Best Cars

Passat PlusNa última sexta-feira o site Best Cars publicou uma matéria bem completa sobre o nosso Passat, contando desde antes do seu lançamento na Alemanha até o final de sua produção no Brasil, em dezembro de 1988. Além da história detalhada, não foram esquecidas as séries especiais, as transformações realizadas na época (como as da Dacon e o Passat Júlia), um pouco sobre competições e curiosidades como a participação dos Passat em filmes nacionais. A Home-Page do Passat teve uma pequena contribuição nesta matéria, principalmente com algumas fotos que foram utilizadas.

O texto é impecável, como é o conhecido padrão de Best Cars desde 1997 (foi um dos primeiros sites do Brasil a tratar sobre o tema “automóveis”), e não cai na vala dos erros comuns, como chamar o motor 1.5 de MD e diversas outras coisas que fazem o passateiro de verdade se decepcionar. Muito pelo contrário, é uma ótima leitura do início ao fim! Tive o prazer de conhecer Best Cars em sua primeira fase, assim como de participar de sua lista de discussão por e-mail (isso por volta de 1998 ou 1999). Quem lembra dessas listas que fizeram sucesso antes do surgimento dos fóruns e das redes sociais? Ainda temos a nossa lista também, bem parada pois esse sistema já saiu de moda faz tempo, servindo praticamente como um arquivo daquela época que nem é tão distante assim, mas parece.

Uma boa leitura pra vocês!

Merece um brinde!

4m10anos_01Há exatamente 10 anos eu acordei cedo, peguei um ônibus de Niterói até a Central do Brasil e pela primeira vez (e até agora única) peguei um trem. No caminho um maluco (ok, sei que é politicamente incorreto falar assim) me mostrou desenhos sem muito sentido que fazia em um caderno, ouvi dois ou três fanáticos religiosos fazendo pregações e comprei um pacote de balas com um vendedor ambulante. Fui parar no bairro de Anchieta, onde dias atrás eu já havia ido. Subi uma rua residencial, de casas grandes e de estilo antigo. Toquei a campainha de uma delas e fui recebido pela Mônica e pela Sra. Marilene, pessoas da maior simpatia e que a partir daquele dia me confiariam um bem muito precioso para elas. Naquele dia 26 de agosto de 2003, eu fecharia a compra de um Passat 4M.

Carro de único dono… O Sr. Miranda, pai da Mônica e marido da Sra. Marilene (e que já teve uma foto publicada aqui no blog), havia encomendado um Passat LS branco na Bittig, concessionária VW que já fechou as portas, assim como tantas outras. No dia 7 de janeiro de 1978 ele foi até lá buscar o carro. O gerente, meio sem graça, disse que a fábrica não havia enviado o carro. E que se ele não quisesse esperar, venderia um outro Passat que havia chegado. Este Passat havia sido encomendado para o uso do próprio gerente, mas ele disse que não teria problema em vender o carro para o Sr. Miranda porque depois encomendaria outro igual para a fábrica. O Sr. Miranda foi até lá e conheceu aquele Passat diferente. Tinha jeito de TS, mas um comportado motor 1.5 como o LS que ele havia pedido antes. Ele adorou a cor, o interior em tons de marrom, os detalhes… Deixou de lado a vontade por um carro branco e ficou com ele. A Brasilia que ele tinha deu lugar ao Passat 4M. E assim foi a história até que completasse quase 25 anos. Aquele Passat foi o carro de uso diário dele. Viagens, trabalho, inúmeras ofertas de compra recusadas, principalmente nos últimos anos… Ele sim, foi um “passateiro” de respeito.

