Pra lá de Bagdá… Levantamento de peso!

iraque_porcimaHá imagens que, sinceramente, nenhuma legenda é capaz de explicar. E boa parte das imagens que vejo dos Passat no Iraque são assim. Muitas vezes fica algo um tanto difícil de compreender.

Arrisco que seja algum treinamento militar, digamos, não muito convencional. Alguém arrisca outra coisa?

Os premiados de Águas de Lindóia

O 3º Encontro Brasileiro de Autos Antigos, ou simplesmente “o encontro de Águas de Lindóia” como já ficou mais do que caracterizado pelos visitantes, seja lá que nome receba este evento ao longo dos últimos anos, foi bastante especial para os admiradores do Passat. Foram cerca de 700 veículos participantes e, apesar de diversos exemplares na área de venda de antigos e também nos arredores do evento, apenas dois Passat estiveram na área de exposição, carregando a dura missão de representar a linha que vendeu aproximadamente 640 mil unidades ao longe de seus 14 anos de produção. E a missão foi cumprida com louvor: em um dos eventos mais importantes do Brasil, ambos foram premiados e levaram na bagagem troféus de destaque em suas categorias.

Reinaldo Rodrigues Neto recebendo o prêmio de destaque pelo seu LS 1978. Créditos da foto: portal Maxicar
Reinaldo Rodrigues Neto recebendo o prêmio de destaque pelo seu LS 1978. Créditos da foto: Portal Maxicar

Na categoria “Disco”, que englobava os veículos produzidos entre 1973 e 1981 e premiou 11 carros, o Passat LS 1978 de propriedade de Reinaldo Rodrigues Neto, sócio do Passat Clube Curitiba, levou pra casa um troféu. Já na categoria “Nova República”, que premiou quatro veículos produzidos entre 1982 e 1986, um dos premiados foi o Passat LSE “Iraque” 1986, do Bruno Lara, sócio do Passat Clube – RJ. Os dois carros apresentavam alto índice de originalidade, portando inclusive as placas pretas (item obrigatório na edição deste ano para a participação de carros entre 1980 e 1986), além de estarem impecavelmente conservados. Os troféus foram entregues por ninguém menos do que Wilson Fittipaldi Jr., lendário piloto e um dos maiores nomes do automobilismo brasileiro.

Bruno Lara recebendo o troféu de destaque pelo seu LSE "Iraque" 1986. Créditos da foto: Portal Maxicar.
Bruno Lara recebendo o troféu de destaque pelo seu LSE “Iraque” 1986. Créditos da foto: Portal Maxicar.

A Home-Page do Passat dá os parabéns aos dois proprietários e também aos clubes que eles fazem parte. Os donos de Passat foram muito bem representados em Águas de Lindóia! Aguardem em breve a nossa cobertura do evento.

Passat Clube – RJ – 10 anos

Em março de 2005, durante o famoso evento “Praça de Março” promovido pelo Veteran Car Club do Rio de Janeiro, então na Praça XV (atualmente o evento é realizado no Parque do Flamengo), alguns amigos proprietários de Passat se uniram pra criar um clube dos fãs do modelo em terras fluminenses. Estava fundado, de maneira informal como é até hoje, o Passat Clube – RJ, do qual muito me orgulho de ter feito parte deste grupo inicial. O tempo passou e o próprio clube passou por várias fases, algumas mais ativas e outras com pouca atividade, porém nunca deixando de participar de encontros e de certa forma ajudando a criar nos eventos do estado (e alguns fora do RJ também) a consciência de que o Passat tem o seu lugar de destaque na história automobilística nacional ao lado de outros modelos também importantes.

Em 2015 completamos 10 anos de existência. Nossa primeira comemoração foi no próprio evento do Veteran, onde tudo começou. E a segunda comemoração aconteceu neste final de semana, quando juntamos 10 Passat para fazer um passeio pela serra, rodando pelo sempre agradável trecho da BR-040 que separa a entrada principal de Petrópolis até Itaipava. Antes disso, nos reunimos no Palácio Quitandinha, famoso ponto turístico da cidade. Conseguimos alinhar os carros para algumas fotos, o que acabou chamando a atenção de quem visitava o local. Muitos turistas aproveitaram para fotografar também e alguns deles vieram conversar para saber mais sobre os carros.

