Cidadão do Mundo: Passat Iraque na Argélia

A dica veio, mais uma vez, do amigo Saymon Machado, sempre ligado e pesquisando o mundo dos Passat. Ao visitar um site de classificados da Argélia indicado por ele, acabei encontrando algumas configurações de Passat que para mim são novidades naquele país. E trago um deles neste post.

Correndo o risco de me tornar repetitivo, mas pensando nos leitores que chegarão a este post no futuro através de buscas no Google ou de outras maneiras, sem passar por posts anteriores sobre o mesmo assunto, não é novidade aqui na Home-Page do Passat que os Passat brasileiros foram exportados, entre outros tantos países, para a Argélia. O assunto foi tratado com excelência pelo Artur Yamamura neste post de 2013, que até hoje é um dos mais visitados da história do blog.

Recapitulando, e em resumo, o ano conhecido do início da exportação para a Argélia é 1977, com a previsão da exportação e 15.000 unidades em aproximadamente 1 ano. A configuração enviada para o país africano era bem curiosa para os padrões brasileiros: carroceria de 5 portas, acabamento interno da versão LS e conjunto de faróis utilizados nos Passat TS e LSE. Nem mesmo os modelos 1979 teriam chegado a Argélia.

Passat Iraque na Argélia
Encontrado nos classificados argelinos, este Passat tem a mesma configuração dos exportados para o Iraque.

E que surpresa ter encontrado entre os anúncios um autêntico Passat Iraque na Argélia! O exemplar é um LSE 1987 com interior vermelho como tantos outros que encontramos no Brasil (e, claro, no próprio Iraque).

Passat Iraque na Argélia
O estofamento vermelho e a carroceria de 4 portas não deixam dúvidas sobre o mercado original de destino deste Passat.

Bastante maltratado e com diversos itens trocados, o Passat encontrado está com lanternas mais antigas, maçanetas cromadas, reservatórios de água errados… Nada além do natural nestes casos. Afinal, fora raros casos, é um tanto difícil achar um Passat B1 bem cuidado que não esteja no Brasil, Europa ou Iraque.

Passat Iraque na Argélia
Apesar de tudo, este Passat ainda conserva o emblema LSE, que é mais um fator que comprova sua configuração.

Outro item fácil de notar é que este Passat usa motor AP, ao contrário do esperado MD-270. Essa troca pode ser explicada, já que outros modelos VW da segunda metade dos anos 80, como o Passat B3 e o Golf, podem ser facilmente encontrados por lá. Portanto, substituir o original em caso de necessidade seria perfeitamente possível. O carburador também já não é o original e sim um modelo de corpo simples, que não consegui reconhecer pela imagem se seria o velho Solex H35 PDSIT possivelmente utilizado nos exemplares exportados nos anos 70.

Passat Iraque na Argélia
Motor já trocado, assim como o carburador e reservatórios de água do radiador e esguicho do lavador. Típicas adaptações em um exemplar que não foi bem cuidado ao longo dos anos.

Não é a primeira vez nas minhas pesquisas que encontro um Passat Iraque que não esteja no Iraque ou no Brasil. Encontrei algumas unidades espalhadas pela América do Sul – atualização: como este exemplar no Chile – e pelo menos uma no Kwait (o que não causa nenhum espanto). Mas a grande dúvida é: como este Passat LSE foi parar na Argélia? Houve mais um lote de Passat brasileiros destinados a Argélia no final dos anos 80? Se houve, quando e quantos foram enviados? Ou este exemplar teria ido originalmente para outro país e depois ido parar na Argélia?

Deixo as hipóteses com vocês…

Sobre André Grigorevski

Fundador da Home-Page do Passat e presidente do Passat Clube - RJ.

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