Até que no finalzinho de 2002, o Sr. Miranda veio a falecer. O Passat ficou parado na garagem por uns meses e alguns problemas levaram a família a precisar se desfazer dele. Anunciaram na internet, com três fotos pequenas e antigas, além de uma breve descrição. Um amigo mostrou o anúncio na lista de discussão da Home-Page do Passat no Yahoo Grupos. Eu vi, achei interessante e deixei pra lá. Depois de um mês surgiu uma oportunidade e lembrei do anúncio. Pensei que era perda de tempo telefonar, porque depois de tanto tempo já teriam vendido o carro. Arrisquei. Procurei o anúncio, peguei o telefone em um dia de semana qualquer a noite e conversei com a Sra. Marilene. Tímido, perguntei “Boa noite, estou ligando por causa do anúncio de um Passat e gostaria de saber se ele ainda está a venda”, já quase sem esperanças. “Ainda está”, ouvi do outro lado da linha. Combinei de ver o carro no final de semana. Foi a primeira vez que vi um 4M pessoalmente. Eu não conhecia quase nada sobre o modelo, as informações eram quase inexistentes. Devo ter ficado tão surpreso com as características da versão quanto o Sr. Miranda ficou em 1978. Como não havia possibilidades de fechar negócio no final de semana, me comprometi a ficar com o carro e combinamos para a semana seguinte. Junto com esta promessa, prometi também cuidar bem do carro, claro! E voltamos para o início deste texto, quando eu disse que fui buscar o bem material mais precioso da Mônica e da Sra. Marilene. Comprei um carro e acabei sendo guardião também de um sem número de lembranças desta família, o que é, convenhamos, muito mais importante que um bem material.

Uma das primeiras fotos após a compra, em 2003.
Uma das primeiras fotos após a compra, em 2003.
O primeiro evento, ainda com pára-choques amassados, grade quebrada, emblema fora do lugar...
O primeiro evento, ainda com pára-choques amassados, grade quebrada, emblema fora do lugar…

Já no primeiro dia, entre ida e volta ao Centro da cidade para proceder com a burocracia necessária para a compra de um bem ainda em inventário, a volta para o bairro de Anchieta e depois enfim a ida para Niterói, acabei rodando cerca de 100km. Assim, mal nos conhecendo, eu e o 4M, já o levei a rodar por vias de trânsito pesado e por vezes engarrafado como a Av. Brasil, Av. Presidente Vargas e outras que eu atualmente penso duas vezes antes de enfrentar ao volante de qualquer carro. Chegando em Niterói, guardei o carro em sua vaga e lá só pude voltar dias depois, para enfim poder me divertir. Ao abrir a panela do filtro de ar, pra começar a verificar o que deveria ser trocado para a manutenção de rotina, cadê ele? Foi uma das primeiras coisas que precisei providenciar… Aos poucos fui descobrindo o carro, seus problemas, suas qualidades. Era um carro de uso normal, portanto nada mais justo do que ter problemas a resolver, além de algumas coisas fora do padrão original que o tempo e a vida modificam. Aos pouquinhos fui completando algumas peças do quebra-cabeças, um jogo que ainda não terminei. Um pouco da graça de ter um carro antigo está nisso também. Poucos meses depois da compra, fui pela primeira vez como expositor um encontro de carros antigos. E naquela época o Passat ainda não era um carro muito bem aceito nos eventos. Uma coisa de certa forma normal, que aconteceu antes com outros modelos nacionais. Aos poucos isso foi mudando, e tenho orgulho de pensar que pelo menos aqui no RJ eu e o 4M fizemos parte de uma pequena legião de sonhadores que ajudou a mudar essa imagem. Por causa deste carro conheci grandes amigos e nele fiz passeios inesquecíveis. Por causa deste carro e destes grandes amigos (e dos carros destes grandes amigos) nasceu o Passat Clube – RJ. Por causa deste carro já acordei às 5:00 pra estar antes de 8:00 em Itaipava, só pra garantir a vaga para o clube em um evento. Por causa dele já rodei concessionárias distantes em busca de peças perdidas em velhos estoques, gastei manhãs de sábado na Biblioteca Nacional e em sebos buscando as propagandas de época. Por causa deste carro tive alegrias que não consigo enumerar e algumas poucas tristezas também.

Passeio a Saquarema, 2005.
Passeio a Saquarema, 2005.
Viagem a Visconde de Mauá - RJ, 2006.
Viagem a Visconde de Mauá – RJ, 2006.

