algumas vezes que fomos por curiosidade mesmo. Era legal ver aqueles carros bem de perto. Muitas vezes era viagem perdida, não tinha nada legal. Apenas muitas Kombis, Gols furgão e carros mais operacionais. Mas em outras vezes, tudo de bom, Santana, Gol GT, Passat (muitos LSE Iraque) e outros. E comprar esses carros não era fácil, não pelo preço, mas pelo grande interesse que despertavam. Tanto que a VW tinha um sistema com critérios para “eleger” quem podia comprar um desses ou não. O mais simples era o tempo que já havia feito outro negocio. Quanto mais recente menos qualificado a comprar outro. Mas tinha outros critérios também.

Esse pátio não ficava dentro dos limites da fábrica da Anchieta, mas sim numa área alugada no Bairro Demarchi, próximo a fábrica. Como bem relatado no post do blog (imagino que com informações do Marcelo), de vez em quando apareciam disponíveis para venda umas coisas que não eram exatamente de linha normal para o público. Os dois Passat’s  5 portas que tivemos (78 e 80) foram bons exemplos disso. Alguns Passat LSE “Iraque” da geração 83/84 também.”

Entre os carros que ele encontrou nesse pátio, havia um VW Fusca dourado, num tom bem forte e até cafona. Até aí, tudo bem, poderia ser algum protótipo ou algo do gênero. Mas não. Era o carro usado pela Rede Globo para filmar o seriado “As aventuras de Mário Fofoca”.

O Fusca usado pelo personagem. Ao fundo, um Passat.

O personagem, um peculiar detetive interpretado pelo ator Luís Gustavo no ano de 1983, dirigia um Fusca dourado com um interessante teto de lona. Cláudio relata ainda que “o Fusca foi personalizado na própria VW e era cheio de traquitanas, entre elas um teclado de telefone no centro do volante e um dos puxadores de porta era o próprio fone.

Que fim teria levado esse Fusca?