A idéia é seguir promovendo outros passeios ou confraternizações durante o ano, pra que não faltem comemorações e motivos pra colocarmos os Passat na estrada. Seguem algumas fotos do nosso passeio…

Subindo a serra...
Subindo a serra…

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Reunidos ao lado do Palácio Quitandinha
Reunidos ao lado do Palácio Quitandinha

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Pra lá de Bagdá… Em 1985!

iraque1985aUm fantástico registro do Iraque que vem dele, claro: Marwan Gassan, nosso passateiro em Bagdá! Segundo ele, a imagem é de 1985. Ao fundo, um gigantesco Saddam Hussein. E não dá pra deixar de notar também a cor do Passat que está mais ao fundo… Marrom?

Até debaixo d’água

A idéia do dia era participar de dois eventos na Barra da Tijuca. Pela manhã, o AGMH promoveria a segunda edição do seu encontro do Bosque Marapendi. E às 14:00, o VW Clube – RJ teria o seu evento mensal, onde o Passat Clube – RJ aproveitaria para relembrar os 25 anos do final da produção do Passat no Brasil. Mas a previsão do tempo não era animadora: 59mm de chuva ao longo do dia, de acordo com o Climatempo. Apesar disso, resolvemos manter a programação.

Ponto de encontro em Niterói, ainda sem chuva.
Ponto de encontro em Niterói, ainda sem chuva.

Pela manhã, a dupla que sairia de Niterói se encontrou no local combinado e de lá saiu para o segundo ponto de encontro, para que os Passat chegassem juntos ao evento. Já no caminho a chuva deu o ar da graça e assim foi até a Barra. Chegamos pontualmente às 9:00 no Bosque Marapendi, encontrando outros poucos guerreiros submarinos com seus carros antigos, além dos antigos dos próprios organizadores. Mesmo sob chuva, quem tem carro antigo, tem bom humor. E por este motivo o bate-papo sempre é imperdível. Porém, com a chuva cada vez mais forte e cerca de 10 carros presentes, acertadamente foi decidido que o evento seria transferido para o próximo domingo (e lá estaremos novamente!).

Estacionamento do shopping Via Parque
Estacionamento do shopping Via Parque

O jeito foi fazer hora e almoçar em algum shopping, aguardando o evento da tarde. E por lá, quatro Passat estacionados lado a lado, algo raro (ou quase impossível) de ver atualmente se não for realmente intencional, como foi o caso. Ainda com esperança de que o tempo melhorasse, no horário marcado partimos para o evento mensal do VW Clube – RJ. Mas hoje São Pedro foi implacável: o Rio de Janeiro precisava de um refresco e ele não se negou a ajudar. Novamente poucos carros se arriscaram a sair em um clima realmente ruim e não muito propício a quem tem carro antigo. Depois de pouco mais de 1 hora de mais um ótimo bate-papo, mais uma vez foi (bem) resolvido que o melhor seria abortar também este evento e seguir pra casa antes que o clima ficasse ainda pior.

Durante o evento mensal do VW Clube - RJ
Durante o evento mensal do VW Clube – RJ
Passat LS 1980, do Fábio Bittencourt, voltando pela Linha Amarela.
Passat LS 1980, do Fábio Bittencourt, voltando pela Linha Amarela.
Passat LS Village 1984, do Roberto Vilela, na Linha Vermelha.
Passat LS Village 1984, do Roberto Vilela, na Linha Vermelha.
Passat LSE 1987, do Michael Sgarbi, também na Linha Vermelha.
Passat LSE 1987, do Michael Sgarbi, também na Linha Vermelha.

Mas o dia não foi perdido, pelo contrário… Uma reunião de amigos é sempre algo em que só saímos ganhando. E semana que vem teremos novamente. Esperamos que com sol e ainda mais Passat!

Lá vem a noiva…

Foram pouco mais de 800km (ida e volta) para prestigiar o casamento de um casal de grandes amigos. Apesar da distância que nos separa, desde que conheci o Edison e a Juliane, no Blue Cloud de 2008, em Caxambu, sempre tive por eles grande consideração e amizade, assim como tenho por outros amigos espalhados pelo Brasil, que infelizmente só encontro após grandes intervalos. Quase sempre os encontro em trio: Edison, Juliane e o Passat TS 1977, que foi um dos primeiros publicados aqui na área “Carro do Leitor”. A exceção foi um evento no Rio de Janeiro, quando participaram sem o TS e eu tive a oportunidade de dar uma carona no meu LSE.