Em 2006, em um dos capítulos mais divertidos da minha história com este carro, fui convidado (não… eu não fui convidado pra nada… o 4M foi!) para participar das gravações de um filme. O 4M virou coadjuvante de cinema. Por alguns dias me sentei ao volante dele, quase sempre em horários não muito convencionais, e fomos a vários bairros da Zona Sul do Rio, participar dos sets de filmagem. Cruzávamos as vias expressas em plena madrugada, ao som do rádio FM e seguindo a iluminação amarelada dos faróis… Ou voltávamos pra casa em pleno horário de rush de uma sexta-feira, enfrentando 3 horas de engarrafamento pra fazer um trajeto curtíssimo entre Ipanema e Niterói. Em um final de expediente mais alternativo e não desejado, voltamos pra casa pela primeira vez em um reboque, depois que o cabo do acelerador, que eu havia trocado há poucos meses, arrebentou no meio de uma cena e não havia tempo hábil pra consertar e nem como arrumar um cabo novo em plena madrugada no bairro de Botafogo.

Em uma das cenas do filme "Meu nome não é Johnny", gravado em 2006. Foto: divulgação
Em uma das cenas do filme “Meu nome não é Johnny”, gravado em 2006.

Aliás, foi com ele que perdi o medo de mecânica. Não virei um mecânico. Estou longe, bem longe disso. Mas foi no 4M que arrisquei meus primeiros passos pra fazer reparos simples, que antes me pareciam terrivelmente complexos e cujos procedimentos só poderiam ser realizados por especialistas altamente gabaritados. Com este carro aprendi a trocar radiador, bomba d’água, desmontar um carburador, tirar painel, encaixar painel, desmontar acabamentos, ajustar a correia do alternador, trocar platinado, entre outras gambiarras. E ele ainda vai me ensinar mais coisas, eu garanto. Com ele aprendi também a assoprar um giclê. Nada mais gratificante para um dono de carro antigo do que assoprar um giclê e ter todos os problemas solucionados.

Porém, não sou o dono ideal e o 4M sabe disso. Eu também faço minhas maldades, tenho meus desleixos. O último foi ter deixado o 4M parado por 3 anos (também já contado por aqui). Em uma fase de mudanças na minha vida, não tive tempo suficiente pra ele. Fazia uma visita esporádica, deixava o motor ligado um pouco… E nada mais. Como vingança, na primeira voltinha depois de tanto tempo parado, o 4M desfez suas buchas do trambulador em mil pedaços. Foi quase um “Viu o que eu posso fazer se você me esquecer assim de novo?”. E lá fomos nós outra vez passear de reboque.

4mvolta03
Evento no Museu Conde de Linhares – 2012

Muitos pensam que é apenas um carro. E talvez seja apenas isso mesmo. Só não tente me convencer disso… Sei que não sou o primeiro a completar 10 anos com um carro. Tenho certeza de que não vou entrar pra nenhuma lista de recordes e tenho amigos e conhecidos que me venceriam com facilidade se isso fosse uma competição. Mas estes 10 anos foram especiais pra mim. Aprendi muito, me diverti mais ainda e sofri um bocado também. Obrigado, amigo, por me aturar por tanto tempo sem reclamar muito dos meus cuidados.

Recuperação de filmes históricos de Jean Manzón

Texto e dica do eclético Mário César Buzian, que anda de V8, mas conhece e gosta muito de Passat:

“Uma das melhores inciativas da indústria foi a recuperação de filmes históricos de Jean Manzón, cineasta francês que se especializou em produzir documentários e filmes de curta-metragem desde os anos 30, que eram exibidos normalmente antes dos filmes comerciais nos cinemas brasileiros.
Dentre as grandes contribuições de Manzón, um dos maiores destaques foi a sem duvida a indústria automobilística e seus assuntos relacionados.
A Dana, vendo o potencial do nosso mercado antigomobilista, decidiu bancar a restauração de filmes importantíssimos da primeira fase das nossas fábricas, e o resultado final foi a criação de 3 DVD´s com esse riquíssimo material, enviado a museus, escolas técnicas e alguns profissionais relacionados à área automotiva.
Para quem não tem esses filmes, é possível conhecê-los um a um no site da empresa, a partir desse lnk:

http://www.dana.com.br/historia/topico_videos.swf

Vale MUITO a pena conhecer, é uma viagem no tempo do pioneirismo brazuca…”

Desta vez o post não tem relação direta com o Passat, pois os filmes são anteriores à sua produção. Aproveite a oportunidade para conhecer mais sobre a história da nossa indústria.

