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Fuleco e outras histórias

No último domingo saiu o resultado da votação popular para a escolha do nome do mascote da Copa do mundo de 2014, que ocorrerá no nosso país. Controverso, o resultado não poderia ser outro: feliz está quem teve a ideia do nome, apenas.

Foto: divulgação

Afinal, o que levou a Fifa ao estranho nome do tatu? Ser estranho, diferente e não esbarrar em algum nome já registrado. Ocorre que os nomes para votação popular foram selecionados entre 450 opções elaboradas por uma agência publicitária brasileira, mas escolhidos pelo departamento jurídico da Fifa.

Os nobres causídicos foram muito eficazes ao buscar nomes sem registro em parte alguma do mundo, o que deve ter sido fruto de muito trabalho, pesquisa e certo investimento. Entretanto, os três nomes eram pouco carismáticos e não tinham muita ligação cultural com o nosso país.

Além do Fuleco vencedor, Zuzeco (mistura de azul e ecologia) e Amijubi (união de amizade e júbilo) eram as opções, que dificilmente deviam ser a melhor escolha dos publicitários envolvidos no projeto, mas eram apropriados juridicamente.

Segundo o jornalista Flávio Gomes, o ideal seria unir as palavras Caráter e Trabalho, obtendo assim um nome que combina mais com o brasileiro, ainda nas palavras dele. A formação do nome, deixaremos a você, leitor.

Fuleco, como chamaremos doravante o simpático tatu, será presença constante na mídia. Infelizmente já chegou a ser vítima de facadas em Brasília, mas passa bem.

Antes que o leitor pense que estamos mais ligados no Fuleco que no Passat, já adiantamos que está com a razão. Porém, vamos aproveitar o espaço para tratarmos da VW e suas versões especiais de eventos esportivos.

A VW e seus especiais de eventos esportivos

O primeiro VW nacional que remetia a algum evento esportivo foi o Gol Copa, de 1982. Na ocasião a seleção brasileira contava com muitos craques, entre eles o saudoso Sócrates e o Galinho, Zico. Era a seleção que trazia esperança à torcida, após um jejum de 12 anos da última conquista.

Foto: Marcelo Nadólskis

E o VW Gol Copa vinha caprichado, com vidro gravado com a palavra COPA no vidro traseiro (semelhante ao que foi feito no Scirocco e no Gol GT), rodas de liga leve aro 13′, frisos laterais, manopla de câmbio em forma de costura de bola e faróis de neblina, além de outros acessórios de “luxo”. De produção limitada, o carro faz sucesso até hoje, sendo raros os modelos em bom estado e mais ainda aqueles que sobreviveram imaculados.

Foto: Marcelo Nadólskis

Após o sucesso do Gol Copa em 1982, a VW optou por preparar o Voyage com roupagem esportiva, desta vez numa edição olímpica de 1984, Voyage Los Angeles. Mais conhecido pela cor chamativa, o carro destacava-se nas ruas, o que não agradou a todos.

Voyage Los Angeles muito bem conservado do Danilo Bueno.

Após as duas edições a VW dedicou a outras séries especiais, como o Fusca série especial, última série, Passat, Voyage, Gol e Parati Plus (que teve uma reedição no final dos anos 1980 na Parati e no Voyage), Passat Sport, Parati Club (em duas edições), Gol Star (em duas edições), Santana e Quantum Sport, entre outros.

Apenas em 1994, na Copa dos Estados Unidos, que a VW reeditava a série Copa, no Gol. O Gol Copa de 1994 não tinha o mesmo frescor de lançamento, como foi com o primeiro modelo, muito pelo contrário, era o último ano dessa carroceria em motorização que não fosse 1.0, destinado ao mercado interno. Porém a VW acertou a mão novamente, usando peças de GTS e GTi, o Copa 94 tinha um pacote tão interessante que chegou a retirar volume de venda de alguns modelos de linha e era disputado no mercado de usados. E o Gol foi pé quente, pois a seleção levou o fuleco caneco.

Depois vieram Gol e Parati Atlanta 1996. Em 2002 a VW não fez uso da palavra Copa, nomeando a versão especial de Sport, usando no símbolo as bandeiras do Japão e da Coréia. E novamente a seleção brasileira voltou ao país sob aplausos.

Talvez a VW estivesse com esperanças em 2006, quando pagou novamente pelo uso do nome Copa e lançou a terceira edição com esse nome. Mas não foi dessa vez que a seleção trouxe vitórias, assim como não obteve sucesso em 2010.

Teremos um Gol Fuleco em 2014? Ou um Up! Fuleco? A saber.

Mascotes do passado

O real intuito do post era compartilhar com o leitor fotos de dois chaveiros que o nosso amigo e sem colaborador, Cláudio P. Pessoa guarda sob 7 chaves, dos tempos que seu pai trabalhava no departamento de exportação da marca.

Também é imprescindível dizer que o ensejo para este post foi a sua contribuição com essas imagens trazendo assim a ideia para escrever sobre o assunto. Afinal, estava difícil casar o Fuleco com o Passat, não combinam.

O mascote daquela copa, segundo Cláudio, era Naranjito. Nosso Tatu é simpático, mas Naranjito demoraria a entender o nome as razões do nome, assim como o que eram aqueles seres da Copa de 2002.

Os nomes dos mascotes do passado não são tão felizes. Deixaremos aos leitores o espaço para citar e comentar alguns. Portanto, observando os demais, nosso Tatu não vai sair tão mal na foto. Vai Fuleco, pegue o caneco!!!!!

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Sobre Artur.Y

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9 comentários

  1. Fico com a sugestão do Flavio Gomes.

  2. Artur, de duas simples e despretensiosas fotos dos chaveiros você enxergou um tema muito interessante e escreveu um texto brilhante. Parabéns!!! Lendo lembrei-me que em 2010 a VW fez mais uma série especial por ocasião da Copa, o Gol Seleção. Uma versão do G5 tão sem brilho que passou despercebido, talvez por ter sido mal concebido com detalhes “exclusivos” que não iam muito além de logos da CBF bordados nos bancos e adesivos laterais, nem sombra do que representou o Gol Copa 82 que, como você bem demostrou, nunca foi esquecido. Se a VW repetir em 2014 a dose de 2010 poderemos chamar o carro de “Gol Fuleco” (rsrsrs). 🙂

    • Obrigado pelos elogios, Cláudio. A ideia foi sua, hehehe

      Tem razão sobre a série especial Seleção, lembro-me dela na concessionária da forma como você descreveu. Vinha com rodas de liga aro 14′, quase um Gol Fuleco. hehehe

  3. Maravilha de texto, gostei muito, parabéns Artur, e os chaveiros são uma relíquia arqueológica. 🙂

    Para mim o Copa 82 foi o melhor e mais bonito de todos.

    Claúdio, bota este dois chaveiros a venda no ML que dará para comprar um “Gol Fuleco” 2014, hehehhhhehh 🙂

  4. Tenho andado impressionado com o Artur… Fico feliz que exista pelo menos uma pessoa aqui no blog que escreva decentemente, hehehe…

    Ficou demais!

    • Nem tanto, mestre, nem tanto!

      Às vezes sai alguma coisa interessante. Na maioria das vezes o som inspirador é um menino gritando, correndo e pulando ao lado do computador, aí não sai nada. hehehe

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