Passat do leitor #08

Após um tempo sem novos textos, voltamos com uma edição especial de “Passat do leitor”. Nosso amigo e valente moderador do fórum, Renato Gualda, conta sua história com o raro e original Passat TS 1980/81, cujo motor de 1500 cm³ é abastecido com etanol.

“Vou contar um pouco da história do passat na minha vida.

Sou de São Paulo Capital e tenho um Passat TS 1980, modelo 81, branco, movido a álcool.

Este carro tem um fator interessante e raro, alguns contestaram, outros duvidaram, mas meu carro tem motor 1.5!

Pois é! Sempre ouvi falar, e eu também acreditava, que todos os TS eram 1.6, mas eu estava enganado. Os primeiros TS movidos a álcool tinham motor 1.5!

Há até uma matéria da revista Quatro Rodas, que você encontra aqui mesmo na HP, que me ajuda a confirmar o mito!

Assim foram produzidos poucos e uma dessas raridades me achou!

Em 2006 eu estava com uma idéia fixa na cabeça:

Queria comprar um carro antigo, um carro de curtição, e o Passat era minha primeira opção. Na minha família eu, meu pai e meus tios todos tivemos Passats, então quando decidi ter um carro antigo, tinha de ser um Passat!

Em um dia comum de trabalho, andando pelo Bairro de Higienópolis, aqui mesmo em São Paulo, vi esse carro com placa de venda. Eu trabalho como representante comercial e carrego uma pasta um tanto quanto pesada. Nesse dia corri com mala e tudo atrás dele mas, é claro, não consegui chegar nem perto, porque o danado anda bem!!!  

Passei o resto do dia pensando “putz! perdi o carro! não vou achar mais, alguém vai comprá-lo antes de mim” e coisas assim.

Mas no dia seguinte… surpresa!

Ao parar em um farol com meu carro, eis que ele passa bem na minha frente! Com aquele jeito de “olha eu aqui!”.

Aí não teve jeito, mudei meu caminho e saí seguindo o tiozinho dono do carro! Buzinei, fiz gestos, gritei, até ele entender que eu queria aquele carro pra mim!

Quando o tiozinho parou, quanta felicidade! Fechamos o negócio no mesmo dia!

A princípio meu objetivo com o TS era o de rebaixa-lo, colocar rodas esportivas e um motor mais forte mas… assim que eu peguei o carro e comecei a analisar… ele estava em perfeito estado de conservação, com muitos itens originais, dificil de achar tão inteiro por aí… não teve jeito! Mudei os planos e parti para um projeto de originalidade!

Desde então fiz algumas alterações, fui atrás de itens faltantes, retirei insulfilm, coloquei  rodas originais, retirei as faixas vermelhas típicas do Passat Flash (mas não do TS 1980!) e, é claro, funilaria e pintura nos pontos de ferrugem!

Hoje, passados quase 6 anos da aquisição do TS, depois de muitas viagens e encontros de antigos, os colegas me deram força pra partir para uma placa preta.

No fundo eu tinha medo que não passasse… sei lá! Mas com o apoio da família e dos amigos, principalmente do Edison e do André Grigorevski que me apresentaram ao Irineu do Puma Clube de São Paulo, tomei coragem e fui pra batalha!

E o “garoto passou de ano”! Com toda a honra e toda glória hoje ostenta suas placas pretas!

Acredito que esta é uma grande conquista e um incentivo ainda maior para que eu continue a cuidar do TS e, junto dos amigos amantes do Passat, continue a preservar a história desse carro que além de ser um ícone da indústria automobilística, é antes de tudo um membro da minha família!”

Parabéns ao Renato pela história com esse carro e pela recente obtenção de Placa Preta, fruto de muita dedicação e empenho para conservar o carro como nos primeiros dias dele nas ruas.

Passat do leitor #7

Tempos de rede social, o acesso a informações, a busca e reunião de entusiastas torna-se mais ágil e extensa. É aquele momento que vemos que não somos os únicos que gostam de algo. Nesse espírito, o site da Home-Page do Passat foi o norte de muitos nesse mar de informaçõe quando o assunto era Passat.

E das redes sociais conhecemos o leitor Caio Rossi, cujo Passat LS 1982, verde Álamo, é agora apresentado.

