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Um pedaço de sentimento

Sábado tive uma alegria enorme. Algo inanimado, que nenhum sentimento poderia despertar andou 1400 quilômetros e me encheu de alegria, trazendo igual sentimento ao seu atual dono. Não é um carro que foi meu, loge disso, mas uma lanterna traseira de Passat.

A quase 7 anos atrás, quando estava na primeira caçada à peças de Passat nos ferros velhos da cidade, usei uma manhã de sábado com esperança de achar um bom par de lanternas traseiras. Eram os primeiros passos atrás de peças de Passat, após alguns anos de caçadas frustradas atrás de peças de Maverick e Dodge.

Num dos ferros velhos que visitei naquela manhã ensolarada, encontrei um pouco simpático cidadão que cuidava de um estabelecimento. Acho que estava irritado por trabalhar num sábado e mais ainda por atender alguém que queria peças de Passat, sem saber ao certo o que desejava. Na época eu respondia que queria tudo, circulando pelo ferro velho e fazendo uma busca.

Já no ápice da irritação do digno trabalhador da loja, deparei com uma lanterna traseira com seta laranja, quebrada. Era do lado direito e não tinha a lente de ré. Vasculhando mais um pouco, eis que surge uma lanterna Cibié com seta laranja e do lado esquerdo, par daquela que estava quebrada.

Lanternas rubi 012Após alguma insistência em achar outras peças, arrematei a Cibié por um preço que hoje seria irrisório, acho que saiu por R$ 10,00, ou algo assim. Muito feliz e encardido tanto quanto a lanterna, trouxe para casa e tratei de dar um banho nela. Nem o primeiro, nem o segundo e nem outros tantos banhos conseguiram deixá-la em boas condições. Parecia que sempre era necessário gastar uns minutos tentando limpá-la.

Depois de alguns anos guardada, como um souvenir, que ficava exposta num móvel de casa para deleite com uma xícara de café nas manhãs, não vinha à cabeça o que fazer com ela. Afinal, não tinha um projeto que fosse compatível com aquela lanterna, já que meu carro usava as lanternas com pisca vermelho.

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Ignorem das laterais de porta de um Gol GTS que eu tive (após uma boa revitalização). O interessante é a lanterna à esquerda, no vão do móvel, fazendo figuração.

Então, por obra do destino, um usuário do fórum da Home Page do Passat registrou-se apenas para vender uma lanterna usada, do lado esquerdo, pedindo um valor caro para a época, acho que algo em torno de R$ 250,00. Digo caro para a época devido à razoável oferta dessas lanternas naquele momento, cada vez mais raras atualmente, o que faz com que o valor sugerido seja até acessível para agumas pessoas que buscam a peça hoje.

Como de costume, nossos amigos observaram a situação e eu prontamente preparei um post de venda das lanternas que eu tinha aqui e não iria usar. Assim, com preços realmente acessíveis, conseguimos quebrar o paradigma que a referida lanterna era rara e por isso cara. Mais do que vendê-las e conseguir algum dinheiro (pouco, não deu para comprar um jatinho), pude ter a oportunidade de oferecê-las a alguns amigos, que efetuaram as compras e completaram seus projetos.

Entre as lanternas vendidas, estava a Cibié “tricolor”, como carinhosamente é chamada por quem gosta de Passat. Estava meio relutante a vendê-la, mas esperar uma do lado direito e o Passat para ela era algo que ia além das minhas possibilidades e era melhor mandá-la para quem fizesse bom uso.

E ela seguiu para o Rio Grande do Sul, para as mãos do Fernando Zago e seu Passat LS 1979 bege Jamaica. O carro estava a 20 anos com o mesmo dono e ficou 4 anos parado. Depois de muito empenho do Fernando, o carro voltou às ruas e a alguns dias seguiu uma viagem de 1400 quilômetros, como já foi dito. O apelido do LS não poderia ser outro a não ser Cruzador.

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Foto: Fernando Zago

Nas palavras do seu dono, numa postagem de foto em rede social, uma mensagem que demonstra a alegria de finalizar a jornada: “É o velho sonho que se realiza cada vez mais… o motorzão vendendo saúde, andando forte, e um conjunto mecânico confiável que hoje vai a qualquer lugar… “Passat: é lógico!” ;)”.

Pode parecer besteira, mas sempre que o Fernando publicava alguma foto do LS eu já logo perguntava se a lanterna estava nele. Estava muito ansioso para rever a lanterna, após tantos anos. E no sábado a foto surgiu na rede social, com uma mensagem do seu proprietário avisando que ela estava no devido lugar, no lugar que é a razão de sua existência.

Era só uma peça, que poderia ficar alguns anos no ferro velho e se perder. Quis o destino que ela voltasse à origem e fosse enviada passando por 3 Estados. Mais do que isso, é um Passat que ganha uma peça importante e que fará a diferença.

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Foto: Fernando Zago

Parabéns ao Fernando pela viagem e por tornar o Cruzador cada dia mais valente. E obrigado por colocar uma peça suja e esquecida no ferro velho para retomar sua função e deixar o carro mais original. Que o Passat lhe dê muitas alegrias.

Sobre Artur.Y

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As fotos a seguir foram enviadas pelo leitor Marcos Reis, após a publicação do post ...

5 comentários

  1. Boa! Gostei do texto!

  2. Pequenas coisas, grandes histórias… Gostei! 🙂

  3. Legal a história!

    O encontro de uma peça necessária a um projeto de restauração ou reforma, traz um sentimento muito bom, pelo menos para mim. 🙂

    Sentiu falta da lanterna na decoração da cozinha Artur? 🙂

  4. Obrigado pelos elogios ao texto pessoal. Fiquei com receio de abordar o tema, mas não bastava só colocar as fotos.

    João, logo depois de embalar a lanterna eu passei a que estava atrás para frente, era uma com pisca vermelho. Depois com a vinha do meu filho tive que retirar muita coisa do acesso dele, a lanterna, inclusive.

    E cada peça comprada é uma vitória, não tem como esconder o contentamento. hehehe

    • Artur tenho uma história semelhante a esta sua contada… quando comprei meu primeiro carro este ano de 2013, um Passat GLS 1983, o antigo dono havia se esquecido de que as lanternas originais dele ainda estavam em seu poder, e as entregou a mim. Foi uma surpresa quando observei esta história, pois exatamente a lanterna do lado direito está faltando o espelho da marcha à ré! Imediatamente limpei-as com bastante carinho e coloquei no seu devido lugar, tendo em vista este pequeno detalhe que faz sim a diferença de restaurar um clássico com a sua verdadeira origem.

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