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Passat B2 – a evolução

Por Thyago Szoke

Diante do sucesso do Passat no mercado europeu, nos anos 1970, a Volkswagen percebeu que era hora de mexer no seu produto mais luxuoso da época, que tinha versões hatchback de 2, 3, 4 e 5 portas, além da station wagon.

O Opel Ascona B, apresentado em 1975, já estava caminhando para o fim de sua geração, dando lugar a um projeto mundial, bem mais moderno (que no Brasil viria a ser o Chevrolet Monza). O Ford Cortina enfrentava um declínio em suas vendas, ao mesmo tempo que sua montadora preparava o Sierra, alinhado com as tendências dos carros europeus dos anos 1980. Veículos como o Peugeot 504 e o Fiat 132 também poderiam ameaçar o espaço do Volkswagen. Todos os citados eram sedãs, tipo de carroceria cujo sucesso crescia a cada dia no velho continente.

Pensando nisso, a VW encomendou à sua área de engenharia o projeto de uma atualização do Passat que envolvesse não só uma remodelação profunda, mas também o aumento de espaço interno e porta-malas, o que resultou na plataforma B2. O lançamento ocorreu em 1981, na Alemanha.

Com o entreeixos crescendo de 2,470 m para 2,550 m, a linha B2 traria uma novidade: a tão esperada versão sedã, criada para brigar de igual para igual com a concorrência. Com 4,545 m de comprimento, era 11 centímetros maior que o novo Passat Hatchback e trazia consigo um nome exclusivo para ela: Santana. Falaremos mais sobre este carro da Volkswagen em outra ocasião.

Sobre o hatchback, quanta diferença. Embora as linhas básicas remetessem à geração anterior, tratava-se de um carro totalmente novo, que teve a missão de substituir o consagrado desenho de Giugiaro. Externamente, a linha dos vidros era praticamente igual à da geração anterior, mas as opções de 2 e 4 portas (cujo vidro traseiro não abria junto com a tampa do porta-malas) deixaram de existir em prol da versatilidade e graças a uma nova amarração estrutural, que diminuía as infiltrações, desalinhamento da tampa com o tempo de uso e torção da carroceria em piso ruim.

Era nítida a evolução estilística, sobretudo na dianteira. Os indicadores de direção passavam a ser brancos, um diferencial naquela época; a grade finalmente ficava totalmente independente dos faróis; os pára-choques passavam a ser totalmente de plástico ABS; o capô era mais baixo e com perfil mais arredondado. Na lateral, a adoção de frisos mais largos, abaixo da linha de cintura, trazia robustez ao conjunto, além de harmonizar com os pára-choques ainda estreitos.

Já a traseira era alvo de críticas de muitos. Bem mais alta e retilínea, perdeu parte do charme da antiga, piorando em visibilidade pelo retrovisor interno e também transmitindo a impressão de desenho pesado. A calha do teto, terminando na metade da coluna C, apenas reforçava essa impressão, ao passo que as lanternas, por motivo de custo, eram compartilhadas com a versão Variant (Quantum no Brasil e Quantum Wagon nos EUA e Canadá).

Se por fora ele dividia opiniões, por dentro agradava em voz uníssone: um novo painel, mais alto e reunindo botões, saídas de ar e rádio num mesmo quadro, trazia praticidade no dia-a-dia, além de transmitir a impressão de categoria superior, graças ao friso cromado em toda sua extensão. O quadro de instrumentos adequava-se à nova linha VW, com grafia moderna para a época e luzes espia confusas, agrupadas num elemento central entre o velocímetro e o tacômetro.

Obteve razoáveis vendas nos 3 anos seguintes, porém sempre atrás da versão sedã. Foi então que, para a linha 1985, a Volkswagen introduziu discretas, mas significativas mudanças no visual: novos faróis, nova grade e pára-choques envolventes foram adotados para toda a linha, ao passo que a versão hatchback recebeu novas lanternas de formato horizontal e divididas pelo recorte da tampa, o que ajudou a suavizar o desenho. A versão 3 portas deixou de ser oferecida, enquanto o sedã Santana passou a se chamar somente Passat.

Esta geração foi produzida na Europa até junho de 1988, tendo sido fabricadas 3,3 milhões de unidades entre hatchback, sedã e station wagon. A última unidade hatchback deixou a linha de produção em 31 de março de 1988, na Alemanha, e entrou para a história como o fim da carroceria que marcou o nascimento do mito Passat.

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4 comentários

  1. Sensacional, tomei uma aula agora, eu não conhecia a primeira versão com as lanternas da nossa Quantum.

  2. Interessante a matéria, pena que nunca vi, e acho muito difícil um dia ver, qualquer dessas versões (diferente do Santana) por aqui !!!

    Quem sabe um dia?? Afinal, bem ou mal, fazem parte da história do Passat, não no Brasil, mas no mundo !!

    Abraços !!

  3. Acho que essa versão veio só para teste aqui ví algumas fotos dele com a placa de São Bernardo do Campo assim como Santana Tecno e devem ter sido desmontados e enviados para Alemanha!

    Muito legal a matéria.

  4. Belo texto do Szoke! Ótima contribuição!!!

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