A história é daquelas que todos que gostam de Passat queriam vivenciar, mas alguns poucos tem a sorte de iniciar o gosto pela família e mantê-lo por meio de um automóvel com história.

O carro está na família desde zero quilômetro, até que a 9 anos, seu avô, dono original do carro, faleceu. Assim, o Passat passou a ser usado em raras ocasiões por sua avó.

É certo que a paixão do Caio crescia e o carro deve ter sido objeto de admiração por um bom tempo, tanto que em janeiro deste ano de 2012, sua avó entregou o carro de presente de aniversário. Nas palavras de Caio:

“- Existe presente melhor que isso??”

O carro está muito original e conta com apenas 65.000 quilômetros rodados. Melhor presente, não há!

Parabéns ao Caio e à sua família, por preservar um carro e mantê-lo sob cuidados e carinho.

O dia em que tunaram meu Passat

Dias atrás navegava pelo fórum da Home Page do Passat e usando a ferramenta de pesquisa com a palavra tuning, veio um tópico com este título. Não se tratava de um carro com rodas com aro de bicicleta, nem de caixas de som para todo canto, fibra de vidro e luzes neon. Nada disso.

A história era bem conhecida por muitos, protagonizada por um amigo de longa data do fórum, Ingo Hermes Dittmar, que detém muito conhecimento de automóveis e sempre nos surpreende com alguma supresa da história, como uma bicicleta com faróis a carbureto ou uma coleção de placas de automóveis do Paraná, com as raras e esquecidas plaquetas.

Não obstante, é sempre observador nos detalhes e ajudou muitos anos nas restaurações do fórum, com dicas e orientações valiosas.

Ingo Dittmar nos conta o evento que modificou sua vida para sempre e seu Passat por um dia:

“Era chegado o grande dia do meu casamento, e assim como eu deveria me preparar, tinha que preparar também o Passat. Afinal, quando comecei a namorar minha agora esposa, faziam 4 dias que havia comprado meu Passat LS 79, 3 portas, Bege Ipanema. E desde então até aí se foram 9 anos de um triângulo amoroso.

Eu sabia que meus convidados não deixariam o Passat de fora da festa. Portanto, durante a tarde que precedeu a cerimônia, ele recebeu um belo banho, com direito à cera. Era uma tarde ensolarada e quente de Junho, mesmo sendo inverno. Para evitar qualquer vermelhidão no rosto, apliquei uma generosa camada de protetor solar, muito mal espalhada. Nem parecia que dalí há algumas horas seria meu casamento.

Dirigi o Passat até a igreja, mas de lá até o restaurante fomos num Ford Thunderbird 1958, e um dos meus padrinhos levou o Passat. Claro, deixei a ovelha para o lobo cuidar. Durante a festa, meu primo foi entregando para minha esposa os diversos tocos de batom utilizados na “decoração”.

Ao final, só restava pegar o Passat e ir pro hotel. Não sem antes encontrar todas as bolinhas de naftalina espalhadas pelo interior, colocadas graças a ajuda do padrinho que estava com as chaves. Chegando no hotel, o manobrista foi abrir a porta para minha esposa, e com tamanha prestatividade não deu tempo de avisar “-…tome cuidado com o batom na maçane……ta!!” Tarde demais, o coitado lambrecou a mão com batom hehehehe.

Pedi para providenciarem uma lavagem completa, mesmo assim ficaram manchas. Felizmente, na lua de mel, encontramos um lava-car, no qual o dono também tinha Passat, aí ficamos mais tranquilos em deixar o LS para um banho e uma boa encerada, removendo os últimos resquícios do que chamei de “O dia em que tunaram meu Passat”. E até hoje, depois de mais de 15 anos, esse relacionamento continua saudável!”

Passat do leitor #06

Na última semana celebrou-se o dia dos avós. Este blog, como era de se esperar, não poderia deixar a data passar em brancas nuvens. Entretanto era preciso selecionar uma bela história.

E por meio das redes sociais conhecemos a história do nosso amigo gaúcho, Daniel Premaor e seu Passat LS 1975.

O Passat LS 1975 ainda na casa dos avós do Daniel Premaor nos tempos de placas amarelas.