Um belo dia, não lembro exatamente quando, a Juliane me disse: “No meu casamento, quero chegar no seu Passat!”. Por razões óbvias, me senti honrado… Tantos Passat impecáveis em São Paulo e eles escolheriam justamente o meu, em Niterói? O tempo passou e o dia chegou… O convite foi refeito e eu nunca poderia negar. Carro lavado e pé na estrada, vencendo os km entre Rio e São Paulo. No meio do caminho, tivemos também a companhia de outro Passat, o LSE 1986 do André Simas.

casamento_placaNa hora da cerimônia, o carro recebeu uma placa dianteira decorativa, com o nome dos noivos e a data do casamento. Noiva devidamente acomodada no banco traseiro, havia enfim chegado a hora da missão mais importante do LSE: levá-la até o noivo. O casamento aconteceu ao ar livre, sobre um belo gramado, onde todos os convidados poderiam ver a entrada da noiva. A entrada do Edison na cerimônia também não seria nada habitual. Ele chegou de Passat, dirigindo seu próprio TS, parou em frente ao longo tapete vermelho rosa (editado: devidamente alertado pela Juliane que o tapete não era vermelho… perdoem a cegueira) que passava convidados e saiu do carro para ir até o altar na companhia da sua mãe. Na hora da entrada da noiva, é bem possível que eu estivesse mais nervoso que a Juliane. Afinal, era muita responsabilidade… O LSE não podia falhar. E como ele nunca me desapontou, tudo correu dentro da mais perfeita ordem. A noiva chegou, sob os olhares de admiração dos convidados (para ela, claro, não para o carro, que era mero coadjuvante), se dirigiu ao altar e eu pude encostar o Passat e acompanhar emocionado o restante da cerimônia. Durante a festa, o TS e o LSE permaneceram ali, sobre o gramado, enquanto os convidados se divertiam no salão. E no dia seguinte, com os noivos tendo ido dormir no mesmo hotel, a garagem amanheceu mais bonita… Publicamos aqui algumas fotos pra ilustrar, mas futuramente receberemos as imagens oficiais, registradas pelos fotógrafos profissionais que acompanharam toda a cerimônia.

Foto: André Simas
Foto: André Simas
Foto: Mariana Menezes "Grigorevski"
Foto: Mariana Menezes “Grigorevski”
Em determinado momento da festa, alguns dos passateiros presentes se reuniram perto dos carros pra falar de... Passat! Foto: Artur Yamamura
Em determinado momento da festa, alguns dos passateiros presentes se reuniram perto dos carros pra falar de… Passat!
Foto: Artur Yamamura
O estacionamento do hotel, na manhã seguinte...
O estacionamento do hotel, na manhã seguinte…

Aos mais novos passateiros casados do Brasil, desejo toda a felicidade do mundo e uma união eterna, e tenho certeza que vocês terão tudo isso. Foi uma honra e um prazer ter participado deste momento e contribuído, mesmo que tenha sido apenas com um pequeno detalhe, com a cerimônia. E caso queiram, desde já deixo a data reservada pra levar o LSE novamente na comemoração das bodas de prata, em 2038…

Apaixonados por carros

O video foi publicado em novembro do ano passado, porém só agora tomei conhecimento… Uma série chamada “Apaixonados por carros” produzida pela Trampolim Filmes dedicou um dos seus videos ao Passat LSE 1986 do produtor cinematográfico Lucas Delgado. A história do carro é interessante: encontrado abandonado embaixo de uma árvore pelo tio do Lucas, um mecânico da Mercedes-Benz (reparem nas rodas do Passat), foi comprado do primeiro dono e anos depois vendido ao atual e satisfeito proprietário.

O video é muito bem produzido e com certeza muitos vão se identificar com as histórias que o Lucas conta. Vale a pena ver e rever. E vou procurar os outros videos da série pra assistir, porque pelo visto vale a pena. Tem Mustang, Karmann Ghia, Dodge Charger R/T e até Citroen Traction Avant e DeLorean. É mesmo um prato cheio pra quem é apaixonado por carros.

 

E como encontrar o Lucas para mostrar que aqui, neste pequeno recanto dos passateiros, nós assistimos e gostamos da sua história com o Passat Iraque? Será que ele acessa o blog?

Pra lá de Bagdá… Continuação.