Álbum de família: o reencontro.

Foi com surpresa que a alguns dias recebi um e-mail do nosso amigo Cláudio P. Pessoa, com fotos antigas de uma viagem em família. Mas não eram apenas fotos, era o registro de um momento especial.

Além de gostar de automóveis, quem lida com carros antigos busca informações sobre a época do veículo, hábitos, costumes, roupas, música, tudo vira objeto de pesquisa.

Porém, muitas vezes lidamos com sentimentos que vão além da máquina e objetos. Ao lidar com os carros acabamos nos envolvendo com a história dos seus proprietários, as passagens que o automóvel esteve presente e qual sentimento que o veículo gerava na pessoa.

No caso das fotos a seguir, nada melhor do que ler o depoimento de quem vivenciou o momento, onde os carros eram coadjuvantes.

Segue a história:

“Meu pai é piauiense. Em janeiro de 1977 viajamos todos de carro para o Piauí para passar as férias com a família, saindo de São Bernardo do Campo – SP. Meu pai, minha mãe, eu, minha irmã caçula, meu irmão mais velho e, claro, o Passat. Se não me engano foram quatro dias e três noites de viagem.
O Passat LS 3 portas era zero e praticamente foi amaciado na estrada. No último dia, já no estado do Piauí, meus avós paternos, um tio e uma tia foram nos recepcionar ainda na estrada e a foto abaixo mostra o momento exato de nosso encontro.
Considerando o instante menor do que um piscar de olhos a foto se torna ainda mais preciosa. Tirada de dentro do opala de meu avô, por sinal um belo exemplar duas portas novinho também e cheio de acessórios da época.
Paramos no acostamento e nos cumprimentamos. Minha avó faleceu há um mês, aos 99 anos. Meu avô e meu tio já se foram há muitos anos. Um belo dia, boas lembranças, e o que importa: um momento feliz.”
Nosso muito obrigado ao Cláudio por dividir conosco uma lembrença tão pessoal

Centenário de Nélson Rodrigues

“Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.”

Essa era apenas umas das frases do polêmico e complexo dramaturgo Nélson Rodrigues, que hoje completaria 100 anos de idade. Um homem culto e sem pudores ao revelar em suas obras o que se passava na cabeça do brasileiro.

Quem nos lembrou da data foi o amigo Cláudio P. Pessoa, que deve ter arregalado os olhos quando viu a matéria num telejornal matinal e deparou-se com esta cena:

Nélson Rodrigues em frente ao bar que tomava cafê da manhã todos os dias

Veja a matéria do jornal.

Passat B2 – a evolução

Por Thyago Szoke

Diante do sucesso do Passat no mercado europeu, nos anos 1970, a Volkswagen percebeu que era hora de mexer no seu produto mais luxuoso da época, que tinha versões hatchback de 2, 3, 4 e 5 portas, além da station wagon.

O Opel Ascona B, apresentado em 1975, já estava caminhando para o fim de sua geração, dando lugar a um projeto mundial, bem mais moderno (que no Brasil viria a ser o Chevrolet Monza). O Ford Cortina enfrentava um declínio em suas vendas, ao mesmo tempo que sua montadora preparava o Sierra, alinhado com as tendências dos carros europeus dos anos 1980. Veículos como o Peugeot 504 e o Fiat 132 também poderiam ameaçar o espaço do Volkswagen. Todos os citados eram sedãs, tipo de carroceria cujo sucesso crescia a cada dia no velho continente.

Pensando nisso, a VW encomendou à sua área de engenharia o projeto de uma atualização do Passat que envolvesse não só uma remodelação profunda, mas também o aumento de espaço interno e porta-malas, o que resultou na plataforma B2. O lançamento ocorreu em 1981, na Alemanha.

