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Poubel, o carro de fibra de juta

O uso de material alternativo ao aço para estampar as carrocerias de veículos não é nenhuma novidade. Os veículos de fibra de vidro são uma realidade há décadas, no Brasil e no mundo. Por aqui, bugres, foras-de-série e marcas como a Gurgel ficaram bem conhecidas pelo uso da fibra de vidro, que se destaca por ser um material leve, resistente a corrosão e de menor custo, principalmente no caso de produção em baixa escala. E não estamos falando apenas de pequenas montadoras brasileiras.

O Corvette, por exemplo, só teve sua produção viabilizada economicamente por ter sua carroceria confeccionada em fiberglass, composto de plástico com reforço em fibra de vidro. Outros tipos de material tem sido testados, e eventualmente utilizados na linha de montagem, pelas montadoras para substituir o aço das carrocerias. É o caso da tampa traseira do Fiat Mobi, feita totalmente de vidro, e que segundo a montadora diminui o peso da peça em cerca de 6 kg, quando comparada a mesma peça produzida em aço.

Mas não vamos entrar em mais detalhes dos materiais já citados, pois o objetivo do post é falar de um carro simpático e de design bastante rústico, chamado Poubel.

O Poubel teve sua carroceria produzida a partir de fibra de juta e resina epóxi por alunos do ITA. Créditos da imagem: Associação dos Engenheiros do ITA.

O Poubel foi um projeto realizado por alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), na cidade de São José dos Campos, sob a coordenação do professor Hazim Ali Al-Qureschi, concluído em 1994. Seu objetivo era produzir um automóvel com carroceria de fibra de juta, um material de origem vegetal que, no Brasil, é produzido principalmente na região Norte. Este material é utilizado, por exemplo, para produzir as sacas que embalam o café para exportação e também em peças de artesanato.

Vale lembrar também que o professor Hazim também foi o responsável pelo Manacá, carro feito de fibra de bananeira, que chegou a ser apresentado pela revista Quatro Rodas.

Para colocar o projeto em prática, um Passat ano 1979 foi utilizado como base. O carro pertencia a Marcos Poubel, aluno do ITA que faleceu em um acidente com o veículo na Rodovia Fernão Dias, junto com o também aluno Gustavo Henrique da Silva, quando voltavam de um rally de regularidade que disputaram em Belo Horizonte. Sua família doou o que restou do Passat ao projeto e o novo carro foi batizado em homenagem a Marcos.

O desenho final ficou bastante primitivo, claro. Afinal, era um grupo de alunos trabalhando com o que havia disponível. E o objetivo do projeto não era produzir um carro bonito, mas sim apresentar as vantagens (e também as possíveis desvantagens) do uso de um veículo produzido com este material alternativo, renovável e de baixo custo. Portanto, beleza e estilo certamente não estavam nas metas do grupo, que tinham resultados mais importantes para alcançar.

Poubel - Carro de fibra de juta
O interior do Poubel aproveitou peças do Passat 1979 doado para o projeto. Créditos da imagem: Carpress – UOL.

É possível perceber diversas partes do Passat no Poubel, como as rodas de liga, pedais, volante, console, alavanca do câmbio, entre outros. Também podemos notar peças de outros carros, como os faróis, que aparentemente são de Chevette. Segundo reportagem publicada no Jornal do Commercio no dia 20 de dezembro de 1993, pouco antes da conclusão do projeto, o Poubel era “uma versão avançada do Passat” e o carro teria um consumo 25% menor, devido a carroceria mais leve, além de um custo de produção entre 30 e 40% menor.

Ainda segundo a matéria, a juta poderia ser utilizada na fabricação de carros populares, pela economia de custos e pelas vantagens extras de não sofrer corrosão e proporcionar praticamente a mesma resistência do metal. Segundo o coordenador do projeto, a juta também amassa, porém o reparo seria fácil. A reportagem completava que o peso do Poubel era aproximadamente a metade do peso de um Passat convencional.

Atualmente, o Poubel está em exposição do Memorial Aeroespacial Brasileiro, também na cidade de São José dos Campos. Ao seu lado se encontra outro veículo importante: o Dodge 1800 convertido para álcool, considerado o primeiro carro a álcool brasileiro, pelo menos na era do Proálcool. É uma visita que vale a pena!

Sobre Grigorevski

Fundador da Home-Page do Passat e presidente do Passat Clube - RJ.

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