E o meu amigo Marwan Gassan, diretamente do Iraque, me envia mais algumas fotos daquele LSE do último post… Não faço idéia do motivo da sujeira e da limpeza parcial. E só agora reparei que são “fotos de fotos”.

Ao fundo da primeira foto… Outro Passat!

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Pra lá de Bagdá…

Enquanto ainda não consegui resolver por completo meus problemas técnicos (mas estamos chegando lá… pelo menos eu espero), vai um pequeno post para que ninguém pense que os leitores do blog foram abandonados…

Meu novo amigo Marwan Gassan, diretamente do Iraque, publicou esta foto hoje em seu perfil do Facebook. Já reparei que por lá os sobre-aros são relativamente fáceis de encontrar. E as fotos dos Passat que circulam não apenas no Iraque, mas em todo Oriente Médio, tem sido mais fáceis de encontrar, ao contrário de alguns anos atrás. Vai que vira outra série do blog? Quem sabe…

bagda01A sujeira? Ah, nada que água e sabão não resolvam. E se alguém aí souber o que diz a legenda da foto, agradecemos o esclarecimento…

A profecia do fim

Hoje, dia 21 de dezembro de 2012, pode ser o último post do nosso blog. Nem tanto pelas ocupações de seus blogueiros, mas por um evento previsto hoje pelo extinto povo Maia, ou seja, o fim do mundo. Se o leitor estiver lendo isto, bem capaz que nada tenha acontecido, como previam os céticos.

Novamente peço vênia ao leitor para relacionar um tema em voga com o Passat, desta vez tratando das especulações sobre o fim de produção do modelo no Brasil, em sua maioria vazias.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

No primeiro bimestre de 1977 algumas unidades do Dasher americano e do Passat com facelift europeu, foram flagradas circulando pelas ruas da fábrica 1, em São Bernardo do Campo-SP. Era o indício que alguma mudança estava por vir, mas diferente do que foi levantado pela revista o facelift brasileiro de 1979 previa uma frente muito semelhante à do Audi 80 1976 e à usada no Passat Sul Africano do mesmo ano, com faróis retangulares e piscas contornando o paralamas. Para refrescar a memória dos leitores, o belo Passat Ls do amigo João B. Adamo.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

 A Volkswagen do Brasil (VWB) entrava em 1980 com antigos projetos que usavam o motor boxer arrefecido a ar, muitos deles fadados ao fim numa época que ter carro fora de linha era sinônimo de defasagem de valor e fim de fornecimento de peças. O VW Passat era um dos projetos mais modernos da empresa, senão do país. Se não bastasse, a VW usou a plataforma do Passat B1 em seu novo projeto, a linha Gol e seus derivados, formando uma família completa.

O consumidor ainda tecia elogios ao Passat B1 e seu desenho, mas a empresa fazia testes de um carro que não se via nem na Europa. Era o Passat B2, flagrado no Brasil no final de 1980 pela revista 4 rodas. Ao seu lado, o VW Voyage, lançamento do ano seguinte. A forma da camuflagem enganou a revista, que achava se tratar de uma perua.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Não foi o único flagra. Nos anos seguintes os testes com o Passat B2 seguiam no sentido de decretar o fim do Passat B1. Entretanto, as exportações do modelo nacional começavam a ganhar o mundo ainda no final dos anos 1970, cuja importância para a manutenção da produção causou efeito por mais de 10 anos.

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Crédito: Luiz Fiorelli

A imagem acima mostra centenas de Passat com grade de quatro faróis, quatro portas e uma provável abertura total da tampa traseira, de difícil verificação na foto. Tantos carros semelhantes numa configuração incomum no mercado brasileiro despertaram a curiosidade do nosso amigo Cláudio P. Pessoa, que prontamente mostrou a imagem ao seu pai, que trabalhava no setor de expotação da empresa à época.

Segundo ele, esse lote de 1978 era destinado à Argélia, um destino desconhecido para a maioria dos entusiastas do modelo, tão acostumados com grandes importadores, como Uruguai e Iraque. A sagacidade do amigo Cláudio não parou por aí, que em pesquisas pela internet achou alguns sobreviventes no país africano.