Com o entreeixos crescendo de 2,470 m para 2,550 m, a linha B2 traria uma novidade: a tão esperada versão sedã, criada para brigar de igual para igual com a concorrência. Com 4,545 m de comprimento, era 11 centímetros maior que o novo Passat Hatchback e trazia consigo um nome exclusivo para ela: Santana. Falaremos mais sobre este carro da Volkswagen em outra ocasião.

Sobre o hatchback, quanta diferença. Embora as linhas básicas remetessem à geração anterior, tratava-se de um carro totalmente novo, que teve a missão de substituir o consagrado desenho de Giugiaro. Externamente, a linha dos vidros era praticamente igual à da geração anterior, mas as opções de 2 e 4 portas (cujo vidro traseiro não abria junto com a tampa do porta-malas) deixaram de existir em prol da versatilidade e graças a uma nova amarração estrutural, que diminuía as infiltrações, desalinhamento da tampa com o tempo de uso e torção da carroceria em piso ruim.

Era nítida a evolução estilística, sobretudo na dianteira. Os indicadores de direção passavam a ser brancos, um diferencial naquela época; a grade finalmente ficava totalmente independente dos faróis; os pára-choques passavam a ser totalmente de plástico ABS; o capô era mais baixo e com perfil mais arredondado. Na lateral, a adoção de frisos mais largos, abaixo da linha de cintura, trazia robustez ao conjunto, além de harmonizar com os pára-choques ainda estreitos.

Já a traseira era alvo de críticas de muitos. Bem mais alta e retilínea, perdeu parte do charme da antiga, piorando em visibilidade pelo retrovisor interno e também transmitindo a impressão de desenho pesado. A calha do teto, terminando na metade da coluna C, apenas reforçava essa impressão, ao passo que as lanternas, por motivo de custo, eram compartilhadas com a versão Variant (Quantum no Brasil e Quantum Wagon nos EUA e Canadá).

Se por fora ele dividia opiniões, por dentro agradava em voz uníssone: um novo painel, mais alto e reunindo botões, saídas de ar e rádio num mesmo quadro, trazia praticidade no dia-a-dia, além de transmitir a impressão de categoria superior, graças ao friso cromado em toda sua extensão. O quadro de instrumentos adequava-se à nova linha VW, com grafia moderna para a época e luzes espia confusas, agrupadas num elemento central entre o velocímetro e o tacômetro.

Obteve razoáveis vendas nos 3 anos seguintes, porém sempre atrás da versão sedã. Foi então que, para a linha 1985, a Volkswagen introduziu discretas, mas significativas mudanças no visual: novos faróis, nova grade e pára-choques envolventes foram adotados para toda a linha, ao passo que a versão hatchback recebeu novas lanternas de formato horizontal e divididas pelo recorte da tampa, o que ajudou a suavizar o desenho. A versão 3 portas deixou de ser oferecida, enquanto o sedã Santana passou a se chamar somente Passat.

Esta geração foi produzida na Europa até junho de 1988, tendo sido fabricadas 3,3 milhões de unidades entre hatchback, sedã e station wagon. A última unidade hatchback deixou a linha de produção em 31 de março de 1988, na Alemanha, e entrou para a história como o fim da carroceria que marcou o nascimento do mito Passat.

Restauração, conservação do patrimônio

O texto data de 20 de março de 2008 e foi elaborado pelo saudoso amigo Marcelo Siewert.

Mais que um desabafo, o Marcelo parecia preocupado com algo que hoje mostra-se real: a falta de critério com os carros antigos, que será mostrada pelo Blog em uma série com péssimos exemplos de carros que ostentam a placa de colecionador sem ter o mínimo de originalidade ou conservação necessários para esse diferencial.


“Bom dia Pessoal,

Participo deste forum, do forum do Fusca e do Veteran Car Club de minha cidade. Uma preocupação com a todos do Veteran e de muitos participantes do forum é, me desculpem a palavra, o sucateamento, de nossa frota de antigos.

Quando se é jovem, não é comum pensar nisso e até acho normal querer ter um carro com um motor mais forte. Mesmo assim vejo com preocupação quando peças que poderiam compor um acervo de colecionáveis sendo disperdiçados com motores envenenados. Sei que nesse meio há pessoas responsáveis, que tem o carro mexido pelo prazer de ter um carro que ande, muito, bem. Só que também é fato que na maioria dos casos, o sujeito joga um tintão na lata, um jogo de rodões, um turbão e mais nada. Estes estão fadados ao desaparecimento.