O carro pertenceu ao seu avô e se não bastasse a boa conservação ainda foi objeto de uma primorosa restauração que cuminou com a certificação e posterior mudança de categoria para colecionador, com placas pretas.

Passat após a restauração e as placas pretas.

Mais do que restaurar e preservar o Passat, Daniel resgatou a história de sua família por meio da conservação do modelo.

Temos certeza que seu avô sentiu-se homenageado nesse dia, Daniel.

Passat do leitor #04

Nesta semana, na seção Passat do leitor, um carro que recebe todo carinho de seu dono.

Nosso amigo João Bernardo Adamo apresentou seu Passat no fórum ainda com rodas de liga leve do início dos anos 1990 e outros detalhes não originais. Um carro muito bonito e muito bem conservado.

Até aí, não tínhamos ideia do que seria feito no carro, que deixaria qualquer colecionador impressionado com o cuidado e dedicação empregados no detalhamento de seu Ls 1982.

Toda dedicação do João só poderia resultar num belíssimo carro, que está ficando cada vez mais raro nas ruas.

Com a palavra, João Bernardo Adamo:

Sou o terceiro dono de um Passat LS 1982 e a minha história com o Passat começa em 1984 quando meu irmão comprou um TS 79 Bege (Ipanema ou Jamaica, não lembro) que eu adorava, pois, até então eu só havia dirigido os Fuscas de meu pai, foi um grande salto de qualidade e potência.

Um ano e pouco depois, este TS foi roubado e por sorte após uns quatro meses ele foi achado com várias peças trocadas, meu irmão ficou mais alguns meses com ele, mas, já não era o mesmo carro. Em 1986 ele o vendeu e comprou o meu atual LS 82 Verde Álamo. Foi seu segundo dono, estava com pouco mais de 16.000 km rodados, lembro até hoje da primeira vez que o vi e senti seu cheiro de carro novo que ainda conservava.

Em fevereiro de 1989 meu irmão comprou um Opala SL e me vendeu o LS, foi meu primeiro carro. Abaixo meu irmão com o Opala e o meu LS em 1990:

Meu irmão, o Opala SL e meu LS 1982, no ano de 1990.

Eu o usava bastante naquela época, muito diferente da “aposentadoria” decretada hoje em dia.

Como era jovem eu queria um carro com aspecto moderno então, no decorrer dos anos eu fui gradativamente substituindo e acrescentando peças originais de outros modelos mais novos como lanternas, saia dianteira, volante, retrovisores e etc. Por pouco não coloquei quatro faróis (83/88), ainda bem que esta ideia nunca se concretizou, pois, para reverter iria ser mais um problema nos dias de hoje.

2006

Conheci minha mulher com este carro e quando me casei nós nos mudamos para um apartamento que só tinha uma vaga de garagem e o carro escolhido para o trabalho e locomoção foi o carro novo dela (um Palio 1.6 16V)  então, acabei deixando o LS na casa do meu pai por cinco longos anos, período em que ficou praticamente abandonado. Chegou a ficar dois meses sem que eu sequer o ligasse. Saia eventualmente e lembro-me de duas ocasiões em que peças quebraram devido ao pouco uso, isto e o fato de ele quase não ter uso para mim, fez com que meu interesse por ele fosse acabando e decidisse vendê-lo. Sorte minha que não apareceu nenhum comprador que pagasse o que pedi.

Os anos foram passando e quando comprei um novo apartamento com vaga para ele eu o levei finalmente para “morar” comigo. A partir de 2008, graças em grande parte  a minha descoberta da Home Page do Passat e de seu fórum, meu interesse por ele voltou e decidi que iria retornar ao seu padrão original de fábrica então, eu comecei a retirar as peças que  havia substituído pelas originais e atualmente falta muito pouco para completar a originalidade e quem sabe ele possa ganhar uma Placa Preta.

E este é apenas um resumo destes 23 anos, muitas outras histórias aconteceram nestes anos todos que dariam, acredito, para fazer um livro.

Merecedor de todos os elogios, o trabalho do João foi tomando forma e o carro ganhou vida.

Parabéns, João. Obrigado por participar do fórum e por nos presentear com seus trabalhos.