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Crédito: Claudio P. Pessoa

As exportações começavam a ganhar força e o Passat B1, embora encerrado no início dos anos 1980 na Europa, era visto aportando nos países de terceiro mundo (demoninação dada à época), pouco exigentes em relação aos consumidores dos países de primeiro mundo e formando a lista de clientes da VWB, trazendo divisas ao Brasil.

prop_82exp prop_82exp2 Dos contratos de exportação mais famosos, o celebrado com o Iraque foi abordado num post aqui no blog, que foi elaborado com o apoio do André Grigorevski. O LSE iraquiano não foi o único brasileiro que teve o visto retido e por aqui permaneceu. Muitos carros destinados à exportação por aqui ficaram, em sua maioria pertencentes à frota da empresa e posteriormente vendidos aos funcionários. Inclusive o Claudio P. Pessoa foi proprietário de um desses modelos, também já mostrado aqui no blog.

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Enquanto isso, em 1983 o Passat nacional recebeu um novo Facelift, cuja frente tornou-se objeto de desejo dos proprietários de Passat, que corriam para as lojas de equipamentos para instalar a frente com quatro faróis, como do modelo acima.

Entretanto, nas concessionárias houve uma evidente queda nas vendas, especialmente provocadas pelo Chevrolet Monza, o carro mundial lançado em 1982. A ideia das propagandas acima era mostrar que o Passat também era um carro aceito no mundo, não só aqui, numa tentativa de chamá-lo de mundial, tal qual o recém lançado Monza. Quando a GM lançou o 3 volumes, o consumidor o elegeu como carro da classe média, levando-o a ser o carro mais vendido naquela época, um fato até hoje não repetido por um carro médio.

Não só as vendas do Passat iam mal, o Ford Corcel, seu concorrente desde o início, teve grandes perdas com o próprio canibalismo da linha Del Rëy. Dessa forma, era preciso uma reação, que ocorreu com o lançamento do Santana em 1984. Um carro moderno, cheio de requintes e que se diferenciava dos demais carros nacionais em tamanho e conforto, rivalizando com o Monza e travando uma guerra de motores com o lançamento do 2.0 na linha GM em 1987 e posteriormente em 1988 no Santana.

Fim de linha para o velho Passat? Não. Era o momento de transformação do carro, que foi renovado em 1985 com novo painel e parachoques envolventes. Enquanto o Corcel dava seu último suspiro em 1986, o Passat voltava a cair no gosto do consumidor, ao apresentar boa relação custo benefício e receber elogios rasgados da imprensa.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Não obstante, o lote de exportação destinado ao Iraque e que por aqui permaneceu, gerou uma corrida às concesionárias para compra dos exóticos LSE com ar condicionado e 4 portas. O consumidor nem se importava com as combinações de cores externa e interna pouco usuais. Tudo isso era uma demonstração de como o dinheiro era importante para o consumidor, que sofria com inflação, salários defasados, ágio e empréstimo compulsório na compra de veículos novos. Gastá-lo bem era colocar um carro com espaço e desempenho pelo preço de um carro menor e menos equipado, mesmo que não tivesse o status de um lançamento.

A fórmula foi usada por muitas empresas, que no final da vida de determinado projeto, passaram a simplificá-lo e oferecê-lo a valores convidativos. Dos carros mais conhecidos, o Chevrolet Kadett, VW Santana, Chevrolet Astra, Renault Megane Grand Tour, entre outros.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Ainda sob elogios da impresa, o carro era raro nas concessionárias, que dedicavam-se a vender grandes volumes da linha Gol e Santana, embora houvesse um nicho entre os dois carros, posteriormente explorado com a dupla Ford Verona e VW Apollo.

No final dos anos 1980, após relativo sucesso das atividades de exportação do VW Voyage, que recebia nomes variados nos países importadores (Fox nos EUA e Canadá, Amazon em países variados, Gacel na Argentina e demais países latinos), a VWB o apresentou aos iraquianos em substituição ao VW Passat LSE, como podemos ver nas fotos abaixo com o então presidente da filial brasileira da empresa, Wolfgang Sauer.

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Crédito: http://www.facebook.com/OHomemVolkswagen
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Crédito: http://www.facebook.com/OHomemVolkswagen

Se o carro agradou ou não aos clientes, resta a dúvida, mas é fácil constatar que o Voyage era um carro ligeiramente inferior em tamanho e espaço interno, o que pode ter sido a razão para o carro não ser viabilizado em terras iraquianas.

Entretanto, por diversos motivos, o contrato com o governo iraquiano não prosperou, levando a empresa a encerrar as atividades no país oriental no ano de 1989, trazendo consigo seus funcionários que lá permaneciam desde o início dos anos 1980.