Muitos vão argumentar: o carro é meu e faço o que eu quero. Concordo, mas é assim que vamos perdendo carros e modelos importantes da história da indústria automobilística nacional. Carros que retratam um período de nossa cultura, nossa indentidade em determinada época. Doí ver Passat TS, LS; Caravan SS, Chevette GP, Fiat 147, Fusca 1962 sendo estuprado com um motor AP.

Alguns que me conhecem podem alegar, ah mas na sua época você teve carros preparados. Sim , tive, até turbo (comprei pronto) por um curto espaço de tempo para saber como era. Mesmo assim foram modificações reversíveis e todos foram vendidos originais e em perfeito estado de conservação, sem estarem com problemas estruturais. Até hoje tenho um Gol 1.8 91 melhoradinho e do jeito que vão as coisas esse eu não vendo mais. Já está ficando difícil achar um em bom estado. A maioria das pessoas usa seu carro até sobrar só o bagaço, ou por falta de condições financeiras ou por relaxo mesmo.

Qual carro que pode valer a pena? O usadão que se estiver com a estrutura boa e com a maioria dos detalhes pode ser um bom investimento. Carro que foi “tunado”eu prefiro passar longe.

Infelizmente vivemos em um país que não se importa com sua história. O que vemos são ações isoladas, na sua maioria de particulares. Na indústria automobilística não é diferente, inclusive, acho que é pior. Nossa querida VW do Brasil é um péssimo exemplo. Não tem informação, acervo, museu decente e quando alguem tenta dar alguma referência só sai m****. Não sabem nada. Se você fornecer os dados de seu Fusca para a Alemanha, eles fornecem todos os dados de fabricação: a cor, motorização, data de fabricação…

Ainda temos um longo caminho para começarmos a preservar nossa história. Isso vale para bicicletas, imóveis, móveis, objetos de decoração ou uso profissional. Então porque não começarmos pelos nossos carros, com quem temos uma ligação tão forte e as vezes exageradamente sentimental? Vamos dar uma chance a estes pioneiros, que ajudaram a desbravar o mundo e hoje são considerados vilões ecológicos(putz, isso dá um tópico supergigante), mas que são máquinas maravilhosas.

Abraços, Marcelo”

Saudades do amigo.

Câmbio alemão?


A caixa de marchas que equipou o Passat até 1976 é conhecida desde aquela época como “câmbio alemão”. Criticado por muitos, o grande problema deste câmbio era o engate da 1ª marcha, que vez ou outra se confundia com a ré e poderia causar pequenos acidentes. Questão de costume… Porém, desde o início da produção do Passat em território brasileiro o câmbio foi feito nas dependências da Vokswagen, em São Bernardo do Campo.

O que motivou o apelido? Não tenho idéia. Não que o Passat nacional não utilizasse em sua produção peças alemãs. Encontramos, principalmente nos primeiros anos de produção, itens “Made in W. Germany” como tampa e rotor do distribuidor, interruptor do ventilador do radiador, sem esquecer o famoso Solex (de fato) alemão de corpo duplo que equipou o Passat TS a gasolina. Mas se havia algo que era de fabricação brasileira, podemos afirmar que era a caixa de marchas, que foi inclusive exportada para, entre outros países, a própria Alemanha.

O câmbio “alemão” deixou de equipar o Passat a partir de meados de outubro de 1976, com o início da produção da linha 1977.

A foto utilizada neste post tem circulado na Internet há algum tempo, sem referência do mês ou ano.

A costela de Adão

Crédito da imagem: http://justiceleagueunlimited.files.wordpress.com/2009/10/1969-audi-80-lg.jpg

O Audi 80, em 1969 ainda na forma de veículo estático para apresentação, como é possível ver pelas estruturas sustentando a carroceria. Muitos detalhes do modelo em produção já estão presentes nessa unidade, demonstrando o estágio avançado do projeto.

Sem mais delongas, a história completa do Passat e sua origem pode ser conferida no site da Home-Page do Passat.