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Guia: Antes de comprar seu Passat #6

Estar apaixonado por alguém é um sentimento que cria uma verdadeira barreira em algumas percepções, inclusive a desconfiança e uma analise dos defeitos da pessoa amada. Apenas depois de um dissabor e alguma frustração no convívio, é que a barreira se quebra e os defeitos florescem.

Não sofra por amor, assim como não faz bem sofrer por antecipação. Porém, conhecer os defeitos de um carro antes de comprá-lo ajuda a ter mais segurança no negócio, sabendo como avaliar um bom carro e no que se deve ter real cuidado.

Antes de casar, conheça os defeitos para não ter surpresas.

Conheça os defeitos

Nada produzido em escala industrial escapa de falhas de projeto e produção. Alguns defeitos são causados na tentativa de diminuir custos e tempo de produção, pelo projeto limitado tecnologicamente e com economia em materiais, bem como pela inépcia na manutenção, causada pela inércia de proprietários e reparadores. O Passat, como qualquer outro veículo, não escapa desses defeitos.

Não chega a ponto de ser conhecido pelo grande público pelos seus defeitos, como o Ford Pinto pela vulnerabilidade de seu tanque de combustível, Chevrolet Corvair pela instabilidade (Ralph Nader denunciou o defeito no Chevrolet em seu livro “Unsafe at any speed”), a Kombi nacional pela combustão espontânea (ao lado do Maverick 2.3 OHC, com o pejorativo apelido de Magic Click), entre outros. Seus defeitos são semelhanes a muitos outros carros de sua época.

De mecânica fácil para os dias atuais, o Passat sofreu certo preconceito no início de venda, tanto pelo sistema de arrefecimento do motor (único na empresa) quanto pela novidade do comando de válvulas no cabeçote e a suspensão dianteira McPherson, configuração inédita numa concessionária da marca.

Como já mencionado pelo jornalista Bob Sharp no famoso blog AUTOentusiastas, o Passat sofreu alguns defeitos à época, facilmente corrigidos hoje com a oferta de peças apropriadas e soluções encontradas ao longo dos anos. São os famosos problemas de carro “novo” que demoram a ser solucionados pelas mecânicos, até que alguém consegue achar a solução.

Suspensão

Entre os defeitos mais criticados à época de produção, a suspensão do Passat era motivo de reclamação em todos os cantos do país, principalmente naqueles que nunca viram um metro quadrado de asfalto. A fabricante realizou alterações nas buchas da suspensão ainda nos primeiros meses de 1975, assim como na calibragem dos amortecedores e em outros elementos do sistema. Não obstante, para a linha 1978 o Passat recebia nova calibragem da suspensão, com amortecedores menos rígidos que os anteriores.

Ainda assim a suspensão era alvo de críticas, até que a partir da linha 1979 a Volkswagen fez novas alterações mínimas, mas que entregava uma melhor condução que nos anos anteriores. Por isso há quem diga que os modelos de 1979 em diante eram mais confortáveis e com melhor dirigibilidade.

O leitor não tem muito com o que se preocupar. apesar da antiga fama, hoje há peças mais eficientes à disposição do consumidor, por um preço acessível. Com a produção e popularização do VW Gol, muitas peças compartilhadas com o Passat foram beneficiadas com a produção no mercado paralelo e o valor baixo.

Para uma suspensão confiável e de certa forma confortável, basta investir em boas marcas e não fazer muita economia. Pegue o valor das rodas de liga que você tem em mente para o projeto e invista na suspesnsão. Isso trará muito prazer ao volante, mais do que ficar olhando as rodas com ele parado.

Trincas na carroceria

Como toda carroceria monobloco, o Passat sofre com trincas e ferrugem em pontos espefícicos. Aí reside o cuidado com os carros que receberam pouca atenção ao longo dos anos, os reformados sem cuidado e aqueles que foram objeto de muitas alterações mecânicas.

Exceto aqueles irrecuperáveis veículos que sofreram muito por descuido de seus proprietários e motoristas, todo carro pode ter salvação, dependendo da gravidade dos danos à estrutura. Mas cuidado, pois o descuido numa reforma pode ser tão grave quanto não fazer nada. Há muitos casos de carros que necessitavam de pequenos reparos de funilaria e foram para reforma. Seu proprietário, por desconhecimento ou por influência do profissional, acaba aceitando uma reforma que é bonita por fora, mas denuncia um péssimo trabalho que deverá ser refeito no futuro, ou que não terá mais conserto.