Vale ressaltar que a VWB não voltou sozinha. Na mesma oportunidade vieram grandes construtoras que modificaram a paisagem do deserto, assim como muitos contratos celebrados com empresas brasileiras começaram a ser descumpridos pelo governo iraquiano, levando inclusive à falência da Engesa, fornecedora de armamento bélico.

Nem é preciso dizer que em pouco mais de 1 ano o Iraque passou de aliado americano a vilão, gerando uma guerra que arrasou o país e prejudicou a população por anos.

Dessa forma, o último pilar que sustentava a oferta de VW Passat B1 aos brasileiros ruiu. Não era viável manter em produção um carro sem um contrato de muitas cifras, como o que foi celebrado com o Iraque. A oferta aos brasileiros era também uma forma de manter bom volume de produção de peças, gerando uma diminuição dos custos.

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GTS Pointer em seu último Salão do Automóvel, em 1988.Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx 

Como todo herói em final de carreira, morreu pobre de equipamentos, abandonado por quem ele beneficiou, esquecido pelo grande público e deixando alguns órfãos, fiéis compradores que viam nele um ótimo carro, apesar dos sinais dos tempos.

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Crédito: http://quatrorodas.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Era o fim, depois de tantas profecias, quedas de vendas, contratos não cumpridos e novos modelos que tinham o intuito de substituí-lo. Se o Passat foi embora, deixou o legado de iniciar uma nova era na VW, com o uso de uma mecânica arrefecida a água e com dirigibilidade acima da média, servindo de base para a linha Gol, que dominou os anos 1980, 1990 e 2000, que até os dias atuais segue em produção com o Gol G4, carregando o motor em posição longitudial e pequenas peças mecânicas herdadas do projeto original.

Passat na rua: LSE Iraque

E já fazia um tempo que não havia um post da seção “Passat na rua”. Voltando do trabalho, avisto um belo Passat vermelho ao longe. E ao me aproximar… não é que o Passat é conhecido?

Acabei encontrando o meu amigo Nauberto e seu LSE Iraque, fazendo bonito em meio ao preto-e-prata do trânsito urbano… Registro feito na hora, claro! Não é todo dia que a gente encontra um Passat bonito pelas ruas…

I Encontro de Veículos Antigos da ABM

Hoje foi realizado o I Encontro de Veículos Antigos da ABM, que vem a ser a Associação de Moradores do Bosque Marapendi, entidade que cuida da área do mesmo nome no bairro carioca da Barra da Tijuca. O Bosque Marapendi é um espaço de lazer comum a diversos condomínios da área, arborizado, organizado, com brinquedos para as crianças, além de contar com uma área com quadras poliesportivas e restaurante. Este espaço é utilizado diariamente pelos moradores, que levam suas famílias para se divertir e também seus cães para passear.

O evento foi organizado pelo grupo AGMH em parceria com a ABM, sendo um sucesso de participação e público. Uma grande variedade de carros antigos ocupou o espaço, sem retirar dos moradores o direito de também utilizar e se servir do local. E pra quem gosta de cães, ficou difícil saber pra onde olhar. A Polícia Militar do Rio de Janeiro também participou do encontro, trazendo ao público três antigos exemplares que são preservados pela corporação: uma Veraneio (a famosa Patamo), um Fusca (apelidado de Joaninha) e um Jeep.

Dois representantes do Passat Clube – RJ estiveram presentes para prestigiar o evento, sendo o magnífico LS 1982 do Henrique Renke e também o meu LSE “Iraque” 1987. Um fato que merece destaque é que o LS, com cerca de 11.000km rodados originais, depois do evento passou por uma avaliação para a obtenção das placas pretas, obtendo 93 pontos. Portanto, parabéns ao Henrique, que acaba de dar o primeiro (e importante) passo para o segundo placa preta de sua coleção!

Abaixo, algumas fotos do dia…

Passat LS 1982
Passat LS 1982
Passat LSE 1987
Cadillac Eldorado 1950
Encontro de carros… e de cães!
A Patamo da PM do Rio de Janeiro
Detalhes…

Ainda não sabemos se o evento será periódico ou mesmo se haverão outros, mesmo que sem períodicidade determinada. Mas, se levarmos em conta as opiniões dos expositores durante o dia, o Encontro de Veículos Antigos da ABM tem tudo para ser repetido!

Editando: acabam de ser publicadas cerca de 70 fotos no site. Quer conferir? É só clicar aqui.