Guia: Antes de comprar seu Passat #6Tenha especial cuidado com carros já reformados. Procure saber de seu proprietário atual o que foi feito e como foi feito. Não espere um relatório completo, mas estude o que foi falado e compare com o que dá para ver. Há coisas que não é possível esconder. É visível quando um carro foi repintado, reformado, modificado e quando o serviço ficou aquém do esperado por alguém criterioso.

Não descarte um carro reformado logo de cara. Veja se será preciso fazer algo de imediato e se ele atende à sua proposta. Tem carros reformados que precisam de pequenos reparos e podem andar anos sem um visual bonito, mas dando muito prazer e pouca dor de cabeça. Pense que o tempo que você poderia curtir um carro com detalhes poderá ser gasto numa oficina, podendo até virar armário do seu funileiro por alguns meses ou anos.

Comprar um carro reformado pode ser vantajoso no tempo economizado e no dinheiro investido. Dificilmente alguém tem de volta o que gastou numa reforma, salvo se o carro tiver uma valorização e procura muito grande no futuro. Não se deixe contaminar pelo vírus da especulação, escolha um carro usando a razão. Carros inacabados podem ser uma boa compra, se estiverem completos e por um preço convidativo. Aprenda a avaliar e a pensar no tempo e dinheiro a serem gastos no futuro.

Da mesma forma do carro reformado, não descarte os carros que já receberam modificações mecânicas ou participaram de competição. Se assim fosse, o museu do Dodge não teria um Charger R/T 1972 vermelho xavante, que recebeu um motor Hemi pouco antes de ser comprado pelo Alexandre Badolato.

Arrancada é o tipo de competição que exige muito do carro, mecanicamente e na estrutura. Para esse tipo de competição o carro tem que ter uma estrutura ótima, alinhado e sem ferrugem ou trincas sérias. Quando a estrutura começa a ficar frágil, passa a receber solda, o que pode piorar a condição da estrutura.

Comprar um carro que já participou de provas de competição é arriscado se nada for feito. Antes da compra é recomendado verificar o assoalho, olhas o cofre do motor, porta malas e outros lugares que podem ter recebido reparos ou que estão com trincas. Ao volante o carro de estrutura ruim  puxa para o lado, torce inteiro e chega até a abrir a porta durante o percurso. Para ter certeza da compra, leve um mecânico ou funileiro para ver o carro.

Compre, mas desmonte e resolva os problemas de trincas. Túnel acima do câmbio, longarinas e parede corta fogo podem sofrer eivas mesmo que por ventura nunca tenham cantado pneu numa pista de autódromo. Lombadas, buracos e acidentes podem causar danos à estrutura, sentidos a longo prazo.

Ferrugem

A ferrugem costuma atingir assoalho, porta malas, longarinas traseiras, paralamas dianteiro e traseiro. Também poderá haver trincas e ferrugem nas colunas e na parte acima da parede corta fogo, no cofre do motor.

Guia: Antes de comprar seu Passat #6Não tenha medo da ferrugem, mas também não coloque a faca nos dentes e pegue o primeiro carro enferrujado que aparecer. Há casos em que os custos vão muito além do que se paga num carro íntegro e imaculado. Avalie se vale a pena gastar tempo e dinheiro num carro assim. Há casos que vale a pena, desde que saiba exatamente o tamanho do problema a ser resolvido.

Acabamentos

Por fim, o acabamento do Passat é um grande problema. O painel sofre com o calor e é muito frágil. Achar um em bom estado é difícil, mas não impossível. Dica valiosa: Não compre nada antes de ter o carro. Há quem entre em desespero com as especulações de fim de oferta de peças de antigos e saia comprando tudo o que vê pela frente, mesmo antes de ter um carro para avaliar o que precisa ou não ser comprado ou trocado.

Guia: Antes de comprar seu Passat #6

Comprado o carro, aí começam as buscas pelas peças. Procure saber o valor médio e tenha paciência. Jamais compre no primeiro anúncio e sabia avaliar quando alguém pede muito por algo. Não use o valor praticado pelos sites de vendas on line como referência de valor. Há peças inflacionadas e que poderiam ser compradas ou até dadas por amigos.

Sendo assim, conheça antes de se sujeitar aos altos preços. Pagar quase mil reais num par de lanternas não é a primeira e nem a melhor opção. Gaste tempo e paciência atrás de uma peça, se o vendedor encontrou, você também encontrará por um bom preço.

Ciente desses defeitos, conte pontos caso o carro em vista não estiver com nenhum deles. Isso facilitará os próximos passos.

Guia: Antes de comprar seu Passat #6

Sobre Artur.Y

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3 comentários

  1. Ótimas explicações, Artur. Escolher o carro pela qualidade da estrutura, mecânica e preservação de aspectos originais sempre reduz o caminho para a restauração ou reforma. Sem contar que até certo ponto, por mais que se invista no carro mais integro, poderá ser mais em conta que os menos conservados, afinal quanto antes se puder andar com nossos Passat melhor. Mas muitas vezes encontramos carros que tem potencial, pela estrutura ainda alinhada mesmo que com alguma ferrugem e itens faltantes. Nesses casos o caminho será longo e dispendioso. Dependerá de conhecer os profissionais certos para ajudar na empreitada, o que está cada vez mais difícil, mas possível. É preciso apenas o interessado se perguntar: “estou disposto a isso?”. Se a resposta for sim, vá enfrente, pois quanto mais Passat ganharem vida nova melhor (hehe). 🙂

    Quanto a fama que alguns carros adquirem, às vezes acontecem injustiças. Segundo Marco Aurélio Strassen o Chevrolet Corvair pode ter sido um grande injustiçado conforme conta em seu texto de título “O Caso da Toyota e os Tapetes nos EUA: um Eco de 47 Ano”, postato também no Autoentusiastas. Parece que Ralph Nader não era tão qualificado pra dissertar sobre carros. Vale a pena ler:

    http://autoentusiastas.blogspot.com.br/2013/01/o-caso-da-toyota-e-os-tapetes-nos-eua.html#more

  2. Olá Cláudio!

    O Corvair realmente foi um carro injustiçado, até me arrependo de ter simplificado a menção a ele. Apenas limitei ao dizer que é conhecido por isso, senão daria um baita post! hehehe Mas conheço a história do Corvair, sendo que o Ralph Nader ficou mais conhecido pela perseguição no congresso do que pelo livro, que só teve notoriedade após o incidente.

    A preocupação ao tratar do tema do post foi sair um pouco do velho conselho de fugir de carros com ferrugem ou não originais. Sempre vi matérias que falavam sobre o assunto e condenavam esses carros.

    Aprendi com o Alexandre Badolato que nem sempre essa premissa é válida, ainda mais quando os carros vão rareando. Enquanto tiver oferta, quanto mais completo e conservado, melhor. Mas ao mesmo tempo é a hora de garimpar peças e salvar alguns carros.

    A questão principal é saber onde vai se meter. Ainda há muita gente que acha que 5 mil é suficiente para “restaurar” um carro em péssimo estado. Vai pelo menos 13 mil reais, se for feito algo mediano. Para uma restauração decente e digna de nota máxima, facilmente atinge 25, 30 mil reais.

    Há quem ache um absurdo gastar tanto numa restauração, mas é um dinheiro bem investido se souber fazer e aproveitar o carro. Dinheiro jogado fora é dinheiro gasto em juros de carro novo (e o tal semi novo/velho), não?

    Quando o pessoal percebe que um modelo é procurado e ofertado a altos preços, a tendência é inflacionar o valor. Carros originais ficam caros e os que necessitam de restauração seguem o mesmo caminho, com inevitável aumento do valor das peças.

    Não adianta chorar, tem que procurar e pesquisar. Se a oferta diminuir, a tendência é os preços aumentarem. Por isso é necessário tomar muito cuidado antes de pagar caro por algo.

  3. Concordo com tudo, Artur. Quem seguir seu roteiro saberá escolher avaliando o verdadeiro potencial do carro. Sem dúvida a experiência do Alexandre Badolato é um belo exemplo. Tem muito carro que a primeira vista assusta, mas se o interessado observar melhor pode ter belas surpresas. Eu e minha esposa temos até uma brincadeira que começou quando ainda estava a procura de um Passat. Quando andamos pela rua e aparece um ela me pergunta: “e aí Cláudio, esse tem jeito?”. Minhas respostas vão desde um “sim esse não vai dar muito trabalho” até “hummm…, esse é PT” (rsrsrs). Mas felizmente na maioria dos casos digo “vai dar trabalho e vai custar bastante, mas tem jeito, sim!” 🙂

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